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Thursday, December 16, 2010

PONTOS DE VENDA DO LIVRO





















Arlequim Livraria
Praça XV de Novembro 48
Paço Imperial – Centro

Timbre Livraria
Shoppinga da Gávea 2º Piso Loja 221

Só Tricolor – Flamengo
Rua Senador Vergueiro, 44 Loja A
Flamengo

Só Tricolor – Tijuca
Rua Santo Afonso, 153 Loja H

Argumento Livraria
Rua Dias Ferreira, 417
Leblon

Blooks Livraria
Praia de Botafogo, 316 Loja D/E
Galeria do Arteplex Botafogo

Bolívar Livraria
Rua Bolívar, 42 Loja A
Copacabana

Beco das Letras
Rua General Tibúrcio, 83 Loja 14
Urca

Moviola Livraria
Rua das Laranjeiras, 280 Loja C
Laranjeiras

Empório das Letras
Rua do Catete, 311 Sala 202
Largo do Machado

Ou ainda nos links:

http://www.7letras.com.br/destaques/do-inferno-ao-ceu.html


http://www.travessa.com.br/DO_INFERNO_AO_CEU_A_HISTORIA_DE_UM_TIME_DE_GUERREIROS/artigo/4dcf0445-b80b-43e4-a4e9-f6e5dc2ba2cd


PRO FREITAS



I

Não tomei um drinque com o Freitas.

Não conversamos por horas e horas sobre livros e textos e versos como era devido, justo e merecido.

Vez ou outra, nos tempos do Globoonliners, lá estava ele fazendo algum elogio até exagerado sobre algo que eu tinha escrito, geralmente em frases curtas e impactantes. Gostei; legal ver que alguém com enorme verniz literário se identificasse com alguma idéia minha. Então era isso: um comentário, um ou outro e-mail, uma troca leve mas bastante rica. Tempos depois, fecharam a comunidade, lá fomos nós para o Bloguispóti e o contato foi rareando, mas sempre uma luzinha do farol longe alumiava a caixa de correio eletrônico.

A vida corre, os dias escorrem rápido pelas tubulações e, sei lá o porquê, pensei em mandar pra ele a divulgação do meu livro na segunda-feira passada, mas não o fiz: podia parecer auto-promoção, enfim. Devia, mas não fiz.

Hoje de manhã, minha querida amiga Lau me escreve contando da passagem do Freitas na mesma segunda-feira em que pensei nele.

Não tenho crença, não tenho fé, mas tudo isso que nos cerca deve fazer algum sentido, ao menos em minha matemática cabeça. O sentido da falta de alguém que não se fez presente de forma material em minha mesa ou meus bares ou mesmo na maravilhosa arte da conversa-fiada por telefone, mas que certamente contribuiu para a minha confiança em publicar fisicamente pela primeira vez – e talvez seja este o grande papel dos homens de letras: semear confiança para que outros escrevam mais e mais; transmitir; dividir.

O Freitas era – e é – rubro-negro fanático e me incentivou, direta e indiretamente falando, a fazer um livro que fala do meu amado Fluminense. Não há mais dúvidas: é um Fla-Flu e, por isso, tudo faz algum sentido.

Talvez sem saber, com certeza sabendo de alguma coisa, a semente que ele ajudou a germinar ai está.

Fica o abraço de sempre.

II

Poemas Neoconcretos II

verde verde verde
verde verde verde
verde verde verde
verde verde verde erva

(Ferreira Gullar)


Paulo-Roberto Andel, 16/12/2010

Monday, December 13, 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO






"DO INFERNO AO CÉU: A HISTÓRIA DE UM TIME DE GUERREIROS"

http://www.7letras.com.br/

Tuesday, December 07, 2010

Wednesday, December 01, 2010

INCLASSIFICÁVEIS



que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,

não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores

não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol


Arnaldo Antunes

Tuesday, November 23, 2010

O VELHINHO "MALA"


Sentado diante da maravilha tecnológica que é o computador, me deixo tomar por lembranças do longe.

Tempos da juventude, rapazote calouro de faculdade.

Acho graça quando alguém se diz “veterano” porque chegou a algum lugar seis ou doze meses antes do outro. Quando ficamos velhos, isso cheira a sonora bobagem, mas faz sentido na dinâmica velocidade no verão da vida, ali pelos dezoito aos vinte e cinco anos.

Somos saudosistas a maior parte do tempo, não fujo à regra: queria aqueles tempos outra vez, mas também gosto dos atuais, com tudo de ruim que o planeta Terra contém. Sinto a falta diária da minha família e isso é uma ferida que jamais cicatrizará: sei que preciso entender os desígnios da vida, mas ela também podia quebrar o meu galho e me entender um pouco também. Agora tenho outros amigos, novos parentes escolhidos pela afinidade em vez do sangue, outro amor.

A vida é outra.

Gosto de hoje, gosto de ontem. Reunir o melhor dos dois mundos é impossível fora da memória e do coração.

Ser jovem é ter todo o tempo do mundo pela frente. Quando era assim, lá ia eu tomar o charmoso ônibus 434 para chegar à faculdade por volta de seis, seis e meia da manhã. Você quase tem todo o mundo à vista, mas também quer trabalhar, quer ter algum dinheirinho para si e ajudar a família, quer ser alguém. É isso mesmo? Pode ser. O trajeto do 434 era mais longo do que outras linhas de destino similar, mas me fascinava a idéia de dar um voltão pela cidade antes de chegar ao palco de estudos, muitas vezes não utilizado com essa finalidade. Uma coisa era certa: no penúltimo ponto antes de chegar à UERJ, ali debaixo do viaduto Oduvaldo Cozzi, na vizinhança do CEFET, o 434 quase estacionava. Um senhor era o fiscal da empresa e fazia seu trabalho com precisa lentidão: ônibus cheio de estudantes, quinhentos metros para chegar no objetivo depois de quinze quilômetros. Era batata: o velhinho travava o coletivo implacavelmente. Tinha os cabelos esbranquiçados, nem tão curtos e a barba impecavelmente mal-feita. Não parecia ser dos mais simpáticos e tratava os trocadores que fiscalizava até com certa rispidez. Durante muitas manhãs, me vinha a vontade de dizer palavrões; com o tempo, sabendo que aquilo não iria mudar, me acostumei. Virou rotina como o café da manhã, folhear o jornal ou ouvir música. O velhinho, de quem nunca soube o nome e com quem nunca troquei uma palavra, estava incorporado ao meu cotidiano.

Dois ou três anos depois, eu passei a pegar carona com o Seu Serjão e o 434 ficou mesmo para os grandes jogos no Maracanã – uma ou outra vez eu o usava, até me formar, em 1994. Depois daquilo, quase nunca eu passava por aquelas bandas no turno da manhã. Certa vez, perto do Botafogo Praia Shopping, vi o velhinho atuando como fiscal do ponto. Estava mais velhinho, não mudou muito: travava o 434. Eu é que não era mais aluno.

A vida escorre na pia, coisas que foram outro dia viram outra década.

Tomei um táxi, desci a praça da Bandeira. Quando me dei conta, ia subir o viaduto. Pedi ao taxista que caísse pela esquerda, só para ver o ponto de ônibus. Havia um 434, mas nenhum fiscal. Parecia um dia vazio. Paramos atrás do ônibus, que se deslocou rapidamente – não era mais o 434 da minha juventude. Tão vazio quanto o dia era a região do ponto: nenhum passageiro, nenhum fiscal.

A vida segue seu curso, escrevi isso noutro lugar. Não temos tempo a perder. O problema é que não consigo deixar de pensar nas ruínas da minha juventude, depois de ter visto aquele ponto deserto.

Que saudade do velhinho mala!


Paulo-Roberto Andel

Thursday, November 11, 2010

A IMPRENSA ÉTICA (?)


Menos de dez dias depois de uma derrota eleitoral que muito irritou seus patronos e financiadores, parte significativa da imprensa brasileira convencional voltou a fazer o que mais sabe: criar factóides.

Por representarem um segmento social alheio ao aceite democrático do resultado das urnas, a imprensa agora tenta impor “graves mazelas” à vida brasileira, como a patética condenação do ENEM (que, no fundo, sempre desagradou ao PSDB pela evidente insatisfação de representar uma perspectiva de não-colonização das classes sociais menos abonadas, agora com acesso ao ensino superior) e o fenomenal “escândalo” envolvendo Silvio Santos. Em ambos os casos, os dados disponíveis revelam clara contradição entre o que realmente aconteceu e o que se lê nas manchetes. Tentaram o “escândalo” do IDH e não deu certo. Curiosamente, tudo isso acontece não somente no momento em que o PT confirma a vitória nas eleições presidenciais, mas também quando a mais poderosa rede de comunicação do país – com forte ascendência sobre as demais - recebe violento golpe do CADE num de seus tesouros mais bem-amealhados: a transmissão dos jogos de futebol, que gera verbas bilionárias de publicidade nos caríssimos anúncios comerciais. Não é nenhum delírio afirmar que a fábrica de factóides, tão bem-engendrada pelo ex-futuro líder político da oposição no Senado brasileiro, César Maia, à época de seu período como prefeito da cidade do Rio de Janeiro, cause espécie entre seus pares jornalístico-televisivos que, incomodados com a perda de lucro bilionário que possam vir a ter, partiram para uma situação de enfrentamento constante em prol da “verdade e da justiça”.

Não é a primeira vez, nem a segunda e nem a décima em que, incomodada por qualquer tipo de ameaça ao seu reinado, a rede líder e seus peixes-piloto avancem com fúria de tubarão contra governos. Leonel Brizola sofreu isso na pele, Lula também. Se pensarmos bem, uma reflexão profunda sobre um tempo sombrio da vida brasileira é necessária; o que fez as forças que fabricaram e elegeram Fernando Collor de Mello com presidente voltarem-se contra ele menos de três anos depois? Um automóvel? Não somos tolos em corroborar essa tese – a própria mídia tenta forçadamente aproximar Collor de Lula, como se ela nada tivesse a ver com o “Caçador de Marajás”. Algo fede a peixe, ainda não desnudo em sua decomposição. Para culminar, o completo temor exibido em telejornais contra marcos regulatórios da profissão jornalística, tidos com “censura ditatorial” em contrapartida ao verdadeiro golpe de Estado que tentaram impor neste ano de 2009. Difícil dizer até onde vai a ignorância ou a ma-fé nesta questão: nos países mais desenvolvidos do planeta, poucos jornalistas poderiam fazer em público o que fizeram com Lula nos últimos oito anos. Ninguém foi censurado. Querem fazer crer que liberdade e libertinagem são a mesma coisa. Qualquer profissional superior tem sindicatos a lhe representar, conselhos aos quais presta contas financeiras e pode ser até impedido de exercer a profissão em caso de ferimento à ética ou aos princípios básicos do diploma que obteve. Jornalistas estão acima da lei? Não. Devem ter toda a liberdade de se manifestarem livremente, desde que não afrontem princípios constitucionais – o que têm feito de forma incessante.

