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Wednesday, January 30, 2013

Outro chão



e eu me canto em chão
tanto chão tantos passos
em falso na contramão
tantos hiatos falhos fatos
para lavrar desilusão
mas não desisto não
pois é do chão que germino
erguendo a cabeça
e nenhuma sentença
maldita me atingirá - oh não!
chão de renascença
e o coração de um menino 
mendigo numa calçada 
de sonhos  - o céu, nem tão
tristonho, é uma alameda
para se esmolar felicidade
por entre as calçadas
das grandes corporações:
será mais sonho? 


@pauloandel 30 01 2013

Tuesday, January 29, 2013

A Epopeia da volta



Por Zeh Augusto Catalano

Peço desculpas pelo tema abordado fugir ao assunto central deste blog, mas acho necessário compartilhar essa historinha.

Ontem, 28/01/2013, vôo GLO 1590, marcado pras 21:35h no Santos Dumont, o aeroporto doméstico do Rio de Janeiro. Chegamos 20:15h no aeroporto, que estava, àquela altura, fechado por causa de uma bruma branca e baixa. Os prognósticos não eram os melhores. Na tela de info, o vôo apontava check-in aberto. Aproveitamos para trazer uma boa quantidade de livros, roupas e uma rede, o que nos fez trazer uma grande quantidade de peso. Três malas grandes, mais duas mochilas e três bolsas menores de bagagem de mão. Mais nossa bebê de três anos. Sim, à noite, com sono, uma criança de três anos vira um bebê de 15 quilos. As bolsas de mão levavam comida, livros, brinquedos, muda de roupa.

Sentamos e esperamos. Por volta de 21:15, vários vôos começaram a ser liberados e outros aparentemente cancelados. Dez da noite, o som pede que “compareçamos ao portão de embarque”… Começava a peregrinação.

O sujeito da gol nos comunica que nosso avião havia pousado no outro aeroporto, o Galeão, a meia hora de carro de distância, porque, segundo ele, o Santos Dumont fecha às 23h.

(A explicação aparece neste link abaixo. Depois volto a ela)


Entramos no portão de embarque, como se fôssemos realmente embarcar, para imediatamente pegarmos nossa bagagem. Você acha que a Gol (não sei se isso é padrão para todas as aéreas) se responsabilizou por nos transportar até o outro avião já com nossa bagagem? Nanão. A Manu de 15 quilos dormia profundamente no colo da mãe (graças a Deus) e eu precisei empilhar as 3 malas, cada uma com duas toneladas, e mais toda a bagagem de mão num carrinho que, por Murphy, puxava completamente para a direita e que me obrigou a equilibrar as coisas e fazer um esforço hercúleo (lindo isso…) pra empurrar a pirâmide desequilibrada por todo o aeroporto até o ônibus – parado do outro lado da pista, longe da rampa para descer o meio fio.

Enfim, despachados pela 2a vez os blocos de granito, entramos no ônibus para um city tour até o Galeão, aonde não pisávamos havia anos. Nada mudou. Acho que o tombaram… Meia hora depois, descer do ônibus, correr pra pegar um carrinho para receber novamente os ebós. As malas parecem pesar cada vez mais. Manu segue apagada. A mãe morta de cansaço. Os passageiros pegam as malas para levar ao balcão da gol, onde são simplesmente atiradas na esteira para ir para o outro avião.

Às cinco para o dia seguinte, enfim, decolamos. Chegamos em casa às 2:20 da madrugada. Seis horas de viagem e algumas conclusões:

- Informação é tudo. Não lembrava desse inacreditável horário de funcionamento do SDU. Mas mesmo que lembrasse dele, acreditava ser algo coerente. Uma coisa é você agendar vôos para meia-noite, uma da manhã, e fazer o aeroporto operar noite adentro de forma planejada. Outra coisa é fechar o aeroporto pontualmente às 23h e impedir um vôo que poderia decolar 23:15, por exemplo, de seguir adiante. Os responsáveis por estas maravilhosas normas de operação certamente não pegam vôos noturnos. Isso transforma o horário de 22:30 às 23h do Santos Dumont na embaixada americana em Saigon, com todos querendo se agarrar ao último helicóptero pra fugir dali. Conclusão: vôos tardios no Santos Dumont, nunca mais.

