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Friday, May 08, 2009

Meu dia de Mainardiota!





















Provei do meu próprio veneno, embora sem as intenções maléficas da maioria.

Não era meu intento, mas cheguei lá.

Tenho inimigos virtuais, tal como Mainardiota, o parajornalista do conhecido e lamentável veículo semanal da Editora Abril. A diferença está nos números, sempre eles: Mdiota tem milhares; eu, três.

Tento analisar as razões. Afinal, meu blógui é desconhecido – embora, sem falsa modéstia, o autor seja de boa cepa. E... não sou capanga de Daniel Dantas ou Gilmar Mendes.

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Tive alguns inimigos na vida. Poucos.

A maioria deles, até a idade adulta, com vocação para a ignorância atroz.

O chefe de escoteiros do grupo ao qual pertenci; uma besta. Um ex-vizinho, que me acusou de ser homoafetivo quando descobriu que algumas de suas namoradas me fizeram muito carinho. Um chato do quarto andar, que fofocava ruindades entre garranchos e monossilábicos.

A maioria da turba gosta de mim. Amigos, garotas, ex-namoradas até. Meu amor. Minha família. Nunca precisei ostentar isso, tal como se faz hoje em dia: já viram a patetada de redes sociais, blóguis e congêneres com fotos de “casais felizes fazendo juras de amor eternas e emanando felicidade às quatro estações”. Pode escrever; alguém nesta história bate com os chifres no topo da porta. Cada um com sua felicidade. E mentira. Há casos piores, até: o sujeito escrever para si mesmo, fingindo ser um fã ou a pessoa amada. Pode parecer demais, mas tem louco para tudo.

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Minha vida era tranqüila, até o dia em que entrei para o Centro Acadêmico.

Aí, a corda roeu. Eu era PDT de Brizola – logo, para a extrema-esquerda do PT e para o PSTU, eu era de “direita”. Não riam com o fato de me acusarem de ser direitista, menos ainda pelo fato do PT ter tido, um dia, uma extrema-esquerda.

Os caras da “oposição” eram um saco. Reclamavam todo dia: “O CA é um antro de corrupção. Há evidentes demonstrações de tráfico de influência: eles usam o dinheiro dos alunos para comer coxinha e beber tubaína! E o escândalo das passagens de trem? Pegam todo dia, de graça! Isto tem que acabar! (Nelson Merru, 1986)"

Manter um governo de CA dentro de uma universidade sem pertencer a um partido político é barra. Duramos três anos. Perdemos na quarta. Seis meses depois, o CA acabou.

Minha bolsa de estagiário naqueles tempos de Itamar Franco era de dois salariominimux. Ainda era preciso descontar a compra de cartolina, pincel atômico e o lanche. Não sobrava nada. Éramos felizes de toda forma.

Peguei o diploma, dei o fora e fui viver minha vida profissional, cheia de modelos parabolóides e outras matemáticas.

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Escrevo para mim e meia-dúzia de amigos, desde a adolescência. Com a modernidade dos blogs, resolvi aderir à causa: expor meu trabalho e minhas opiniões (baseadas em análises de fatos) – não dogmas ou imposições que, vez por outra, algum lunático resolve assumir como senhor da verdade. Aos poucos, fui me aproximando de pessoas simpáticas, intelectualizadas, com talentos em várias áreas do conhecimento. Meu blog na comunidade eletrônica do jornal O Globo passou a receber adeptos. De meia-dúzia, a turba virou cem, duzentos, sei lá. Eu e meu textos, meus poemas e minhas opiniões contra a hipocrisia que reina em Pindorama.

Romário, o filósofo e craque, definiu como ninguém: “Babaca, tem em todo lugar”. Um frasista impecável.

O saldo é positivo até o momento: centenas de mensagens parabenizadoras, vindas de gente que passei a admirar com idolatria – logo eu, um iconoclasta. Os poetas (de verdade) Pedro Du Bois e Ricardo Mainieri estão aí para confirmar, por exemplo.

Gosto do ambiente de blogs. Gosto das trocas.

Você, leitor, perguntará: E os três inimigos?

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Não é minha vocação dar espaço publicitário para pessoas que, comprovadamente, me prejudicaram inclusive cometendo crimes previstos no Código Penal Brasileiro. Logo, citá-los seria perda de tempo e contra-senso. Três bobalhões. Dois palhaços sem graça e uma Cuca do sítio-do-picapau-amarelo.

Mas, contudo, toadavia (assim mesmo), sou uma pessoa justa: afinal, graças a patetas como estes, até mesmo em função das tolices que já disseram a meu respeito, de certa forma ajudaram a divulgar meu trabalho literário, no que lhes sou grato – embora não valham uma gota de secreção mucosa.