Que imprensa é essa?

A que pretende a ampla discussão do país ou a golpista, entreguista, representante dos que traíram o Brasil em 1928, 1932, 1954 e 1964?

Aos brasileiros de bem, a reflexão.

Tuesday, November 09, 2010

SOBRE NAZIFASCISTAS, SEPARATISTAS E ESCROQUES DE 2010


Esse negócio de separar Estados, ceifar, expulsar imigrantes, "a terra para os terráqueos" e outras idiotices mais constituem um bolo cujo ingrediente primordial está contido na seguinte sentença: "Tem mais é que tacar uma bomba na favela e explodir tudo". É o homo sapiens voltando a ser quadrúpede.

Mas poderia ser também em "Viado tem que morrer", "Lugar de mulher é na cozinha/Mulher não sabe dirigir", "Vamos incinerar macumbeiros" ou "O que é que essa gentalha está fazendo no shopping?". E "Tem que botar na cadeia pra matarem ele duma vez". Ah, tem mais uma: "No tempo dos militares é que era bom...". Desculpem a falta de classe, mas era bom só se fosse no meio do rabo de quem diz isso, sem qualquer direito a sursis feito de Hipoglós ou pomada erva-de-bicho.

Se você identificou alguma das sentenças acima nos diálogos ou conversa que trava com terceiros e quartos, meus parabéns: você está num país que ainda tem grandes problemas, mas recentemente resolveu encarar com vigor um dos maiores problemas do planeta Terra, que é a desigualdade social causada pela má distribuição de renda.

Você está num país onde uma burguesia elitista que escravizou, explorou, estuprou e roubou ainda tem as rédeas do poder econômico (e anda muito enfezada com as urnas), mas definitivamente perdeu as do poder político - e, por isso vê gradualmente a ascensão social de seus serviçais, mesmo que estes morem em comunidades ainda carentes.

Você está num país onde moralistas à beira-mar condenam o aborto que as meninas pobres, desnutridas e negras fazem em condições subhumanas, mas fazem vista grossa com as gatinhas fashion que entram nas clínicas da Rua Dona Mariana, em Botafogo - de onde saem visivelmente mais magras ao fim do dia; para eles, tudo bem: são "bonitas, brancas e de (sic) família".

Você está num país onde se fala diariamente que o problema está em oito ou nove mil parlamentares que praticam a corrupção - e quem fala isso diz "eu pago meus impostos" mas... paga mais ou menos, não? Sonega. E estes mesmos que fingem "condenar" a sonegação votam em candidatos com... total ligação com alguns dos piores corruptos da nação, no pior estilo "A lot of opportunities".

Você está num país onde é preciso resover as ditaduras religiosas: uma acha que manda em todas; outras acham que podem mandar em tudo.

Você está no Brasil.

Meus parabéns.

Esta é uma terra que foi muito vilipendiada, onde senhores de engenho queriam sobreviver com o mesmo estilo dos tempos da escravatura em pleno 2010. Não deu certo. Li em algum lugar que o povo às vezes faz vista grossa para corruptos, mas nunca se esquece dos traidores. Deve ser assim.

Aqui já foi uma droga, falta muita coisa ainda mas os primeiros sinais já vem brotando há tempos.

Tem uma turma que reclama além dos nazifascistas: os exploradores, os ex-pobres que não suportam rever nos outros a situação que um dia os banhou, os extremamente ignorantes que baseiam suas análises socio-politicas em veículos cabotinos como a "revista" Veja, "jornais" como os que dominam a cena paulistana e redes de comunicação como o Sistema Globo, eternamente ligado a tudo o que de pior aconteceu aqui. E só. Não dá quarenta milhões de pessoas nem gozando. Se muito, dá trinta. Dois milhões de exploradores, quatro milhões de parentes, dois milhões de puxa-sacos e vinte e dois milhões de eleitores que estão dominados pela monocultura: um só time, uma só tevê, um só jornal, uma só moda, nenhum livro que preste. Antes de qualquer protesto, recomendo não comparar os números acima com os dados oficiais da recente eleição que sacramentou a vitória de Dilma presidente. Evidentemente, me refiro a uma estatística de araque. Quando entender melhor do assunto, pormenorizo isso.

Está na hora de dar um BASTA! com todas as letras maiúsculas aos racistas, preconceituosos, salafrários, apedeutas e profetas do apocalipse que vociferam mentiras e tentam impingir ao país um clima de insegurança e mentira, o mesmo clima tenso dos cenários de 1932, 1954 e 1964. É hora de colocá-los no lixo, mas não da maneira como eles pregam, que é a de dizimar, aniquilar, matar, explodir. De forma alguma! O caminho é deixá-los falando sozinhos, no vácuo da oceânica ignorância dos quais são a mais perfeita tradução. A cidade, o estado e o país não podem parar por causa de meia-dúzia de nazistóides só porque eles dominam o mercado formal de informação. Meu próprio exemplo: envergonhado com a sujeira disseminada nos últimos meses por determinadas mídias, simplesmente parei de utilizá-las. Fora! Gente que não tem respeito a pobre, que acha que a solução é sempre explorar os outros, que fala aquelas idiotices lá do primeiro parágrafo, não pode servir para ser minha amiga, para me dar bom-dia e não pode sequer servir de minha latrina. Fora! Reconheço o estado democrático de burrice, mas o de má-fé não. Fora! Fora geral! Que o Deus deles lhes receba.

BOICOTE!

Chega de novelas de merda que só propõem os piores sentimentos humanos e vendem a ideia de "vencer na vida a qualquer custo".

Chega de jornais com manchetes que desafiam qualquer sujeito letrado, insinuando que somos completos imbecis.

Chega de telejornais com "senhores da verdade" que serviram a assassinos e traidores da pátria, lambendo a virilha de seus patrões.

Chega de prepotentes apontando o que devemos consumir, ver, ouvir e principalmente NÃO ler.

Chega de uma elite que propõe uma sociedade vedada, gradeada, sectária.

Essa é nossa resposta: deixá-los no limbo que lhes cabe. O ocaso. O vazio que representam. os quarenta milhões de votos já voltaram a ser trinta. Trinta milhões de pessoas num universo de cento e noventa milhões. Dezesseis por cento. Há muito o que fazer junto aos outros oitenta e quatro.

O tempo, as coisas e os votos sabem onde é a última morada dessa gente, que acha a própria carne mais digna, bela e representativa do que a de bilhões de pessoas que nasceram, não viveram mas morreram e morrerão igualzinho a elas. Em decomposição ou cremação.

Não há mais espaço para ditaduras, separatismo, golpes, opressão.


O Brasil é de paraíbas, pretos, gordos, viados, judeus e também de brancos, louros, heteros, evangélicos, espíritas, hinduístas, ateus, ricos dignos, pobres dignos, sulistas, camponeses, urbanos, fazendeiros, peões.

Os trabalhadores venceram.

Quem não os respeitar, que descanse em paz, mesmo que em vida.

Paulo-Roberto Andel

Wednesday, November 03, 2010

ADEUS, FASCISTAS




1

Mendel era um jovem estudante de Medicina na UFRJ quando testemunhou a ditadura militar no Brasil e suas atrocidades. Pouco tempo depois, ingressou no proibidíssimo PCB, o que lhe custou sucessivas detenções no famigerado DOPS, que fazia no Brasil mais ou menos o que os chuveiros ácidos faziam em Auschwitz. Cinco anos depois daquele patético, deprimente, pavoroso e nojento primeiro de abril, teve uma única opção: "sair" do Brasil para não ser morto, morar em Israel, revalidar seu diploma na universidade (o que não aconteceu com o Sr. José Serra) e, entre 1972 e 1987, trabalhar como psiquiatra do exército israelense. Antes disso, penou em delegacias, levou choques e uma das pancadas na cabeça lhe tirou a audição do lado direito. Faleceu em 1987, muito longe da simpática cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, onde viveu pouco tempo com seus pais, Taube e Favel Andel - estes faleceram quando Mendel era criança, criada posteriomente no internato do Instituto Hebreu-Brasileiro. Ainda teve dezessete anos de vida, ao menos. Escapou da morte ou do desaparecimento do corpo, tal como outros jovens daquela época. Alguns imbecis apontam que a ditadura apenas se defendia do terrorismo; por isso, deveriam ter seus diplomas escolares cancelados. Qualquer colegial sabe que não cabe a nenhum Estado a prática do assassínio de opositores a um eventual regime político.

Mendel não morreu como Stuart Angel ou Edson Luís. Estes tiveram a vida ceifada à vista por conta da estupidez da ditadura, com requintes de crueldade e covadia. Mendel também, só que morreu a prazo, em conta-gotas. Tiraram-lhe a família, o time de futebol, a pátria, impuseram-lhe outro lugar do mundo para viver e, obrigado pelas leis de seu novo país, acabou trabalhando diariamente no verdadeiro palco de horrores que era – e é – cuidar da saúde mental de soldados mutilados física e psicologicamente falando.

Havia Mendel, Stuart, Manoel, Edson, Carlos, Lucia, Dilma. Anos depois, alguns deles puderam voltar à vida civil brasileira. Outros carregaram as marcas da tortura para sempre. Muitos desapareceram: corpos banhados em ácido, outros carbonizados, outros repartidos pelos cavalos como se fazia no tempo do Brasil-Colônia.

Os idiotas, somente os idiotas, acreditam que a ditadura fez bem ao Brasil e que militares era torturados. Nunca se soube do desaparecimento de nenhum general, major, coronel ou capitão que tenha defendido a ditadura.

Mendel era meu tio.

Sua memória foi honrada com a vitória de Dilma Roussef nas eleições de domingo.


2

A vitória da Presidente Dilma tem várias facetas. Não poderia ter ocorrido em hora melhor.

