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Friday, December 23, 2011

SALDO



Boas festas?

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O menino olha a televisão com o mesmo desejo de um prato de comida. Não perde um segundo do desenho animado ali exibido. Deve ter entre dez e doze anos de idade. À mão direita, a caixinha de engraxate. A injustiça do mundo o faz trabalhar muito antes do devido e razoável, em troco de mera sobrevivência, escovando os sapatos dos outros; contudo, ele mesmo está descalço. Dentro da loja, pessoas se acotovelam para comprar as últimas novidades eletrônicas do mundo corporativo-dos-fortes-e-bem-sucedidos. Não tenho estômago para celebrações enquanto crianças sofrem nas ruas. Acho que nunca terei e me conformo com a condenação perpétua neste sentido. Lá fora, o mundo cospe hipocrisia.

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Gosto das Lojas Americanas porque me remetem a meus tempos de criança. Refresco era em copo de cone, na saída da Figueiredo Magalhães. Ao lado, o cinema Condor com a belíssima Romy Schneider em “Sissi, a imperatriz”. E tinha muitos brinquedos por lá. O atendimento nunca foi dos bons: funcionários em alta rotatividade, típico dos baixos salários. O que as Americanas sempre ofereceram foi preço – e, por ele, o consumidor que se abaixe até o subsolo. Ainda assim, é bom lembrar daqueles tempos.

Passei rapidamente por dentro da loja da Uruguaiana sem nenhum sentido específico: não ia comprar nada. Talvez aproveitar um pouco do ar refrigerado. Na entrada principal, o balcão de telefones celulares. E pessoas brigando, xingando, lutando arduamente pela sina capitalista de terem um novo aparelho.

Somos 190 milhões de pessoas, temos mais de 200 milhões de celulares.

Faz algum sentido disputar um vale-tudo por causa de um novo e impactante aparelho?

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Penso que já é hora de nunca mais participar de brincadeiras de amigo-oculto. Uma mulher linda me pediu, abri exceção. Tive certo arrependimento quando precisei entrar na outra loja, a que vendia o presente ansiado pelo meu AO. Mais pessoas quase chicoteando umas às outras. Algumas vendedoras bonitas, outras charmosas. Estou sem sorte no momento, de modo que fui atendido pelo rapazinho efeminado da loja. Tudo bem. Em segundos, o produto que quase pedi estava pronto para ser pago. Só queria quitar o débito e sair de lá imediatamente. Deu certo. Tomara que a presenteada goste.

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Acabaram com o vestibular. Agora é Enem. Eu, hein?

Vamos brincar de VestiBroular, o vestibular do Brou.

1) Qual o melhor título de revista para 2012?

( ) Isto é porra nenhuma

( ) Isto é cão

( ) Isto é sacanagem – não Veja!

( ) Isto era

( ) T.R.A – Todas as respostas anteriores


2) Qual o melhor efedepê dos últimos 40 anos?

( ) bob mar inho

( ) bob cão pos

( ) bob jeffer son

( ) bob (vila) Kennedy

( ) bob da música do Otto


3) Qual a enquete ideal para 2012?

( ) efedepê do ano

( ) burraldo do ano

( ) ser humano do ano

4) Em recente entrevista ao programa Amaury Jr., o ex-presidente FHC declarou que foi contra os métodos utilizados pela polícia na confusão no campos da USP (o “caso dos maconheiros”, assim tratado por vários parajornalistas). Todavia, a declaração do ex-prê vai na contramão de seus eleitores, cuja grande massa se manifestou nas redes sociais clamando por “porrada nos estudantes”ou mesmo “pena de morte” (sic). O que melhor se pode depreender deste conjunto de fatos?

( ) Os eleitores não têm a menor ideia do que pensam seus candidatos

( ) Os eleitores não têm a menor ideia de coisa alguma

( ) O político fez média para conseguir futuros votos

( ) O político fala qualquer coisa porque ninguém reflete mesmo

( ) T.R.A – Todas as respostas anteriores

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“Gloria”, Patti Smith

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Este blog volta em janeiro de 2012. Obrigado por tudo.

Thursday, December 22, 2011

FESTAS?







Thursday, December 15, 2011

MÚSICA!

Monday, December 12, 2011

IMPERDÍVEL...