- Vou pesquisar acerca das responsabilidades das companhias aéreas sobre a bagagem embarcada pelos passageiros. Não sei se esse é o procedimento padrão, mas o fato é que ontem, por duas vezes, os passageiros prestaram serviço de carregadores para a Gol. Acho que a principal razão da coisa é se livrar da responsabilidade pelo sumiço de alguma bagagem neste périplo pelo Rio de Janeiro. Atira-se malas e responsabilidade na mão do passageiro. O fim.

- Não haviam pessoas de muita idade ou crianças viajando sozinhas, mas se houvesse alguma pessoa com dificuldade de locomoção ou algum gringo (coitados… sofrerão…) que não entendesse direito o que estava acontecendo, estaria entregue à própria sorte. Não houve nenhum acompanhamento por parte da Gol. O povo do ônibus era terceirizado. O portão de embarque indicado era o errado. Nós nos viramos.

O piloto fez um excelente vôo. O povo de bordo foi atencioso. Fizeram a parte deles.

Volto ao assunto outro dia. Abraços!


Saturday, January 26, 2013

Teto


teto

somos teto
subterrâneo concreto
embuste numa artéria
no coração de uma
grande capital
somos teto

sem casa e lixo
nenhuma parede moderna
errantes na idade da pedra
desfilando miséria

e passos apressados
ao lado mostram o
que valemos: uma cédula
de indiferença
teto e chão, terror ao léu
vizinhos de respeitáveis
corporações
nenhum brinquedo certo
nenhum sonho a cumprir
a morte nunca foi tão

desejo sincero - e o 
preconceito está nos 
olhos de quem respira
somos teto
sem eira nem beira
nenhum plano por perto
e nenhum catalano 
indignado será
capaz de resgatar
o que nunca tivemos 
ao certo.


vanessa

que tal a minha carne
virar carne crua na tua
saliva e a tua carne 
também virar carne
crua na saliva que me cabe?

eu faço uma promessa
eu compro uma roupa nova
e monto um kit completo:
casa, piscina, floresta,
recantos de um bastante
mais do que esperto.


0800

deixe seu recado depois do sinal pago.


@pauloandel



Friday, January 25, 2013

Nego Dito, não nego o escrito

Meu nome é 
Benedito João dos Santos Silva Beleléu 
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé 

Eu me invoco eu brigo 
Eu faço e aconteço 
Eu boto pra correr 
Eu mato a cobra e mostro o pau 
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar 
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu 
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé 

Tenho o sangue quente 
Não uso pente meu cabelo é ruim 
Fui nascido em Tietê 
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar 
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu 
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé 

Não gosto de gente 
Nem transo parente 
Eu fui parido assim 
Apaguei um no Paraná, pá, pá, pá, pá 
Meu nome é Benedito João dos Santos Silva Beleléu 
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé 

Quando tô de lua 
Me mando pra rua pra poder arrumar 
Destranco a porta a pontapé 
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar 
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu 
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé 

Se tô tiririca 
Tomos umas e outras pra baratinar 
Arranco o rabo do satã 
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar 
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu 
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé 

Se chamá polícia 
Eu viro uma onça 
Eu quero matar 
A boca espuma de ódio 
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar 
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu 
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé 

Se chamá polícia 
Eu vou cortar tua cara 
Vou retalhá-la com navalha 


Friday, January 18, 2013

Beck!

Um dos mais geniais artistas norte-americanos dos últimos 15 anos.






Wednesday, January 16, 2013

433



1

Satriani toca sua guitarra vigorosa no aparelho de som. Gosto dele. Tenho poucos discos, mas é inegável reconhecer seu talento continental. Comprei o disco há pouco, antes da tempestade que alagou o Rio mais uma vez. As chuvas somaram forças e mostraram que nossa cidade é refém permanente da natureza.

2

Shopping center não é minha praia, mas precisava comprar uma calça, uma bermuda titular para o ano que se inicia e, se possível, pescar a versão 2013 do Velvet underground, “disco da banana” (Andy Warhol, claro).

Rua do Riachuelo, belos retratos de lixo puro entupindo os ralos. Água de merda exalando e fazendo das tampas e bueiros uma putrefação admirável. O mesmo mendigo na porta da Pacheco pedindo uma janta, sempre sorrindo com se estivesse a desafiar a própria dor insuportável da alma ou esmiuçando a loucura necessária para viver no inferno capitalista sem um centavo que não seja de doação. – É um vagabundo! – Por que não vai trabalhar? – Quem lhe daria emprego? – E qual emprego, ora? À drogaria, uma fila enorme de pessoas esperando por medicamentos populares, que permita o prolongamento de suas vidas populares, ali eu era mais um, mas desisti: um só atendente para uma dezena de pessoas. Para que melhorar o atendimento? Os pobres precisam disso, ora! - sempre o mesmo discurso reacionário.