Quarenta e seis anos depois de 1964, sepultar os cadáveres políticos que representam aquela época era mais do que preciso. O Brasil não precisa da opressão da Arena, do nacionalismo de gaveta da UDN. O que dizer de um partido que esconde suas próprias origens como é o chamado DEM? Colaboradores da ditadura, lacaios do republicanato norte-americano, defensores do coronelismo no Nordeste em 2010. Tiveram o resultado que lhes é justo: poucas cadeiras no parlamento, alguns postos de governo e uma sede enorme de que tudo dê errado para que tenham a chance de recuperar o poder, nem que seja de forma ditatorial, como já fizeram mais de uma vez.

Junto ao DEM, uma enorme mentira chamada PSDB e alguns lamentáveis papagaios-de-pirata como os senhores Roberto Freire, Fernando Gabeira e Marcello Cerqueira. Na periferia, os fracassos retumbantes de Marco Maciel, símbolo civil da ditadura, e César Maia, homem de ex-blog e ex-cidade musical.

O povo brasileiro é enorme e humilde, tem pouca escolarização em sua maioria, mas não é bobo, menos ainda burro. Às vezes, tem condescendência com corruptos, mas uma coisa é certa: não perdoa os TRAIDORES.

Quando menos se espera, as urnas sabem ser justas.


3

Falam da inexperiência de Dilma como se fosse possível cursar uma faculdade de Presidência da República. Eu vos pergunto: que experiência tinham os senhores FHC e Collor quando se tornaram mandatários da nação?

Falam que Dilma é um fantoche de Lula. Seria ruim a presidente manter as diretrizes de um governo que deu certo, ou elles estão apenas querendo o PODER e não o bem do Brasil?


4

Publicados os dados oficiais, fiquei comovido com o discurso de Dilma.

Lembrei de meu pai, de meu tio, da ditadura que infelizmente vivi. Lembrei de como eles mereceram ver um país melhor do que aquele no qual viveram.

Não deu tempo. Mas ainda estou aqui.

Como seria ter Leonel Brizola, João Goulart e Darcy Ribeiro naquele palanque?


5

“Tem mais é que tacar uma bomba na favela e explodir aquilo tudo. Tem que remover. Que nojeira esses pobres andando de celular no shopping. Que breguice desses pobres vindo à praia de metrô”

Delírios nazifascistas como este, publicado nas três linhas imediatamente acima, estão, felizmente, banidos da vida nacional.


6

Leio jornais diariamente há trinta e dois anos, mesmo aqueles com os quais não concordo ideologicamente.

Neste 2010, a calda escorreu para o chão.

Nunca as manchetes e conteúdos dos veículos impressos foram tão sujas, tão hipócritas, tão levianas contra uma candidatura. Os piores momentos de Collor 1989 foram à lona.

Golpismo barato que foi devidamente refutado no melhor palco: a urna.


7

Quase um ano depois, a ditadura da mídia não toca em um tema que pode gerar páginas e páginas policiais: onde surgiu a bela amizade – e posterior sociedade comercial – entre Verônica Serra e Verônica Dantas?


8

Lula.

Obrigado por tudo.


9

Para rir um pouco












Paulo-Roberto Andel, 03/11/2010

Tuesday, October 19, 2010

Friday, October 15, 2010

MINO CARTA















http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/o-tempo-como-invencao-do-homem


O tempo, como invenção do homem

Questão levantada por Dilma Rousseff no debate de domingo 10 na Band merece reflexão. Observou a candidata que a campanha eleitoral tucana estimulou um sentimento insólito no Brasil, o ódio. Há brasileiros e brasileiros. Os privilegiados e seus reservas, e os desvalidos em estágios diversos. As diferenças sociais são ainda profundas, a despeito de alguns avanços realizados à sombra de Lula.

A maioria brasileira não é capaz de ódio, mas sua característica mais pronunciada é a resignação. Já o ódio tem ibope elevado na minoria, aquele resistentemente alimentado em relação à maioria. O sulista feliz da vida enquanto mantém sua primazia e o remediado confiante em um futuro favorável à moda dos atuais privilegiados odeiam o nortista pobre. Incluam-se os miseráveis em qualquer latitude.

A frequentação da internet nestes dias ilumina a respeito, embora cause devastação na zona miasmática situada entre o fígado e a alma dos cidadãos conscientes e responsáveis. Colidimos com ferozes manifestações de ódio, insufladas pela mídia nativa, movida ela própria, ela antes dos seus leitores, ouvintes, espectadores, a puro ódio. Em outros tempos, chamava-se ódio de classe. Mas hoje os tempos são outros.

Há inúmeras décadas a mídia nativa, instrumento nas mãos da chamada elite (elite?) porta-se da mesma maneira. Desembainha os mesmos argumentos. Desde a oposição a Getúlio Vargas democraticamente eleito, a resistência à posse de Juscelino, a manipulação constitucional para que João Goulart substituísse o renunciatário Jânio ao aceitar a imposição do parlamentarismo, enfim, o golpe de 1964 e o golpe dentro do golpe de 1968. Até a rejeição da campanha das Diretas Já, a eleição indireta de 1985, a posse anticonstitucional de José Sarney, a eleição de Fernando Collor no seu papel de antídoto ao Sapo Barbudo.

Sempre e sempre, a mesma pejoração, a favor das mesmas inaceitáveis razões, frequentemente em apoio de quem, em nome das conveniências, foi elevado aos altares da glória e hoje é atirado à poeira. É um festival de acusações sem prova, de omissões oceânicas, de mentiras que envergonhariam o bugiardo de Goldoni ou o tartufo de Molière.

Pergunto-me se esses heróis da velhacaria perceberam o quanto o Brasil e o mundo mudaram no período. Por uma série de eventos, a vincar as décadas. O Brasil, por exemplo, não é mais um dos ancoradouros preferidos da CIA. O embaixador americano Lincoln Gordon, depois de mandar mais que o presidente da nossa república, passou-se para outra. Na onda da Marcha da Família, com Deus (que deus seria este?) e pela Liberdade, perdemos a liberdade, com ele pequeno, por 21 anos, e a verdadeira, irmã da igualdade, ainda não a encontramos.

Deu-se ainda, neste tempo todo, que a Cuba de Fidel deixasse de ser aquela e, sobretudo, que o Muro de Berlim ruísse e, com ele, o maniqueísmo da Guerra Fria, o abrupto loteamento do globo entre dois impérios. Aliás, sobrou um, que nos ensinou coisas boas e más, algumas muito más, e hoje não vai lá das pernas.

Os meus estarrecidos, porém lúcidos botões cuidam de me informar: os senhores todos continuam a querer um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo, o tal de demos, como avisava Raymundo Faoro, o grande pensador, que faz falta não somente a mim. E não deixa de representar fenômeno extraordinário como o candidato José Serra se encaixou à perfeição no seu papel de udenista da última hora, de sorte a ganhar, de forma ainda mais clara que em 2002, o suporte da mídia de uma nota só.

Há momentos sublimes na interpretação do candidato tucano. Ele se prontifica a deglutir hóstias sagradas e se apresentar como derradeiro apóstolo de Jesus Cristo. Enquanto isso, a mídia concretiza a mais ampla, geral e irrestrita conciliação elitária da nossa história, na qual este gênero de arreglo invariavelmente nasceu do ódio à maioria e representou um capítulo fatal.

Recordo um debate entre figuras da imprensa, organizado em fins de 1976 por Ruth- Escobar no seu teatro paulistano. Inicialmente proibido pela ditadura por causa da minha presença entre os debatedores (incrível, não é mesmo?) e enfim liberado duas semanas após porque me caberia apenas o papel de moderador.

E o moderador, lá pelas tantas, perguntou a Ruy Mesquita, também presente, por que, diante da censura, os donos das empresas midiáticas não se tinham unido para protestar, assim como em uníssono haviam invocado o golpe. Ruy respondeu ser impossível um entendimento entre famílias tão díspares quanto Mesquita, de um lado, e Marinho, Frias, Nascimento Brito e Civita do outro. Pois agora, na esteira da candidatura Serra, e para espanto meu e dos meus botões, é possível.


Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

GOLPE À VISTA? SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER


Tarso compara campanha de Serra a preparação do golpe de 64


(Reprodução do Portal Terra)


Porto Alegre - O governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), disse, na noite desta quinta-feira, em Porto Alegre, que, em relação à disputa presidencial, está havendo "uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas" contra o então governo estabelecido.

Diante de cerca de duas mil pessoas que lotavam o Salão de Eventos do Hotel Plaza São Rafael na plenária de mobilização da campanha da petista Dilma Rousseff para o segundo turno da eleição presidencial no Estado, Tarso fez críticas duras aos adversários de Dilma na eleição, avaliando que hoje a ameaça é mais grave, porque inclui a "manipulação da informação com cumplicidade da maior parte da grande imprensa". O governador eleito finalizou seu discurso avaliando que a situação pode "redundar em uma eleição ilegítima", na qual um candidato quer se eleger "com base na mentira, na inverdade, na calúnia e na difamação".

Mesmo sem a presença de Dilma, o PT e os partidos aliados prepararam um grande evento para o que apontam como a "arrancada" da campanha do segundo turno da petista. Nas escadarias, na entrada do prédio e no salão, militantes distribuíam pilhas de adesivos, folders com os 13 compromissos de Dilma e um documento com os principais pontos de organização da campanha no Estado e pré-roteiros das lideranças estaduais até o dia 30 de outubro.

Dentro do salão, na mesa principal, com direito a discurso, estavam, entre os representantes de siglas aliadas, o senador Sérgio Zambiasi (PTB), o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Júnior, o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT), que na eleição estadual concorreu como vice do principal adversário de Tarso, o peemedebista José Fogaça, e o deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB). Mendes, que coordenou a campanha de Fogaça, chegou à plenária após passar a tarde em uma tensa reunião do PMDB gaúcho na qual foi decidido indicar ao diretório do partido proposta de apoio ao adversário da petista, José Serra (PSDB), mas respeitando os que preferirem Dilma. Em seu discurso, lembrou à plateia a importância de que peça votos.

Aplausos

Zambiasi, que durante seu discurso foi aplaudido de pé pelo público, também recheou as falas de críticas aos adversários na eleição presidencial. Ele começou sua manifestação respondendo a uma pergunta que ficou em suspense durante toda a campanha. "Tarso, eu votei em ti", declarou. Em seguida, disse que os adversários "fracassaram com os trabalhadores e aposentados". "Não venham agora prometer o que não vão cumprir".