...para aqueles que não sugam o néctar da alienação política no Brasil:


QUASE VAZIO

BREVIDADE

Friday, December 09, 2011

SOBRE HORACE SILVER E O CAOS



RUSH

A estupidez é franca e se mostra com todo vigor nesta sociedade que julgamos ser moderna. Reitero: onde está a modernidade? Se deixamos de respeitar o próximo, de cuidar do planeta, de pensar no verdadeiro caos que se apresenta por conta das grandes desigualdades, como somos capazes de enxergar a modernidade? Basta apenas um i-phone, uma tv plana e seremos honestos com nossa felicidade? O que fazer com os ódios, os preconceitos, as manifestações racistas, a subversão dos oprimidos, a ânsia de submeter o ser ao ter? Simplesmente varrer para debaixo do tapete e se esconder num condomínio confortável com câmeras 24 horas? Esperar que o capital promova o progresso social que não foi conseguido até agora, atravessando séculos? Deixar que tudo se limite a mesas de bar como último refúgio do suposto conceito de amizade social – bar é bom, mas a amizade precisa ser algo mais do que beber até cair. Os computadores aí estão e são bem-vindos, mas eles não significam a erudição automática: não há como prescindir de estudo e leitura, mas o que menos se faz pelas cidades afora é estudar e ler. Dizem que vivemos num mundo muito audiovisual hoje, de modo que a leitura perdeu interesse. Acho muito estranho: ler permite chegar a mundos que os olhos não enxergam sem a mente a trabalhar. Dentro de algumas horas, pessoas se acotovelarão em shopping centers. O trânsito será infernal e não haverá um centímetro disponível nos transportes de massa, sempre aquém das necessidades populares. Pessoas assistirão mais um capitulo de novela em suas salas e quartos, mas não haverá diálogo familiar e elas serão solitárias como nunca. Parece evidente que a revolução não será transmitida pela televisão, tal como certo poeta ensinou, mas estamos ocupados demais para qualquer reflexão de qualidade. Batalhões de estranhos a se deslocar pelas orlas, ruas, alamedas e demais espaços, sem qualquer afinidade ou apreço entre si. Alguém vai se divertir. Muitos rirão mais tarde, mas quase ninguém com o coração. Estranho mundo moderno.

 
RASCUNHO SOBRE HORACE SILVER

um homem está seduzido
pelo âmbar da morte

e faz do acostamento
o seu berço esplêndido
 
envolto num plástico azul
e com os pés descalços
 
ele é o protagonista
num programa de tv

enquanto leio o monodrama
pela ducentésima vez
 
e ouço as notas delicadas
que Horace Silver toca

à tela, um acidente de carro
garrafas quebradas, vidro moído

e uma sobrevivente seminua e ébria
tentando recitar o inexplicável

no disco, as pessoas aplaudem
outro solo de Horace Silver

“Let´s take any cool eyes” floresce
recordando Newport no ano de 1958
 
a morte do homem e seus pés descalços
são sinais de mera importante audiência

enquanto meu sono está no exílio
em certa embaixada distante
 
a solidão é recato e me conforta:
degusto a noite e seu desencontro
 
fugaz, a tal ponto que a insônia
me parece admirável companhia

Tuesday, December 06, 2011

PORTA ABERTA

Pela porta aberta/ De um coração descuidado/ Entrou um amor em hora incerta/ Que nunca deveria ter entrado/ Chegou, tomou conta da casa/ Fez o que bem quis e saiu/ Bateu a porta do meu coração/ Que nunca mais se abriu / E por isso, por isso a nostalgia tomou conta de mim/ Mas um amigo percebeu e disse assim/ Para que tanta tristeza, rapaz?/ Acabe com ela e vem comigo conhecer/ a Portela, Portela /Fenômeno que não se pode explicar / Portela, Portela/ Uma corrente faz a gente sem querer sambar/ É ela, é ela / O novo amor a quem eu quero/ Agora me entregar / O samba fez milagre/ Reabriu meu coração para a Portela entrar.

Luiz Ayrão, 1973

O CRERES

GIL!

Sunday, December 04, 2011

O DOUTOR


Sócrates talvez tenha sido o jogador com o toque de bola mais preciso e cerebral que vi jogar.

Eram tempos de Falcão, Maradona, Rummenigge e tantos outros.


Quando vi Delei surgir no Fluminense, como eu queria que contratássemos Sócrates para ver os dois juntos. Por ironia do destino, se o Tricolor um dia fez uma partida perfeita, foi justamente contra o Corinthians de Sócrates pelas semifinais do campeonato brasileiro de 1984.