3

O motorista do 433 faz várias barbeiragens no caminho da Glória até o Rio Sul. E canta e ri. Acha graça. A vida dos outros e a própria em risco. Achei que alguém fosse dizer que isso era culpa do PT - ou de Lula - e sorri. Trata-se de um percurso rápido, sem trânsito, menos de dez minutos e desço feliz no ponto de ônibus em frente ao Glorioso. Quase ninguém nas ruas. A chuva espanta.

4

Até hoje não entendi se os banheiros do Rio Sul fedem a número 2 por excesso de usuários ou porque a limpeza não é ideal, mesmo que sempre tenha um funcionário por lá. Sempre, sempre o maldito odor 2.

5

Estamos em 2013 e eu achava que sempre teria um exemplar do DB (“disco da banana”0 disponível para compra na Saraiva. Primeiro, tinha um monte. Segundo: quem é que quer saber de Velvet Underground? Minha cara partida, minha cara lavada: todos os exemplares se esgotaram. Foi aí que surgiu o Satriani na minha vitrola eletrônica. Não tinha VU, vamos de JS. Não tenho com deixar de dizer que a atendente de caixa era muito gostosa, permito-me um momento machista como esse.

Depois, Taco para uma boa bermuda de gordo. São grandes, confortáveis, cheias de bolsos. Para o meu tamanhão, só tinha as de cores claras. Eu queria dark, chumbo, cinza, marrom, verdescuro. Não deu certo, trouxe apenas a calça. Ser gordo é difícil, mas eu gosto de ser quem sou.

Hora de voltar para casa, nada de táxi, momento de contenção.

6

Um, dois, três, 433. Meio cheio, meio vazio, disseram que tinha inundado alguma coisa no Maracanã. Aí, lembrei: será que a Lapa encheu? Dia desses, o drama da morte do artista plástico Selarón.

Bendita hora em que não tomei o táxi. Água nas duas calçadas da Mem de Sá, verdadeiro rio na rua do Lavradio, a parte sem obras da Inválidos virou Veneza sem gôndolas. Somando forças, subtraindo o social.

Outros mesmos mendigos que não o da Riachuelo vivem a morte em vida nas ruas e arredores da Cruz Vermelha. Há quem pense que tal castigo é sempre merecido. Abominável.

7

Foi um dia bom. Tive cansaço. Algumas coisas resolvidas, outras não. É janeiro. Segunda foi o aniversário de Fred e ele já não está aqui. Ontem foi mais um dia 15 e seguimos na labuta. Lá fora chove, a vida escorre nos alagamentos.

8

Desço para comprar um sanduiche, mais um suco para Ursula. Dois policiais do Core também lancham tranquilamente no balcão da Nimusa, esquina de Washington Luiz com Tadeu Kosciusko, o presidente do Brasil versus o herói da libertação da Hungria. Ali, tudo vira pizza, suco e cheeseburger. Os policiais falam pouco, devem ter tido mais um dia complicado, o trabalho que praticam não é nada fácil.

9

Banho tomado, Ursula dormindo, Jorge Nunes fazendo graça nos comentários de futebol da Tupi, aluguel pago, luz paga, certo aroma de paz, alguma saudade de quem deveria estar comigo, aflição pelos que estão sofrendo com a chuva e mais um dia se foi.

A vida é breve.

@pauloandel

16012013

Monday, January 14, 2013

Cinema da Romênia



Mostra reúne 19 filmes da produção cinematográfica da Romênia pós-2000

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 15 a 27 de janeiro, a mostra “Cinema Romeno Contemporâneo”, que vai exibir um panorama da produção cinematográfica romena dos últimos 10 anos. Além da exibição dos filmes, serão realizados dois debates, com os temas “O cinema romeno e o sucesso da crítica”, no dia 19, e “A crise política do Leste Europeu, seu reflexo no cinema e as possíveis relações com o cinema brasileiro”, no dia 26.

A programação inclui os mais importantes filmes da cinematografia romena pós-2000, selecionados pelos curadores Diogo Cavour e Ana Ribeiro. A mostra busca suscitar tanto um debate histórico sobre o país europeu, quanto um debate estético, revelando o cinema romeno contemporâneo como um fenômeno e não uma indústria ou um movimento. Destacam-se os dramas individuais de personagens, vivendo um cotidiano povoado por crises políticas, no momento imediatamente anterior à queda do comunismo ou no momento atual.