Ao final da plenaria, questionado sobre o fato de Serra ter visitado o Estado antes de Dilma neste segundo turno e de a mobilização dos serristas estar bem mais organizada do que no primeiro turno da eleição, Tarso resumiu: "Não nos atemoriza". Ele também minimizou a definição majoritária do PMDB em favor de Serra. "Foi boa, porque liberou os que preferem a Dilma". Além dos partidos que já apoiam a petista no Rio Grande do Sul, Tarso segue em busca de dissidentes em siglas que, no Estado, preferem Serra, como é o caso do PP. "Já conversei com o Mano Changes (deputado estadual do PP, vinculado aos eleitores jovens) e antes do final da semana vamos falar novamente".

Após a plenária, o governador eleito seguiu para um breve encontro com lideranças evangélicas em outro andar do prédio. Ainda assim, aos jornalistas Tarso disse considerar "superada" a pauta de temas religiosos na campanha. "Nossa agenda é o que fazer para maior distribuição de renda e ampliação dos projetos sociais do presidente Lula". Nesta sexta (15), a partir das 10h30min, Tarso volta a se encontrar com lideranças religiosas, no Encontro do Conselho de Ensino Religioso do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. No domingo os apoiadores de Dilma pretendem realizar um grande ato no Brique da Redenção, tradicional feira de antiguidades e artesanato da Capital que é também cenário de manifestações artísticas e políticas.

Wednesday, October 13, 2010

MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRÓ DILMA

Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político à eleição de Dilma Roussef. Se você puder aderir agradeceríamos muito: mande sua adesão para emirsader@uol.com.br e ericnepomuceno@uol.com.br .

E, se você também puder, venha participar do ATO POLÍTICO de entrega do manifesto à candidata, no Teatro CASA GRANDE, dia 18 de outubro, às 20 hs. (Rua Afranio de Mello Franco, 290- Leblon- Rio de janeiro)


MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRÓ-DILMA

Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.

Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.

Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.

Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno

IL FASCIO DI JOSÉ SERRA


(Reprodução do blog http://www.tijolaco.com/)


SERRA É O RESPONSÁVEL PELA BAIXARIA

Em qualquer país onde houvesse uma imprensa digna deste nome, o Sr. José Serra estaria, neste momento, sendo publicamente execrado nos jornais, pelo estímulo que empresta, por ação e omissão, a uma campanha de ódios e preconceitos que, de uma maneira inacreditável, está reeditando, 50 anos depois, o clima de estupidez que levou ao golpe de 64.

Porque é ele quem está provocando esta onda de torpeza não apenas ao aceitá-la como estimulá-la.

E pior, o faz de forma covarde, usando pessoas irresponsáveis e dispostas a se expor, para depois seguir pela seara imunda que abriram.

Foi assim com Indio da Costa, que se prestou ao papel de acusar a campanha de Dilma de ligações com o narcotráfico e as ações armadas das FARC. Ele o secundou e está denunciado por isso pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.

Depois, usou ou permitiu o uso de declarações de sua própria esposa de que Dilma “quer matar as criancinhas”.

Terrível que se beneficie disso um homem que, quando Ministro da Saúde, tenha escrito, no jornal O Globo de 15/8 de 1998, um artigo sobre os problemas de gravidez precoce e dos riscos de “milhares de abortos que certamente são praticados para interromper a gravidez indesejada, a maioria das vezes nas mais precárias condições técnicas e de higiene” um texto com o qual, hoje, deveria ser confrontado:

“É obrigação do Ministério de Saúde combater essa absurda realidade, identificando suas diversas causas e propondo à sociedade brasileira sua correção. Se tocar essa ferida, num primeiro instante, causa incompreensões e até manifestações de hostilidade, que se pode fazer? Entre cumprir a obrigação e angariar simpatias, prefiro, sempre vou preferir, a primeira alternativa.”

Não, o Sr. José Serra preferiu mais do que a segunda alternativa. Não apenas faz o que pode para angariar simpatias com o tema, como se presta a promover incompreensões e hostilidade contra sua adversária, justamente uma mulher, mãe e avó.

Infelizmente, nossa imprensa acha tudo isso tolerável. Não houve um artigo de fundo, um editorial, muito menos uma manchete para denunciar uma campanha suja. Pior, além da suja vantagem eleitoral que tira em favor de um candidato, colocam um tema delicado e controverso na base de uma disputa simplória e fanática, com a qual ninguém se esclarecerá.

Ao contrário, exploram diariamente os temas e chegam ao ponto de reproduzir histórias sabidamente mentirosas e que chegam ao nível do desrespeito a qualquer critério ético.

A ínclita vice-procuradora eleitoral, que quis tirar do ar os blogs que criticavam José Serra, todos com autoria devidamente identificada, não moveu uma palha contra dezenas de outros, anônimos, que produzem material sujo para ser distribuído pelas imensas correntes de spam que visam beneficiar o serrismo.

Devemos dizer com todas as letras que isso é uma indignidade e, de imediato, levar o debate para aquele terreno que procuram encobrir com esta cortina de fumaça desumana. Serra usa a perversidade, a religiosidade, o sentimento humano que todos temos de amor à vida e às crianças porque não pode dizer a que vem.

Esta é a verdade que tem de ser proclamada: Serra vem para entregar nossas riquezas, para empacar nosso desenvolvimento, para submeter nosso país a uma volta ao passado que repugna ao povo brasileiro.

E usa a fé como os vendilhões usavam o templo.

Brizola Neto

Friday, October 08, 2010

MAIS CIRO

Wednesday, October 06, 2010

CIRO (2009)

Para o pessoal que é meio esquecido das coisas...


EU E LAU, LAU E EU


Dia desses, comentei um post de minha querida amiga Lau Milesi, do popularíssimo blog RENASCENDO (http://renascendo-lau.blogspot.com).

Acabou que falamos de política.

Hoje, fiz novo comentário.

Talvez fosse bom, intenso, enfático e democrático demais para ficar somente como um comentário, com a humildade leonina que me cabe. Copiei, colei, publiquei. O resultado segue mais abaixo.

OBS: Este é um blog de um simpatizante da causa comunista, politicamente muito ligado a Oscar Niemeyer, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Sérgio Macaco, João Goulart, Neiva Moreira, Fidel Castro e Hugo Chávez. Portanto, se a sua opinião política é extorsiva a qualquer um dos nomes aqui citados, eu a respeito democraticamente mas não me interesso por ela em meu blog.

OBS 2: Quando lerem "Zona Sul carioca", entendam por favor o sentido figurado que também serve para Pinheiros, Savassi e Sunset Strip, por exemplo.

Um abraço a todos, com exceção dos imperialistas.



Minha querida queridona Lau,

Evidentemente, não era meu objetivo quebrar o clima de romance do blog, claro. É que temos falado muito do tema político e talvez eu tenha exagerado.

De toda forma dá o que pensar, não é?

Veja o seguinte: você já reparou no tom professoral, quase "acadêmico" de alguns simpatizantes/ eleitores da causa tucanal?

Eu, sinceramente, não sei medir em até que ponto ingenuidade e arrogância se misturam. Desinformação e prepotência. Preconceito e galhofa. Não sei medir o quanto acham que os outros são burros, que nunca leram livros além dos de auto-ajuda e paulocoelhianos, que nunca pesquisaram; os que acham que basta colocar um sorriso alvar no rosto, um tom debochado e pronto: os outros são desqualificados, não entendem do ramo etc. Bom, esse assunto me interessa muito: com nove anos de idade, eu lia o Pasquim emprestado por meu pai, e isso pode servir de termômetro.

Como eieitor desde 1986 e vivendo numa casa onde se respirou política e se viu o que era a DITADURA NAZISTA de perto, me surpreendo cada vez mais com gente que vota sem conhecer as raízes históricas de seus partidos/ aliados. Ou que finge não conhecer.

Vejamos o hoje simpático movimento denominado "tucano".

Por muitos anos, o PSDB tinha o curioso apelido de "coluna do meio", porque no governo Sarney ora votava com a situação, ora com a oposição; assim foi até 1993, quando deram a guinada rumo ao verdadeiro LIXO que existe na política brasileira hoje denominado DEM - também conhecido com UDN, ARENA, PDS, PFL, fomentador de alguns dos piores brasileiros de todos os tempos como Adhemar de Barros, ACM e Maluf. Quem deu golpe no Brasil e nos custou 50 anos de atraso foi a ARENA. Quem rasgou a constituição e se serviu da corrpução oculta pela ditadura foi a ARENA. Quem esfacelou o serviço público, estraçalhou a opinião pública e bancou seres como Armando Falcão, Roberto Campos e Delfim Netto foi a ARENA. Quem elegeu COLLOR foi a ARENA.

Como questionar a "maior corrupção de todos os tempos" do PT e, ao mesmo tempo, defender o carlismo baiano de ACM e seus asseclas-herdeiros, hoje finalmente derrotados? O outrora malufismo-pittismo (é, Celso Pitta...)?

Como questionar o "aparelhamento da máquina do estado" se comprou votos para a reeleição de um presidente em pleno mandato, rasgando a constituição? (Aliás, comportamento típico da ARENA quando, no governo ditatorial, contribuiu para a morte, o estupro e o desaparecimento de milhares de jovens brasileiros, cujo crime foi lutar pela DEMOCRACIA).

Como modernizar o Brasil entregando patrimônio nacional bilionário nas mãos de meia-dúzia de aves de rapina? Quanto a Vale do Rio Doce não geraria de divisas para o Brasil se não tivesse sido praticamente doada?

Vamos falar da "modernização da telefonia". Oba, temos celular! Só falta lembrar que pagamos a quarta tarifa média MAIS CARA DO MUNDO por este serviço, à custa de contratos abençoados pelo Sr. FHC.

Serei claro: a ARENA hoje é o PSDB, mais do que NUNCA. Basta ver seus aliados, inflados por criaturas exóticas em final de linha como Gabeira e Cesar Epitáfio Maia.

Vamos falar de emprego: 600 mil entre 1994-2002 contra 12 milhões entre 2002-2010.

Vamos falar de MISÉRIA (tema odioso para a "livre iniciativa da ARENA"): é dever do Estado assistir os mais pobres? Evidentemente que sim. 15 milhões de vidas foram salvas com o Bolsa-Família. Quanto custa UMA VIDA HUMANA? Não há como mensurar. Há os falaciosos que apontam o BF como "assistencialismo"; eu pergunto: qual é a noção de ESTADO dessa gente? Acreditam que quem nasceu miserável tem mais é que morrer à míngua, porque eles "pagam seus impostos" (muitas vezes, sonegando...)?

Vamos falar de serviços públicos, açoitados: funcionários públicos com oito anos sem aumento (incentivo para que pedissem exoneração); universidades públicas à mingua, com professores morrendo e sem substituição ou concurso.