Causam-me curiosidade, pelas características em comum: pessoas da terceira idade rumo à fase final (nicho social ao qual sempre dediquei máximo respeito), com enorme disponibilidade de tempo ocioso (fundamental para malversar pessoas que sequer conhecem em termos pessoais ou de obra); pouco ou nenhum conteúdo respeitável nos diários virtuais que publicam; uma necessidade enorme de auto-afirmação como lideranças virtuais; textos impregnados de citações poéticas (sem o devido crédito dos verdadeiros autores, lamentavelmente) e com altos teores de prepotência, mal-ajambrados com referências do pseudo-realismo místico-fantástico (o que pode ser até o caso de tratamento psiquiátrico); auto-exaltação das personalidades próprias (o que deixa até de ser defeito, devendo ser encarado como humorismo) e mais um calhamaço que não cabe aqui. Em suma, poderiam perfeitamente usar dois pares de tênis, em vez de um, a cada caminhada matinal. E andar de quatro. Lentamente.

Não procurei nenhum dos três para relacionamento virtual. Vieram a meu caminho. Carência? Necessidade de afeto? Transtorno bipolar? Inveja? Desconheço as respostas. Tão logo mostraram má-fé, foram alijados dos contatos de meu ex-blog. Então, preocupados com minha pessoa, mais outros amigos queridos meus, têm perdido o tempo ralo de suas vidas na terra a proferir tolices a meu respeito. Por que não descansam em paz, cremados ou putrefatos dentro da caixa mortuária? Por que não tentam o amor e sexo, tão plausíveis depois dos sessenta? Por que não ler um livro, ouvir um disco, ver um filme? Agregar pessoas, defender boas causas, produzir bons conteúdos blogueiros? Em vez disso, futriquinhas, fofoquinhas, maledicências estúpidas e um enorme sentimento de vazio.

Entender o que meus três detratores têm à mente é tarefa árdua. Não há lógica. Mas é sinal de audiência do meu escrito. E qualidade.

Serei bonzinho.

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Na Terra, três pessoas não gostam de mim, do que eu escrevo. Falam de esguelha. De araque. Não sabem de nada.

Curtem-se. Identificam-se. Assemelham-se.

Por que não experimentam as delícias do ménage à trois? A idosa, velha maritaca, de lésbica ativa; os dois senis esquisitões, de veadinhos indefesos*? Quac!

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Assim, me tornei um micro-Mainardiota por um dia. Menos, menos.

Tenho formação superior, formação intelectual e não vendo meu texto para bandidos.

Meu sincero tributo a um dos seres “brasileiros” mais abomináveis.




* Inspirado na crônica "Ano Novo, contas novas", de meu ídolo Ivan Lessa, 2001, JB.

Paulo-Roberto Andel, 08/05/2009

8 comments:

Carlos, um jeito tabajara de ver a vida said...

Quero logo ser o primeiro a comentar. Sei bem do que trata o texto. Meu apoio ao que voce disse. Paulo, em terra de cego quem tem um olho é rei. Se voce tiver dois, aí já é demais para eles. Serás perseguido. É assim que eles fazem, pelo vazio de suas proprias existencias!

Abraço!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Paulo-Roberto Ândel said...

fala, carlão.

no mais, é o seguinte: que vivam suas vidas de vazio, hipocrisia e escrotidão. e que façam mènage somente entre eles. ainda bem que não possuem mais idade fértil, senão seria terrível.

podiam ao menos aprender a escrever. ou transar.

um abraço.

Bernardo Miranda said...

Paulão,
O carlos disse tudo...
se eles têm um olho...
nos sabemos bem qual é!!!
rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

a parte dop CA, e das frases do Peixe...

demais!

só tu, meu amigUUUUU!!!

forte abraço, meu garoto... passa por cima que atrás vem a gente!

Lau said...

Meu querido amigo, você é ÜBER!!!! Aí o trema é válido.
And... I have a dream: ser tão objetivo como você.

Um beijo

Antonio Paulo said...

Grande Paulo tricolor.Homem franco direto leal. Sabemos assim como disse o Carlos nosso tabajara.E fico feliz ao ler e dizer que é uma pena que pessoas assim persistam nessa estupidez de navergar contra a maré.

Daniele Barizon said...

Meu caro,

Temos, na vida, afetos e desafetos. Inevitavel, pois. Ainda assim, naum se compare ao Mainardiota, rssssss!!! Compare-se aos mais que, no ato do trabalho honesto, saum perseguidos, por uns sei lah quantos motivos - nenhum suficientemente bom.

Bjs,

Zilda Santiago said...

Sei bem do que fala Paulo.Não era seu contato no Go,e estou aqui invadindo seu espaço,mas me senti gratificada,pois um dono dos fakes aos quais se refere,usou um deles para fazer acusações desqualificadas a pessoas que preso e respeito,pelo simples fato de discordar de opiniões estapafurdias dele.Desculpa a invasão e parabéns!

Pedro Du Bois said...

Caríssimo Andel,
agradeço pela citação.
não sei efetivamente do que se trata (tratou), mas, com certeza, fico com você e seus textos.
abraços e vamos em frente, amigo.
Pedro