Passes perfeitos, lançamentos precisos, chute na mosca e o toque de calcanhar que desnorteava os adversários. A figura esguia, longilínea, e a barba revolucionária davam-lhe um ar de transparência. Articulado. Politizado. Craque à enésima potência. Atleta, nunca foi – e nem precisava.

No começo dos anos oitenta, o Brasil ainda vivia sob ditadura. No futebol, a maioria dos jogadores era dotada de instrução limitada. E quem foi que começou a usar os microfones para tentar interferir politicamente nas questões do país? Ele, claro, o Doutor (título correto pois era médico, assim como Tostão).


Numa ocasião, alguns torcedores exasperados criaram problema com Sócrates. Por entender que a reação era injusta, ele parou de comemorar gols. Nada de boicotar o próprío time, nada de se recusar a entrar em campo, nada de chinelinhos: continuou jogando como sempre, mas reagia com frieza a cada golaço marcado. A turba entendeu e ele voltou a comemorar.

Nos últimos dias de sua curta e admirável vida, Sócrates continuou implacável: mostrou em público o quando sua relação com o álcool minou seu organismo, mas não o fez sob a pose do coitadinho – gigante como é, reconheceu a doença e fez um alerta, mas sem paternalismos que não lhe cabiam como o libertário que sempre foi. E ainda aproveitou para fuzilar - corretamente - a atual CBF.


Há ecos do futebol genial de Sócrates em jogadores como Kaká e Paulo Henrique Ganso. Antes destes, os hoje aposentados Giovani (camisa 10 do Santos em 1995) e Raí (por questões genéticas) mostraram brilho em lances que remetiam aos melhores momentos do Doutor. Contudo, é bom que se saiba: tecnicamente falando, foram e são todos inferiores a Sócrates em campo – e por serem grandes craques, isso dá uma ideia do que era o futebol do Magrão em campo.


Um vizinho meu em Copacabana e rubro-negro fanático, Walter Francis, certa vez me disse que não gostava do futebol de Sócrates. A obsessão de parte da imprensa esportiva carioca em tornar o camisa 10 da Gávea melhor do que Pelé muitas vezes esbarrava no brilhantismo do futebol do Doutor, o que incomodava alguns flamengos. Agora eu entendo. Não tiro o brilho de Zico, longe disso, mas Sócrates jogou demais. Demais!

Alexandre Santos muitas vezes narrou em jogos da Bandeirantes: “Guardooooooouuuuu Sócrates!”. Hoje, dia da rodada final deste grande campeonato brasileiro, não será assim. Mas pensando bem, se era inevitável perdermos o Doutor, que fosse num dia como esse – onde milhares de pessoas reverenciarão seus ídolos em grandes clássicos e jogos decisivos. Em cada um deles, haverá um minuto de silêncio, não apenas para um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, mas sim para um grande homem que, não satisfeito em ser um craque munumental, contribuiu decisivamente para a luta de libertação de seu próprio país - e, se não conseguiu naquele momento com pleno êxito, ao menos libertou seu time de atuação ao fincar a Democracia Corinthiana.


Aquelas jogadas de calcanhar, aqueles dribles secos em cima dos holandeses e o chute preciso contra o goleiro Jagger na goleada de cinco a zero no Morumbi, o golaço contra os franceses por cobertura no Parc des Princes, são itens de colecionador alçados às melhores lembranças do nosso sagrado futebol – e, por isso mesmo, sob o selo da imortalidade.


Um dos sobrenomes de Sócrates era – e é! – Brasileiro. Um de seus filhos tem o nome de Fidel.


Simples assim. E definitivo.



Paulo-Roberto Andel

Friday, December 02, 2011

CAI

cai a tarde
nasce a noite
e tudo voa rasante
no meio do
castelo
de caras.
somos
pouco
diante do
que tudo poderia ser, mas
assim mesmo
cremos no milagre
das compras de natal,
nas vitrines ricas
e outras futilidades
que parecem nutrir a alma
mas desaquecem
qualquer coração.
tocam os sinos,
fecham-se as portas
e agora é sexta-feira:
estamos ocupados
em viver até a morte,
no próximo dia útil
para depois ressuscitarmos
em novos corredores
de
consumo.