“O objetivo da mostra é apresentar um panorama da nova geração de cineastas romenos, que surge no final dos anos 1990, mas que só passa a ganhar destaque e atenção da crítica internacional no decorrer dos anos 2000. Mesmo sendo, em sua maioria, investidas individuais, jovens cineastas já conquistaram inúmeras premiações e fama internacional. Apesar da relutância em defini-los como um grupo, observa-se um conjunto de afinidades estéticas e temáticas”, explicam os curadores.

Entre os filmes em cartaz, na mostra, destacam-se: “Trem da vida”, do diretor Radu Mihaileanu, sucesso de público e crítica; “12:08, à Leste de Bucareste”, de Corneliu Porumboiu, que conquistou a Caméra d’Or para diretor estreante, em 2006; “4 meses, 3 semanas e 2 dias”, de Cristian Mungiu, Palma de Ouro em Cannes, em 2007; e “California dreaming”, de Cristian Nemescu, que venceu a Un Certain Regard, em 2007.

Serviço:
Mostra “Cinema Romeno Contemporâneo”
Data: de 15 a 27 de janeiro de 2013 (terça-feira a domingo)
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h.
Lotação: 78 lugares (mais 3 para cadeirantes)



Monday, January 07, 2013

O dia da independência nacional




Macalé/ Capinam/ 1969

Aos 15 anos eu nasci em Gotham City
E era um céu alaranjado em Gotham City
Caçavam bruxas nos telhados de Gotham City
No dia da Independência Nacional
Cuidado! Há um morcego na porta pricipal
Cuidado! Há um abismo na porta principal

Eu fiz um quarto bem vermelho em Gotham City
Sobre os muros altos da tradição de Gotham City
No cinto de utilidades as verdades Deus ajuda
A quem cedo madruga em Gotham City
Cuidado! Há um morcego na porta pricipal
Cuidado! Há um abismo na porta pricipal
No céu de Gotham City há um sinal
Sistema elétrico e nervoso contra o mal
Meu amor não dorme, meu amor não sonha
Não se fala mais de amor em Gotham City
Cuidado! Há um morcego na porta pricipal
Cuidado! Há um abismo na porta pricipal

Os mortos vivos eles peranbulam em Gothan City
Agora eu vivo o que eu vivo em Gothan City
Chegou a hora da verdade em Gothan City
E a saída é a porta principal...
@pauloandel

Sensation


@pauloandel


Transeunte II

ninguém me pertence
ninguém 
há um ninguém na multidão 
então 
sem rancor ou desilusão 
um sorriso se acende: 
contravenção! 
é que ninguém me pertence
nem mesmo eu 
nem mesmo a dor que nos apavora 
não me pertence a mágoa 
o drama 
a lembrança 
e qualquer outro sentimento
já não pertenço à cor
ao cais 
a uma noite vulgar 
ou certas formalidades rasteiras 
ninguém me pertence 
nenhuma pessoa física 
jurídica 
repleta ou vazia 
nada é meu nem ninguém 
sou o nada e para ninguém
nenhum também tão bem
enquanto o mais estranho em tudo isso 
é que 
mesmo assim 
não percorro qualquer chão de 
liberdade sequer
num porém

 @pauloandel07012013

Friday, January 04, 2013

Thursday, January 03, 2013

Down the road

Hoje faz seis anos do pior dia de toda a minha vida.

Minha mãe comeu um sanduíche de peito de frango com salada e deitou cedo.

Eu, também, como raríssimas vezes em toda a minha vida. Sete da noite estava dormindo, exausto.

Veio a madrugada, meu pai me chamou assustado. É que minha mãe tinha parado de respirar durante o sono. Faleceu.

Naquele dia, eu preferia ter morrido a ter que passar por aquilo. E foi algo que mudou minha vida para sempre. Eu também morri e virei outro, muito outro. Mas jamais traí os ensinamentos de minha mãe sobre bondade, atitude, respeito, amor ao próximo.

E quem disse que minha mãe morreu?

Todo dia está lá em casa, assim como meu pai, seja numa lembrança, uma piada, um objeto, uma foto.

Não poder abraçá-la e beijá-la é péssimo. Mas só de poder ter vivido com ela trinta e oito anos já valeu toda a minha vida.

Minha mãe é meu amor. E isso basta.

@pauloandel







Wednesday, January 02, 2013

Os subterrâneos

Metrô Arcoverde, Copacabana, 29/01/2012




@pauloandel