Não estou aqui para ser senhor da verdade; pobre do humano que o queira ser. Apenas falei de FATOS amplamente conhecidos por quem lê livros e jornais - estes, inclusive, os de clara bandeira neolibera. Contra FATOS não cabem argumentos, falácias ou prosas lançadas ao vento - modéstia à parte, de prosa eu entendo. Vivemos numa democracia: o voto é livre, até mesmo para beócios que comemoram a eleição de seus achacadores. O cara que vota no salário mínimo de seiscentos reais para que o governante simplesmente FECHE A TORNEIRA DE EMPREGO. De toda forma é democrático. Eu não sou da ARENA. os simpatizantes da ARENA é que gostam de fechar congresso, prender inocentes, estuprar. Minha formãção é outra. Falando em ARENA e dos simpatizantes da tucanalha, não é incrível que o PP tenha eleito Jair Bolsonaro (que, em qualquer democracia do ocidente estaria atrás das grades) com mais de 100 mil votos? Pois é, é democrático afirmar que temos 100 mil BESTAS que votam num sujeito que defende TORTURA, DITADURA E FECHAMENTO DO CONGRESSO. Paradoxal, não? Para não dizer ridículo.

Bom, poderia falar N coisas aqui, mas não vou alugar vc e nem ocupar muito espaço. O resto a gente conversa pessoalmente/ telefonicamente (com a tarifa das mais caras do mundo), que é sempre um prazer enorme.

Ufa! Falei demais! So sorry!

Quero te parabenizar pelas manifestações sempre elegantes aqui no blog; não à toa, aí estão suas centenas de fãs.

E também te parabenizar pelo trabalho de "camareira virtual", ao carregar N MALAS no cyberespaço, ahahahahahahahahahahaha!

Em tempo: recomendo a todos os que defendem o neoliberalismo a deixarem alguns minutos de falácia mofada de lado e, se realmente tiverem o objetivo de votar e discutir política visando o BEM COMUM, para que peguem seus carros ou mesmo o Metrô e saiam da Zona Sul carioca para dar uma volta nos bairros da Linha 2. Muitos falam tanto de Brasil e mal conhecem a cidade... Seria importante que vissem o "dark side" do neoliberalismo que Lula não conseguiu mudar, por mais que se esforçasse: muito crack, ausência de Estado, meninas se prostituindo com 10 anos de idade, meninos de 10 anos estuprando e atirando a esmo. Não é fácil derrotar a "livre iniciativa" de FHC e sua laia, mas nós chegaremos lá um dia. Estaremos livres de "gente" que acha que favelado e morador de rua tem que morrer, que é preciso pena de morte em vez de educação preventiva, que usa até religião para justificar a abissal desigualdade social que ainda persiste no Brasil - colocando em Deus a cula pelo próprio egoísmo e falta de visão coletiva.

O beijo de sempre!!!!!!!!!!!

E que as alças estejam ao menos inteiras para se poder carregar, ahahahaha.

PS: eu também sou mala? Me digaaaaaaa.

BEIJOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Tuesday, October 05, 2010

O FASCISMO DA MÍDIA CONTRA O PT


(Fonte: Reprodução do Blog do Miro)


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ELEIÇÕES - Mídia tenta ofuscar favoritismo de Dilma.

Por Altamiro Borges

Âncoras e colunistas da mídia demotucana atingiram o orgasmo múltiplo nas últimas horas. Na televisão, por exemplo, é visível a alegria de Boris Casoy, Carlos Nascimento, Willian Bonner, Merval Pereira e Cristiana Lôbo, entre outros, com a realização do segundo turno das eleições presidenciais. Os espaços concedidos a José Serra, que obteve 32,61% dos votos (33.132.174), e a Marina Silva, que colheu 19,33% (19.636.337), são bem maiores e vistosos do que os cedidos a Dilma Rousseff, que quase venceu o pleito no primeiro turno – 46,91% dos votos (47.651.280).

As edições dos telejornais apresentam os derrotados como vitoriosos – festa dos tucanos em São Paulo e imagens angelicais da candidata verde – e mostram a candidata vitoriosa abatida, como se fosse a grande derrotada. O objetivo desta manipulação grotesca é animar a oposição de direita e desarmar os setores que apostam na continuidade da mudança. O esforço unificado da mídia é para tentar ofuscar o favoritismo de Dilma Rousseff no segundo turno. Ela tenta vender a idéia que será uma nova eleição, como se a realizada neste domingo não tivesse qualquer importância.


Moto-Serra e os votos verdes

De concreto, a oposição demotucana foi derrotada nas urnas. No início da campanha eleitoral, José Serra aparecia como franco favorito – com quase o dobro da intenção de voto da ex-ministra do governo Lula. Antes mesmo do horário eleitoral, ele perdeu milhões de votos e passou para a segundo colocação. A possibilidade de vitória no primeiro turno de Dilma Rousseff, que nunca disputou um pleito e era pouco conhecida da sociedade, era real. Ela só se inviabilizou na reta final graças ao fenômeno da chamada “onda verde”, em boa parte criada pela própria mídia.

Numa análise fria, sem a partidarização apaixonada da mídia demotucana, Dilma Rousseff é a franca favorita para vencer as eleições em 31 de outubro. Ela conseguiu colocar mais de 14,5 milhões de votos a frente de Serra. Dos 19,6 milhões de votos dados pelo eleitor seduzido pela verde Marina, ela precisa colher cerca de 4 milhões para ser eleita a primeira mulher presidente do Brasil. Nem o maior torcedor do tucanato, convertido recentemente ao eco-capitalismo, avalia que Serra conseguirá abocanhar aproximadamente 15 milhões de votos da candidata verde.


Derrota do bloco liberal-conservador

Os colunistas da mídia demotucana destacam apenas os fatores favoráveis a Serra. Dizem que agora Aécio Neves, que manteve com folga o governo de Minas Gerais, estará livre para fazer campanha. Mas ele nunca esteve preso. Se não abraçou na campanha do concorrente paulista foi por outros motivos. Afirmam ainda que Geraldo Alckmin, novamente eleito ao governo paulista, será um importante reforço para sua campanha – mas é bom não esquecer a traição que o mesmo sofreu na eleição para a prefeitura da capital paulista. A vingança pode ser maligna!

Já no caso de Dilma Rousseff, os colunistas da mídia direitista preferem ocultar seu favoritismo. Na primeira eleição em que disputou, ela teve o mesmo percentual de votos de Lula no primeiro turno de 2002 – após três tentativas castradas de chegar à presidência e uma sólida projeção nas lutas sindicais. Além disso, ela contará agora com vários governadores, senadores e deputados eleitos – a vitória do seu campo político nos pleitos estaduais foi acachapante. A correlação de forças se alterou nesta eleição, com a derrota do bloco neoliberal-conservador.

Em síntese, o favoritismo de Dilma Rousseff para o segundo turno é visível – só mesmo a mídia demotucana tenta ofuscá-lo com seus padrões de manipulação. Mas o favoritismo, por si só, não garante a vitória. O segundo turno exigirá muita energia.

Será uma guerra sangrenta!

Monday, October 04, 2010

REVERTERE AD LOCUM TUUM

Cesar Maia

Arthur Virgilio

Tasso Jereissati

Paulo ACM Souto

Yeda Crusius

Marco Maciel

Jarbas Vasconcellos

Fernando Gabeira

Efraim Moraes

Mão Santa

Heráclito Fortes



PS: Os féretros de Serra e FHC ficam para novembro.



Thursday, September 30, 2010

MINHA SINCERA HOMENAGEM A ZÉ DERROTADO SERRA




Adeus, UDN.


Adeus, Arena.

Adeus, neodemocratas e neoliberais.

Até o velório de domingo.


Acreditar

Dona Ivone Lara
Composição: Yvonne Lara e Delcio Carvalho


Acreditar, eu não
Recomeçar, jamais
A vida foi em frente
E você simplesmente não viu que ficou pra trás

Não sei se você me enganou
Pois quando você tropeçou
Não viu o tempo que passou
Não viu que ele me carregava
E a saudade lhe entregava
O aval da imensa dor

E eu que agora moro nos braços da paz
Ignoro o passado
Que hoje você me traz
E eu que agora moro nos braços da paz
Ignoro o passado
Que hoje você me traz


Wednesday, September 29, 2010

ELES "PODEM" MAIS, NA CARA-DE-PAU...














(Clique na imagem para uma melhor performance literal)

Para começar o dia, nada melhor do que dois emocionantes flashbacks envolvendo o cearense porreta que mandou e desmandou no Brasil durante os tempos do frango a um real: Eduardo Jorge Caldas Pereira, o Eduardo Jorge, braço-direito de FHC e, coincidentemente, um dos "injustiçados" pela Receita Federal no "escândalo" armado por Zé do Caixão Serra.

Denúncias de "O Globo" e da "Falha de Sp"?

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Divirtam-se.

http://tools.folha.com.br/print?url=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Ffolha%2Fbrasil%2Fult96u2998.shtml&site=emcimadahora

16/07/2000 - 09h28

Crise tira Eduardo Jorge dos bastidores

MARTA SALOMON e FERNANDO RODRIGUES
DA Sucursal de Brasília

Horas antes de pegar um avião e tentar ganhar distância do centro da crise que leva seu nome, o ex-ministro Eduardo Jorge Caldas Pereira não escondia o desconforto com tamanha exposição de um personagem que fez de tudo para viver na sombra.

Com um rápido comentário, ele tentou explicar esse desconforto, dividido nos últimos dez dias com o presidente Fernando Henrique Cardoso: "As entranhas do poder nunca são bonitas quando expostas".

E, de entranhas do poder, Eduardo Jorge entende como poucos. Resultado de 17 anos de convivência contínua e muito próxima com FHC, desde que a história do economista cearense de Baturité cruzou com a do sociólogo recém-chegado ao Senado. E principalmente da confiança "absoluta" que o presidente deposita ou pelo menos depositava nele até recentemente.

De sombra, Eduardo Jorge sempre gostou. Tudo menos um holofote, era seu lema. "Eu não existo, eu não falo, não dou declarações", costumava repetir nos tempos em que desfrutou, mais do que ninguém no governo, da proximidade com o presidente.

No terceiro andar do Palácio do Planalto, a cadeira do ex-secretário-geral ficava a poucos passos da cadeira do chefe.

