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Monday, August 27, 2012

Caetano & Guantánamo

Tempos modernos III

vamos viver nossos tempos modernos
em confortáveis shopping centers
enquanto se celebra a admirável
tecnologia contemporânea - 
telefones, televisões, computadores
e nenhuma depressão por quem
dobram os sinos debaixo da marquise
nenhuma tristeza por quem come lixo
nenhum peso na consciência:
- não temos nada a ver com isso!
- nós não inventamos o mundo!
vamos viver planejando viagens
e fanfarras onde se possa gritar
muito "uhu!" e onde possamos
nos sentir tão vencedores
enquanto a miséria humana triunfa
tranquilamente
em meio a grandes livrarias onde
não se lê
monumentais bares onde
não se conversa
grandes programas em tv lcd
onde nada importante se avista -
é tudo modern times!
vamos viver nossos tempos modernos
onde o vazio da alma é multidão
e os caixas registradores tilintam:
feliz natal!
eu tenho o poder!
eu sou um vencedor
e meu peito é solidão!

paulorobertoandel27082012


Thursday, August 23, 2012

Urbanorixá/ Urbanoxalá



paulo
roberto
andel
2308
2012

Monday, August 20, 2012

Choque de ordem!
















paulorobertoandel 20 08 2012
@pauloandel
sobre grafia original na rua dos inválidos

Saturday, August 18, 2012

Thursday, August 16, 2012

As coisas

Monday, August 13, 2012

Quociente/ resto


tanto faz: fosse Atacama
Arcozelo ou Juiz de Fora
o fato é que somos noves
fora nada e adianta
qualquer moeda atirada
no poço de desejos?

e adianta um milhão
de poemas e cartas que
levam do vazio ao
perdido?

- be still my beating heart!
- don´t stand so close to me!
- nenhum amor é um só deserto!
- nenhum espinho esmorece a canção!

oh, tabuada! que não
se oferece ajeitada -
o teu mistério é superstição
noves fora nada
zero sinuoso e flamejante!
então merecemos mais
e mais de novo e mais
do mesmo - pior do que 
perder é não jogar.

paulorobertoandel13082012
@pauloandel

Wednesday, August 08, 2012

Sex


E você, hein? Já fez sexo várias vezes com uma mulher pensando intensamente em outra que sequer havia beijado antes? E gozou e fez gozar intensamente enquanto tudo o que pensava era outra coisa, outra carne, outra entrega? E quantas vezes teve em seu colo a outra, a querida, a preferida? Pois bem, alguém me disse certa vez algo que parecia uma lição, mas que não soube utilizar na vida prática: “Não fique com quem você gosta, fique com quem é possível”. Um tanto pragmático, um tanto vazio, um tanto real. Mergulhamos no mundo real, a vida real, de pequenos prazeres efêmeros. O admirável mundo novo das carnes, formas e desejos, que buscamos saciar através do sexo, muitas vezes disfarçado de paixão, casamento, namoro e a mais indesejada das palavras neste tema: “relacionamento”. E você, hein? Quantas vezes você se permitiu – nem sempre - solitário prazer da masturbação enquanto sonhava com outra mulher, a outra, sempre a outra, não propriamente aquela que te falou de amor e querer para sempre e ficar a dois sempre? Então você falou de amor eterno, de sentimento eterno e fingiu que não olhava para o lado quando a outra passou num vestido provocante, de modo que a imaginou completamente nua a seu lado? E você? E você? E a sua admirável vocação para tangenciar determinadas hipocrisias que não sabemos toleram bem numa sociedade respeitável? Você fingiu em algum momento que era um cavalheiro respeitável, enquanto tudo o que queria era mergulhar nas mais loucas perversões sexuais possíveis, onde tudo fosse o underground de Copacabana misturado aos mafuás do centro e uma hipotética New York? E desejou namorar aquela puta deliciosa, que tinha o sorriso moreno e provocante feito fosse Nanda Costa à tela do cinema, ardente, provocante e, ao mesmo tempo, incrivelmente romântica? Você sonhou em tirá-la daquele puteiro quase sofisticado, quase elegante, mas temperado com o licor de decadência que todo puteiro exige? Vamos, diga! Faça das palavras um vão central, faça dos pensamentos um trem de metrô que passa sob nossos pés tremendo o chão na Treze de Maio e seguindo seu inevitável caminho de vida e morte – o início e o fim da linha, para depois voltar tranquilamente.  O que você está sonhando, hein? E pensando? A mesma mulher de carne alva e tenra que jamais lhe será o maior dos pecados? A mesma vizinha excitante no prédio? O ex-amor que nunca foi necessariamente um ex-amor? Mas afinal, do que estou falando tanto se sexo acaba ficando tão pequeno diante do vazio da alma humana? Como posso condenar quem vive como eu? O que me resta além dos pequenos sonhos e momentos, diante de tudo o que se foi e parece tão distante, perdido noutra galáxia? Eis o sexo: maravilhoso combustível para arrancarmos pela estrada afora sem pensarmos na imensidão das coisas. Prazer para se esquecer das mazelas do mundo. Prazer para entorpecer os malditos sentimentos que nos atordoam. Prazer para tentar entender o que significam o princípio e o fim daquela mesma estrada, gigante e tortuosa, que denominamos vida.