Paulo-Roberto Andel 02122011

MASSIVE ATTACK

MODERN TIMES



6


Crua a tarde nublada e chuvosa de sexta-feira. Ela intumesce o sentimento implícito de que o ano de 2011 já terminou. As ruas estão mais vazias. As pessoas vêm e vão mais lentamente. Talvez haja certa consternação por percebermos que o tempo escorre na ampulheta e não temos a felicidade eterna, indissolúvel – o que não quer dizer nada no meio de três bilhões de pessoas famintas. Quando estive no mercado ontem, noite os detalhes que já marcam o fim do ano: grandes estoques de bebida alcoólica, grãos e carnes diferenciadas, até mesmo ventiladores. Mais cedo, visitando a sala de trabalho de um amigo meu, o rádio tocava John Lennon com seu hino de Natal. Nos dias de hoje prefiro outra canção do ídolo: “Nobody told me”. O telefone já quase não toca, os e-mails são escassos; há muito trabalho a fazer, mas em outros formatos. E então olhamos para trás, visando refletir o que já passou. É pouco. Pensamos no que poderia ter sido melhor. É pouco. O que sei é que mais tarde os shoppings estarão abarrotados de sedentos consumidores, enquanto as marquises abrigarão os que nasceram condenados por tudo o que aí está, mas muitos fingem não ver porque lhes é mais confortável.



38

Outro dia, o travesti estava nas imediações da rua do Senado. Alto, ainda vestido de forma feminina, mas muito humilde e sem condições de cuidado estético necessárias para ostentar o glamour que, um dia, talvez tenha tido. É possível que esteja na casa dos quase setenta anos, idade de pai ou avô. Pedia dois reais aos transeuntes; dei-lhe cinco. Olhou assustado: não deve estar acostumado com maiores generosidades. Se soubesse de minha pobreza, ele entenderia. Ontem, fazia esquina com Washington Luiz e Tadeu Kosciusko – assim mesmo. Continuava a pedir, nem sempre tendo retorno. Pedintes sempre chamam minha atenção porque eles são a mais evidente prova da injustiça em que vivemos neste mundo, onde muitos têm tanto e outros, nada. Neste caso, a atenção foi acentuada porque nunca tinha visto um travesti pedir esmolas em minha vida. Deve haver várias razões para isso. Muitos não chegaram à idade madura por diversas mazelas. Outros, vivem recolhidos. O senso comum, muitas vezes mais raso, não atenta para o travesti com alguém que pode ter vida longa, o que pode ser reforçado no imaginário pelos inúmeros jovens que se prostituem nas grandes cidades. Todos os dias ouço debates sobre a questão do respeito à homossexualidade no Brasil – todos justos, por sinal. O movimento homoafetivo consegue colocar milhões de pessoas nas ruas das grandes capitais em manifestações de civilidade. Será que não poderiam cuidar também dos travestis na terceira idade, que não são muitos? Melhor ainda: podemos entender como feliz uma sociedade que se acotovela frente às vitrines de natal enquanto temos ainda tantos moradores de rua? Desconsiderar isso pode ser algo normal?



4.501

Gosto do Fluminense. Amo o Fluminense. Não tenho paciência para torcedores desagradáveis que se julgam senhores da razão. Futebol não tem propriamente lógica e nem é ciência exata. Às favas com os chatos que só vêem defeitos porque o time não foi campeão este ano; não passam de carpideiras rancorosas oferecendo seu licor de ridículo ao eleitorado. Estamos na Libertadores e vamos brigar com títulos em 2012. O resto é idiotice barata ou prepotência que cheira a charlatanismo.



0,14

co
gito
regur
gito
co

 
3,0579

tudo o que me veste é tempo
algo do que sonho é aurora
então desnudo-me em lágrimas
frente ao fim que me atordoa


¼


Tempo é arte, foi o que eu aprendi/ Não é dinheiro ou outra coisa que se conte/ É uma outra dimensão/ Toda vida vive da luz do sol/ Que se faltasse tudo então pereceria/ Foi o que eu aprendi de tanto ver se repetir/ Que anestesia, e eu já nem sentia, ia me destruir/ Mas não aconteceu, estou aqui/ Toda vida, eu quis tanto querer/ Como se não bastasse o que já me cabia/ Na esfera emocional/ Na verdade eu sou outro você/ Tanto que enxergo em ti o que em mim não veria/ Foi o que eu aprendi de tanto ver se repetir/ Que anestesia, e eu já nem sentia, ia me destruir/ Mas não aconteceu, estou aqui (Lulu)

 
 
14,6565656565
 
Tempos modernos, hipocrisia jurássica.
 

Thursday, December 01, 2011