Havia uma passagem direta entre os gabinetes de ambos, enquanto o ""segundo" de Fernando Henrique, Clóvis Carvalho (Casa Civil), tinha de descer um andar quando queria falar pessoalmente com um dos dois.

Dali, o acesso ao centro do poder não era apenas fácil. Com autorização do chefe, Eduardo Jorge construiu uma rede de informações que lhe daria acesso ilimitado a todos os assuntos importantes em discussão na República. De política a negócios.

Hoje, nenhum ministro desempenha mais tantas funções como Eduardo Jorge no governo. Seu antigo gabinete foi reformado, virou uma sala de reuniões.


Arquivo ambulante

O que ele sabe daria um livro? Daria, disse Eduardo Jorge mais de uma vez. Mas ele nunca pensou em escrevê-lo, pelo menos enquanto guardava a perspectiva de manter-se próximo do poder por muito tempo ainda.

Não é de hoje que Eduardo Jorge acredita que detalhes do funcionamento do poder devem ser guardados em segredo.

Eduardo Jorge poderia descrever com minúcias desde a formulação do Plano Real, que acompanhou como assessor do Ministério da Fazenda, até os bastidores da campanha de reeleição de FHC, cujo comitê comandou depois de deixar oficialmente o governo, em abril de 1998.

Seus arquivos guardam detalhes de negociações da Constituinte de 1988 que jamais foram tornados públicos.

No governo, ele continuou acompanhando de perto as negociações e os jogos de interesses de emendas constitucionais, medidas provisórias, projetos de lei. Gerenciava a pauta política de Brasília.

Mas o que definitivamente marcou a passagem de Eduardo Jorge pelo poder e o tornou um homem poderoso foi uma tarefa que FHC lhe delegou no Planalto desde 1995.

Coube ao então secretário-geral da Presidência o controle das nomeações de cargos no governo e a administração dos pedidos de políticos.

Ainda hoje, ele sabe quem tem o quê no governo, quem manda onde, como pensa a maioria dos ocupantes de postos federais.

Apesar do comportamento fechado, quase antipático na visão de alguns políticos, Eduardo Jorge não desempenhava a tarefa como burocrata enfastiado com o avanço da fisiologia, mas como estrategista político. Ele imaginava dar as cartas num jogo pesado de interesses, sempre em nome de um interesse maior do chefe.

Por trás do preenchimento de postos de direção nos fundos de pensão, por exemplo, ele tinha consciência de que havia jogadas de bilhões em investimentos.


Telefone criptografado

Com os instrumentos que a tarefa lhe dava para investigar a vida de candidatos aos cargos, Eduardo Jorge passou a acumular muita informação. Informação e poder. Falar com ele era como falar com o presidente da República, que não hesitava em lhe delegar tarefas.

Eduardo Jorge gostava de investigar e cuidava da privacidade. Cercava-se de cuidados. Picotador de papel e telefone criptografado impediam o vazamento de informações.

FHC o tinha como funcionário público exemplar, fidelíssimo, e se divertia com o apelido de ""Homem-Interpol" do assessor no Planalto. Eduardo Jorge correspondia às demonstrações de prestígio crescente se dirigindo de maneira formal ao chefe, primeiro chamado de senador, depois de ministro e, desde 1995, de presidente.

A confiança não foi abalada nem mesmo quando o nome de Eduardo Jorge apareceu envolvido com a interferência prévia da construtora Norberto Odebrecht na edição de uma medida provisória de seu interesse, com o vazamento de uma lista de parlamentares devedores do Banco do Brasil que resistiam à proposta de reeleição, ou com a disputa pelo controle do fundo de pensão Real Grandeza, da estatal Furnas.


Sinais

Teoricamente, Eduardo Jorge só fazia o que o chefe mandava. Os primeiros sinais de que Eduardo Jorge poderia agir independentemente apareceram na política brasiliense.

Do Planalto, Eduardo Jorge fazia carga há tempos contra o governador petista Cristovam Buarque. A amizade com o senador cassado Luiz Estevão ganhava ares de uma aliança política. Decidido a barrar a reeleição de Buarque em 1998, Eduardo Jorge convenceu FHC a apoiar publicamente a candidatura de Joaquim Roriz, companheiro de chapa de Estevão.

Pelo menos dessa vez, FHC fez o que o assessor queria. Mas não reclamou. Foi alertado por Cristovam Buarque para os perigos que a proximidade entre Eduardo Jorge e Estevão poderia representar. O presidente desconsiderou o conselho e renovou a confiança no assessor.

Enquanto seguia as ponderações de um auto-intitulado gerenciador de crises, contratado depois de seu nome aparecer como destinatário de telefonemas do juiz Nicolau do Santos Neto -ex-presidente do TRT de São Paulo, hoje foragido-, Eduardo Jorge evitou pôr as mãos no fogo por Luiz Estevão publicamente.

Mas perdeu de vez o sossego quando manifestou preocupação com a cassação do amigo Luiz Estevão, há pouco mais de duas semanas. Naqueles dias, o homem conhecido por não honrar amizades já começava a espalhar que não arderia sozinho na fogueira pelo desvio de R$ 169 milhões da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo.

FHC já não põe mais a mão no fogo pelo assessor.

Tuesday, September 28, 2010

COM "PESAR".... AHAHAHAHAHAHAHA!

Clique na imagem e veja "mais", possa "mais"!

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!

Monday, September 27, 2010

O TRISTE FIM DAS VIÚVAS DA DITADURA...


I

Carta eletrônica endereçada ao Deputado Brizola Neto, em seu blog "Tijolaço",
http://www.tijolaco.com/


27 de September de 2010 at 11:43

Caro Deputado Brizola Neto,

Tão certa quanto é a avassaladora quantidade de votos que o senhor receberá no próximo domingo é, inquestionavelmente, a data do maior velório eleitoral da história da República, engasgado desde 1964.

Eleger Dilma é muito mais do “apenas” garantir a sólida continuidade do Governo Lula e suas inúmeras conquistas sociais. É dar um NÃO definitivo aos traidores da pátria que, a partir do golpe, dizendo-se “progressistas” ou de “esquerda”, sempre tomaram atitudes contrárias ao senso comum do bem-estar da coletividade. Domingo que vem é o dia de começarmos um novo Brasil, sem qualquer expectativa de poder dessa gente que não tem apreço pelos pobres, pelos necessitados, pela maioria do povo; gente que não hesitou em vender sua alma pelo “progresso” do Estado Mínimo; gente que acha normal as pessoas passarem fome e morrerem à míngua em barracos, palafitas e calçadas com creolina. Gente que achou “normal” esquecer dos terríveis anos da titadura, quando um Estado em exceção promoveu o assassínio de milhares de jovens e trabalhores que só queriam o restabelecimento do Estado democrático de direito. Gente que chamou aposentados de vagabundos e que promoveu dentro do próprio governo uma dos maiores arroubos republicanos: a reeleição de um presidente com a mudança das regras eleitorais em pleno mandato, “digna” das piores ditaduras.

É o fim definitivo de uma era de “progressos” à custa da dilapidação do patrimônio público, de entreguismos, de subserviência aos especuladores, de prioridade do capital volátil em detrimento do emprego, de falácias mofadas e carência de resultados.

É o fim de um grupo que não deixará a menor saudade. O velório coletivo de uma prática política que faleceu diante de seu merecido ocaso. As pessoas estão cansadas dessa mentira de que, para progredir, é preciso destruir, entregar e desfazer.

É o fim de uma ideia que supôs poder mais: mais privatização, mais lucros para 0,000001% da população, mais empáfia, mais pose. Tudo para menos Brasil. Tiveram seu tempo. Queriam mais. Fracassaram.

Não há mais tempo. Resta somente uma semana de vida política para este pensamento que, por muitos anos, se alojou na vida brasileira feito um tumor, agora definitivamente em vias de extirpação.

O novo Brasil que surge no horizonte é o do trabalho, da educação e do rumo inevitável para a diminuição do abismo social que ainda vivemos. Não há como frear esse processo.

Brasileiros de bem que entregaram suas próprias vidas em defesa de um país democrático e justo serão mais do que bem-honrados. Brasileiros que lutaram uma vida inteira por um país diferente, um país para todos e não somente para os Brooklins e Leblons, serão mais do que bem-honrados.

Não há mais espaço para um Brasil tirano e mesquinho. Com os oito anos de luta recente e mais os anos que vêm à frente, finalmente chegaremos ao Brasil que 1964 nos reservava – e foi covardemente trucidado pelos interesses mesquinhos financiados com capital transnacional. Lamento apenas por meus pais e meu tio, que mereciam ver em vida essa vitória colossal que tanto esperavam. Estejam onde estiverem, de alguma maneira verão.

Parabéns pelo novo mandato que se avizinha.

Não temos tempo a perder.

Um grande abraço,


Paulo-Roberto Andel

BRIZOLA VIVE!



II

Reprodução do blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim


O Conversa Afiada tem o prazer de publicar artigo do deputado Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, sobre a democracia no regime do Farol de Alexandria.

Ferro foi quem cunhou a expressão PiG (*), a propósito de um artigo despropositado do Ali Kamel.


Onde estavam os supostos democratas na era FHC?

À medida que as possibilidades de vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno se tornam mais reais, a sensibilidade às “ameaças à democracia” fica crescentemente aguçada. E distorcida. No caso do Brasil de hoje, as ameaças, segundo grupos da oposição, provêm, paradoxalmente, do próprio voto popular.

Essa parece ser a tese dos chamados “formadores de opinião” que querem mobilizar o País em “defesa da democracia”. Inspirados por um neoudenismo opaco e alimentados por um mal disfarçado ressentimento político, esses autodenominados “democratas convictos” insurgem-se, agora, contra a “visão regressiva do processo político”, que transforma o “Legislativo em extensão do Executivo” e “viola a Constituição e as leis”. Temem, acima de tudo, que Lula não apenas consiga eleger a sua sucessora, mas também que a situação obtenha votos suficientes para fazer uma folgada maioria no Congresso. Tal perspectiva, se concretizada, abriria, segundo esses “democratas convictos”, o caminho para o “autoritarismo” baseado no “partido único” (qual deles?) e na definitiva “fragilização da oposição”.

Como parlamentar que viveu a experiência dos 8 anos de FHC na oposição, e hoje no governo, posso avaliar o comportamento dos atuais oposicionistas, cuja dificuldade de atuar fica evidente na tentativa de golpear de forma baixa o Governo Lula, e de, ao melhor estilo lacerdista, mas sem a mesma competência e brilho, ganhar o jogo a qualquer custo, tentando impedir a continuidade desse projeto, agora sob comando de Dilma Roussef.