Paulo-Roberto Andel
@pauloandel
08082012

Monday, August 06, 2012

*Fumando na escuridão





eu não sabia do fim
das tuas madrugadas
on the rocks à vera
nem da guitarra
encostada num canto
de parede – não, eu
não sabia – e nem que
já era tão tarde frente
ao dia azul-e-cinza
eu não sabia da dor
eu não sabia do caos
e era incapaz de pressentir
o fim, mas será que há
realmente fim?
- vamos abrir mão das
máscaras e falhas
- todos os rancores
- vamos gritar alegria
nem que seja
*fumando na escuridão
- vamos beber todos
os drinques e saborear
os acepipes!
agora dorme um agosto
e certa pergunta é
inevitável:
afinal, onde descansa
a vida de quem poupou
a vida em vão?


Em memória de Celso Blues Boy, 06/08/2012

Paulo-Roberto Andel
@pauloandel

Saturday, August 04, 2012

13 Copacabana 13 Copacabana


1

dois anjos tortos
passeiam
em serena mendicância
por uma rua aprazível
de Copacabana -
sofrendo, riem! –
onde deixamos de ser
nós
mesmos?

2

os sexos florescem
há elegância e decadência
no olhar desejoso
- da cobiçada puta
- do efêmero travesti
e tanta gente mais
a fazer de cada corpo
um entreposto
de tesão

3

almas desertas/ e concretas/ navegam o mar bravio/ das esquinas de Copacabana – parecem abençoadas pelos santos – sugerem demônios afrodisíacos – e são verdade: essências românticas, super-humanas e mais não basta!

4

os jovens moderninhos/ e os nem tão jovens assim/ praticam o burburinho/ na dorsal atlântica do Pavão Azul – um bar predileto de Copacabana/ somos tão modernos/ e antenados/ e nos lambuzamos de atraso e tradição

5

sob lua cheia
uma copa de árvore
abafa a fumaça de um cachimbo
de crack e Copacabana se
entorpece – esfaqueia
seus sonhos enquanto
as lágrimas descem num
rosto fenecido
enrugado e não vil

6

pedir um hamburger e um
mate do Bolonha – tocar
o velho balcão de aço
espiar o letreiro de preços
e os outros fregueses
famintos – é tudo rever
Xuru

7

Eliane não estampa
mais seu sorriso lindo e
indestrutível pelas ruas
espertas de Copacabana -
agora, quem lhe namora
é o luar de Vitória

8

eu e Bola/ solidários companheiros/ justiceiros de ninguém/ delicadamente bêbados/ quando subitamente levanto/ e acosso Cássia Eller – desafiar obviedades é oxigênio cristalino!

9

Juliana mora longe
longe
da minha faixa de areia preferida
na praia de Copacabana
Juliana mora longe e sóbria
e não há de compreender
nenhum delírio exasperado
de poeta frente ao horizonte -
carcereiro da alma
guardião da morte
artífice sem esperança -
Juliana mora tão linda
feito a lua que nos
assola

10

e Tati não chora nada
que não seja pecado
na base lunar que provoca
arrepios
pela areia fria à noite
em Copacabana:
pele de ametista
olhar de naja
e inestimável vocação
de ser tão
cobiçada

11

agora o sonho é longe
e tarde
nem faço planos -
a vida, límpida, é areia
a despencar na cânula
da ampulheta -
agora virei um noves-fora-nada
e estranhamente isso
me faz tão
bem

12

onde as ruas movimentadas são artérias
e pulsam tão vivas:
sangue de asfalto, borracha e aço
e corações doidivanas
na pedra fundamental
que concebeu o maior dos corações -
o segredo de Copacabana

13

o verão disse adeus e houve
um motivo: tudo tem seu
tempo, os ciclos, o crescer e
fenecer
a noite chegou sem atrapalhar
a magnética lua cheia
a lua de Juliana
a lua de Tati
e tantas outras estátuas
de carne -
o verão disse adeus
e sou um garoto da praia
que ainda sonha à toa
com a próxima
jornada -
até breve, delicado
amor!


Paulo-Roberto Andel 04/08/2012
@pauloandel