Tal preocupação é deveras tocante é têm sólidas raízes na história recente do Brasil. De fato, na época do regime militar, havia também muitos “democratas convictos” que se insurgiam contra a perspectiva do destino do País ser entregue ao arbítrio das massas populares “que não sabiam votar” e que se constituíam em apenas “massa de manobra para interesses populistas”.

Posteriormente, já no regime democrático, houve casos em que o voto popular conduziu a situações em que as oposições se viram extremamente fragilizadas e o governo pode promover, a seu bel-prazer, profundas reformas constitucionais e legais, transformando o “Legislativo em mera extensão do Executivo”. Esse foi o caso, por exemplo, do governo Fernando Henrique Cardoso.

Com efeito, turbinado pelo Plano Real, que produziu efeitos distribuidores de renda no curto prazo e promoveu o chamado “populismo cambial”, o governo FHC conseguiu formar uma maioria parlamentar e política que faria corar o democrata mais convicto. Na Câmara dos Deputados, o que os atuais “defensores da democracia” chamam de “partido único” tinha apenas 49 parlamentares e a oposição como um todo reunia pouco mais que uma centena de deputados. Assim, o governo FHC tinha à disposição uma maioria acachapante de quase 400 parlamentares. No Senado, a situação era pior (ou melhor, para os “democratas convictos”), o PT tinha cinco senadores e a oposição como um todo menos do que 20.

Tal maioria permitiu que, do alto da presidência da Câmara, o deputado Luiz Eduardo Magalhães operasse, alegre e profusamente, o seu famoso “rolo compressor” para aprovar reformas constitucionais e legais bastante abrangentes, sempre a serviço “dos interesses maiores do País”, é claro, como a abertura, sem critérios, das portas da economia brasileira ao capital estrangeiro, e a antinacional privatização do patrimônio público, com regras benevolentes e muitas vezes com ajuda do BNDES. E as medidas provisórias, que naquela época podiam ser reeditadas, foram usadas com proverbial prodigalidade. Obviamente, tudo isso era obedientemente ratificado pelo Senado, sem nenhum questionamento expressivo. Já ao final do primeiro governo FHC, tal maioria inconteste permitiu, inclusive, que se aprovasse a emenda constitucional da reeleição, com os aplausos entusiásticos dos que hoje se dizem “democratas convictos”, que não levantaram suas vozes contra a denúncia de compra de votos para aprovar a medida que beneficiou o sociólogo tucano e sua turma.

É de conhecimento até do reino mineral que, comparado com aquele governo, o governo Lula teve e tem uma situação politicamente bem mais difícil, especialmente no Senado. Apesar disso, o nosso governo investiu bastante no aprimoramento das instituições republicanas e na articulação entre o Estado e os movimentos sociais, com o aprofundamento da democracia. Fizemos conferências setoriais, envolvendo, entre outras áreas, saúde, educação, segurança pública, e ainda criamos o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, com a participação de empresários e trabalhadores, para a definição de importantes políticas públicas. Ao mesmo tempo, as liberdades fundamentais, como a liberdade de expressão, foram inteiramente protegidas e promovidas. Essas iniciativas, a adoção de mais transparência e o fortalecimento das instituições de controle, como a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, “seriam ameaças à democracia”, na leitura desses “democratas”.

Saliente-se que a extrema fragilidade da oposição da época de FHC tinha dois sérios agravantes. Em primeiro lugar, vivíamos a hegemonia inconteste do paradigma neoliberal, do pensamento único. Assim, os parcos e débeis protestos da oposição eram sempre rapidamente desclassificados como manifestações “jurássicas” e “neobobas”. Em segundo, a grande mídia, hoje confessadamente um partido de oposição, era, naquela época, um dedicado partido da situação cujo alinhamento aos desígnios governamentais só pode ser definido, a posteriori, como espartano. Curiosa essa queixa da imprensa de hoje, que viveu, com honrosas exceções, sob o manto monolítico do pensamento único neoliberal defendido pelo PDSB e PFL (atual DEM) e agora vem dizer que é ameaçada pelo governo do PT. O PIG virou um verdadeiro PRI: não quer mudanças e julga ter todo o poder para não dar satisfações a ninguém.

Tudo isso é plenamente conhecido por quem tem um pouco de memória histórica. Contudo, há um mistério que permanece insolúvel. Onde estavam os “democratas convictos” naquela conjuntura de intensa “ameaça à democracia”, segundo seus próprios critérios? Por que aplaudiram as fáceis eleições de FHC em primeiro turno e agora dizem que a eventual eleição de Dilma na primeira rodada seria um “desastre para a democracia”? Por que não consideravam a amplíssima maioria política e parlamentar que FHC dispunha no Congresso como um limitador ao exercício da democracia? Por que não se preocuparam com o isolamento e a debilidade da oposição daquele período? Por que não se insurgiram contra a inoperância do “engavetador geral da República”? Por que aplaudiram e ajudaram a promover a criminalização dos movimentos sociais? Por que o pensamento único não foi contestado?

É difícil saber onde estavam os que hoje se dizem “democratas”. Talvez a principal pista nos seja revelada por Dante. É provável que eles estivessem na sexta vala do “Malebolge”, exibindo as suas incômodas vestes de chumbo. Hoje, sem dúvida, estão sintonizados com seus patrões donos das concessões de emissoras e outros meios de comunicação, e claramente comprometidos com uma visão política pequena e distorcida de oposição ao Governo Lula.

De qualquer modo, sua alegre e livre emergência, agora exibindo plumagem específica, talvez se constitua na principal evidência do caráter democrático do Brasil, sob o Governo Lula.

Fernando Ferro é deputado federal (PT-PE), líder do partido na Câmara Federal.


III

"Só quero saber do que pode dar certo/ Não tenho tempo a perder"


Torquato Neto

Thursday, September 23, 2010

EX-TOU














paulobertand230910

Tuesday, September 21, 2010

PEQUENAS CANÇÕES DE LASCÍVIA E AFETO




















I

Grupo de homens em mesa de bar vira sempre convescote de meninos, com o melhor que se possa interpretar desta sentença. E o tempo? Homens de hoje, separados pelo tempo, pelos compromissos inevitáveis, pelo ir e vir que a vida moderna parece exigir. Você dá uma piscada de olhos, passa um ano. Dois espirros, cinco anos. A vida é mais breve do que qualquer poema já soube descrever. Por isso, o convescote vira celebração, mesmo efêmera. O que vale da vida é celebrar, ter o que comemorar, entre engarrafamentos, assassinatos, dar-de-ombros à dor alheia, jornais sem texto, música sem harmonia.

Vejo um bar de Botafogo como epicentro da reunião de velhos camaradas, que parecem companheiros de escola, tentando reviver bons e velhos tempos numa hora e meia. Tudo cronometradamente ali, naquela quadra sharonstoniana que avizinha o Estação e seus filmes heróicos, hoje infelizmente degustados por uma meia-dúzia. Muito tempo antes, era um cine pornô: as pessoas gostavam. Agora tem filmes de arte, meia-dúzia aplaude, alguns saem ser compreender o final das histórias. As pessoas gostam, eu gosto. Algumas. Sharon Stone está à solta no visual das garotas moderninhas com visual moderninho e, sem certeza, algo a dizer. Ou apenas o silêncio. Ou o arrebatador desconforto do nada.

Vejo os velhos camaradas naquele espiar de relógios para ver quem mais chegaria ao convescote. Bebericar, falar da vida, dos amores, das perdas. Pequenos acontecimentos do cotidiano que presenciaram e foram suficientes para, de alguma forma, garantir boas risadas rumo à posteridade. A ausência do amigo chato, mas divertido. Mais chato do que divertido, ressalte-se. Justiça é sempre desejável. Meu ouvido é um repórter investigativo. Comentar os tempos modernos, as maravilhosas invenções do homem, a grande tecnologia, a Internet, diferenças gritantes quando comparados os tempos de escola com os de sapato e gravata. E como era antigamente? Tudo era futuro, claro. O amanhã era a prioridade. Hoje, depois dos trinta e muito, dos quarenta e pouco, talvez exista a consciência de certa finitude do ser humano: não somos eternos como gostaríamos; melhor assim. Um deles questiona o formato de Deus; outro diz não se preocupar com isso. Alguém lembra que é possível, mas exatamente como? Se pudesse, daria meu palpite, recheado de desimportâncias. Importante é saber que estão a trocar prosas e prosas e pequenas prosas, assuntos variados que me remetem a pequenas canções de lascívia e afeto. Bob Dylan, talvez. Paul Mc Cartney. Papa Wemba. Outros discos. Nem tudo me soa a antigamente, exceto quando um deles, calvo, desconfia que o camarada ao lado pinte o cabelo para não aparentar grisalhos. Um dia, serei assim.

Parecem cavaleiros numa original távola redonda. Perto deles, noutra mesa, duas jovens mulheres. Uma, bonita. A outra, capaz de causar taquicardia ao primeiro olhar, na melhor acepção possível. Vocês vão entender.


II

Ao telefone, um elemento raro ao grupo finalmente sinaliza: chegará à mesa dentro de alguns instantes. Será breve: cuidar da filha é preciso. O tempo de algumas boas frases e um abraço na turba. Deu tempo para que eu percebesse ser ele um fã de Charles Bukowski, o que parece algo bastante animador, se é que me entendem.

Um deles, do grupo, parece metido com artes, coisa típica dos botequeiros da região. Fala de cinema. Meus ouvidos intrometidos notam sua rejeição ao músico de uma banda e, conseqüentemente, uma ode a outro músico. Tem o nariz adunco do Oriente. Eu diria que se trata de um Woody Allen à espreita de acontecimentos no bairro boêmio. A seu lado, outro jovem senhor, bem mais jovem do que sua eventual carteira de identidade possa apontar, muito parecido com um destes políticos da televisão, assiste a tudo e fala pausadamente. No meio do caminho, diz-se que João Barone, o grande baterista brasileiro, é fã declarado de Ringo Starr e isso poderia parecer um contra-senso, mas não é. Cada um idolatra quem quiser. Neste momento, eles denunciam que são jovens, mas de outro tempo: hoje em dia fala-se menos de Beatles e mais de Fresno, Restart, NX Zero. O rock errou? De longe, penso nos meus discos de jazz cubano e nos que comprei ontem: Strontium 90, a gênese do Police; o quarteto de cordas da UFRJ e a banda-de-um-homem-só: The The. Falei grego?

O homem do telefone chega. Todos se levantam, feito um tributo. Traz a pequena filha à mão. Risos explodem no bar. Coisas de velhos camaradas, creio: ficam dez, quinze ou vinte anos sem dividir um bate-papo mas, quando se encontram, é como se nada tivesse mudado. Chega, ri, cumprimenta a todos, percebe que o tempo é escasso – aí sim, um até-breve como aqueles de antigamente. Noto que ficam de marcar um novo chope, com mais tempo e comodidade. Ele sorri e se despede. Há um sentido da vida neste pequeno ritual.

Na mesa das duas jovens, a mais linda abusa de poses na cadeira-sofá. É senhora e consciente de sua colossal beleza alourada, com cabelos curtos, estatura de um metro e sessenta e coxas roliças, provocativas, instigantes, acolhidas por um vestido três dedos acima da marca regulamentar, cruzadas de forma intermitente. Por vezes, ri; noutras, dispõe de um ar blasé, quase entediado, como se nada lhe interessasse ao seu redor. Eu reparo que ela fita a mesa dos cavaleiros, mas com a maior das discrições – desnecessário dizer que a recíproca é verdadeira, entre espiadas e torcicolos. É linda, sabe ser linda e alva como a lua cheia que inunda a noite.


III

Deus existe, pode existir, algo existe. A mesa não chega a um consenso. Alguém fala de “another brick in the wall”; outro lembra que é a maior junção de baixo e guitarra da história do rock. O grupo está dividido quanto às eleições da próxima quinzena, mesmo que o jogo já esteja decidido, com as devidas cartas batidas à mesa. A divergência é a verdadeira reunião.

Um menininho negro, ao lado da irmã pequena ou parente, pede trocados e os ganha. Gosto de ver aquela pequena solidariedade, mesmo que ela seja um paliativo por minutos. Para quem precisa e espera, uma hora é a eternidade. Nos meus tempos de criança, os menininhos negros também pediam esmolas. Quem considera isso aceitável e normal não é digno da minha compaixão. Duro ver o mundo em suas expressões mais evidentes; daí, minha admiração pelos bravos ex-rapazes que se confortam com lembranças, risadas, opiniões e alguns chopes pela noite desta segunda-feira - eis aqui um outro dos poucos sentidos da vida.

Alguém telefona e tudo indica que é justificativa de alguém por não ter ido ao encontro. É normal: não se pode ganhar todas. Grupo de sujeitos em mesa de bar é assim: chamam dez, vêm cinco. E basta. Mesas muito grandes e muito cheias não comportam conversas coletivas, o que me parece frustrante.

O bar não está cheio. Se fosse o caso, duvido que qualquer homem heteroafetivo ali presente não tecesse loas à continental beleza da jovem de cabelos curtos e alourados, pernas alucinantes e um vestido curto que abastece desejos quase extraterrestres. Ela, pela terceira ou quarta vez, se levanta para ir ao toalete. Não resisto: quero vê-la de perto. Se meus cálculos forem bons, sairemos cada um de seus banheiros ao mesmo tempo, serie gentil ao deixá-la usar a pia unissex primeiro e, com isso, assegurarei meu direito de ver aquela estátua de carne terna bem de perto, por trás.

Confesso que meu diploma se fez bastante útil, ainda que somente por um fetiche masculino bobo, já que nada acontecerá além daquela admiração momentânea. Ou aconteceu, ou aconteceria. Compreendo que beijá-la integralmente, de cima a baixo, pode ser o paraíso... inatingível.


IV

Conta fechada e paga, todos com seus possantes cartões de crédito e débito, ainda gastam um tempo pós-bebedeira para trocarem mais prosas.

Subitamente, um furacão chamado mulher passa em definitivo pela mesa, trazendo inspirações e deixando saudade. A loura linda, provocante e visualmente saborosa vai embora, junto com a amiga que não é de se desperdiçar, mas infelizmente desaparece do cenário diante do monumento ao lado.

Um silêncio de morte. A beleza cerrou portas, mas a vida continua.

Velhos camaradas se abraçam. É hora da despedida. Hora de volta à realidade, até um novo encontro, novos chopes e, quem sabe, uma outra mulher linda a servir de colírio para o ambiente.

Seguem juntos até a direção da estação do Metrô, quando os perco de vista. Do jeito que pareciam à mesa, não duvidarei se um deles quase arrastar o outro trem afora para navegarem pela noite subterrânea do Rio de Janeiro, somente pelo prazer da companhia e nada mais.

Antes da última visada, percebo que quase todos carregam mochilas. Ao longe, me lembram uma turma de faculdade que muito curti, noutros Brasis atrás. E isso é bom.



V

Meia-noite já era. Ninguém me ligou.

A sala está vazia, exceto pela minha presença e pelo som do Strontium 90 no aparelho, mostrando o que o Police viria a ser um dia: espetáculo.

Leio um caderno cultural de algum jornal paulista.

Um escritor escolhe suas dez canções preferidas e fala do Pink Floyd como “a maior banda de todo o rock”. Tem propriedade.

A lua cheia da Cruz Vermelha é a mesma de Botafogo: ansiosa, exuberante, expressiva.

Cogito rever a beleza daquela linda mulher no bar. Uma rainha frente a seu império. Um boteco de Botafogo, mas imperial da mesma forma.

Uma frase em inglês me vem à cabeça: “There’s no more bricks in the wall”.

Quero fazer sentido. Em um outubro qualquer.



Paulo-Roberto Andel, 21/09/2010

Friday, September 17, 2010

ADORMEÇO CONCRETO


Paulo-Roberto Andel, 17/09/2010

Friday, September 10, 2010

NOTURNO

quando anoiteço
não me
mas ti go
nem
des aconteço;
o negrume da noite
alimenta os sonhos
os sexos
a fantasia
e nenhum açoite:
eu passo ao largo
um estranho viajante
que sorri
sem celebrar
a boa madrugada
porque prefere recitar
bom-dia!
nem que seja
por um instante
alguém discursa ao telefone
alguém cobiça o sono
dos justos:
meu bate-ponto
é na cabeça
na calçada de idéias
no ir e vir da palavra viva
e tudo me soa
sem qualquer susto
sem juros –
o que não quer
dizer
alforria


Paulo-Roberto Andel, 10/09/2010

Friday, September 03, 2010

ALGUÉM SABE DIZER...





















(clique na imagem para ampliá-la)

... o que significa isso?

Bom, então uma linda amizade entre parentes dos Srs. JOSÉ SERRA e DANIEL DANTAS?

É isso?

Infelizmente, quem vota no PSDB em nome da "ética" e da "moral" - e não da "plataforma política" - acaba sendo reduzido a uma expressão vulgar.

Otário.


Paulo-Roberto Andel

Thursday, September 02, 2010

FORA, GOLPISTAS! CADEIA NELES!

Clique na imagem para ampliá-la.



OS HORIZONTES DA ESPERANÇA


Os horizontes da esperança

02/09/2010 - 08:18

Por Mauro Santayana - Jornal do Brasil


Quando os homens se tornaram eretos, a visão dos horizontes os impeliu a caminharem sempre em frente. Adiante, no desconhecido, há surpresas, aventuras, alguma coisa que faz a vida mais agradável ou mais plena. Sendo uma astúcia ótica, a linha, que segue adiante, quando a buscamos, é apenas uma referência no espaço. Nada nos pode garantir que ela nos possa servir a glória, ou a fortuna.

Os campos petrolíferos do Oriente Médio têm sido horizonte norte-americano desde a Primeira Guerra Mundial. Ontem, com a retirada de grande parte das tropas enviadas por Bush ao Iraque, o horizonte se abateu, mas não definitivamente. É certo que os norte-americanos, cerrada a passagem do Iraque, como se vedará, em breve, a do Afeganistão, irão usar outras armas para o domínio da região.

Milhares e milhares de pessoas, entre elas, soldados invasores, morreram e se tornaram inválidas, para que, depois de tantos anos, os estrategistas se convencessem de que o horizonte era ilusório. Enfim, lutaram, mataram, chacinaram, morreram, para nada. Deixam o Iraque levando como troféu a miserável glória de terem mandado enforcar Saddam Hussein, e deixando no país a perspectiva de um acerto de contas brutal entre sunitas, xiitas e curdos.

Na linha do horizonte abrem-se as miragens, com seus lagos sedutores. Nela, como na bela descoberta de El Greco, a perspectiva se altera, para que todas as coisas pareçam maiores. Dois jovens mineiros – se outros não houver entre os mortos de San Fernando – abandonaram os horizontes próximos, mais seguros, e, iludidos pelo sonho americano, ouviram o canto dos traficantes de ilusões. Viram o mundo desabar, antes mesmo de pisarem a terra que lhes prometeram. Talvez não conhecessem a advertência de Vicente de Carvalho, de que a árvore da felicidade deve ser posta onde nós estamos, e não alhures.

Mais triste ainda é a saga dos rapazes do Maranhão, levados a prostituir-se na Espanha. Havia horizontes promissores mais próximos, nas novas fronteiras econômicas de um Brasil que cresce, mesmo no Norte e Nordeste. Eles se deixaram iludir pelas distorções da perspectiva, e viram na Europa o seu futuro. Talvez, ao voltarem ao Brasil, a vergonha os impeça de retornar às suas cidades, às suas famílias, aos seus amigos. É provável que, no regresso, descubram o imenso e fascinante mundo de oportunidades de trabalho, empreendedorismo e aventuras, que a pródiga diversidade do Brasil guarda para os que nele quiserem plantar suas esperanças.

Não se menospreze a grande revolução que o Brasil vive, neste momento. Descobrimos, ainda a tempo, que o mercado mais seguro é o interno, e que, sem empregos e salários, não há o necessário consumo que o crie. Ainda continuamos sendo um dos países de maior desigualdade social no mundo, mas o pouco de renda que se redistribuiu, nos últimos oito anos, já alimenta o processo de revolução social que estamos vivendo.

Ao combater, com êxito, a fome – a partir da política emergencial da ajuda direta aos mais pobres – o Estado abriu o caminho da esperança aos marginalizados em toda a história do país. Como lembrou, há mais de 40 anos, o jornalista Franklin de Oliveira, nascido no Maranhão, não é o desespero que faz as grandes revoluções mas, sim, a esperança. A esperança da dignidade, em primeiro lugar. Essa revolução se encontra em marcha, e ninguém será capaz de interrompê-la, como fizeram em 1954 e em 1964. E em 1995, com a adesão do governo ao famigerado Consenso de Washington.