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Monday, May 21, 2012

"On the road", Kerouac, 1957


"O que eu teria a te dizer a não ser que você tem que pegar essa onda com a mesma fissura com que um viciado se droga?"

"Para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações."

"Ele se aproximou vagarosamente: 'Ei rapazes, vocês estão indo para algum lugar específico ou apenas estão indo?'. Não entendemos bem a pergunta. Era uma pergunta boa pra cacete."

"A mais incrível carona da minha vida estava prestes a aparecer: um caminhão, com uma platafora de madeira na traseira com seis ou sete caras jogados em cima. Os motoristas, dois garotos agricultores loiros de Minnesota, estavam recolhendo toda e qualquer alma solitária que encontrassem estrada afora - eles formavam a mais simpática, sorridente e jovial dupla caipira que se pode imaginar, os dois vestindo um macacão, uma camiseta e nada mais, ambos ágeis e com punhos grossos e um amplo sorriso de 'Cuméquitá?' resplandecendo pra tudo e pra todos que cruzassem o caminho deles. Eu corri, perguntei: 'Tem lugar para mais um?'. Eles disseram: 'Claro, sobe, tem lugar pra todo mundo'."

"Quando criança tinha visto um vagabundo se aproximar para pedir um pedaço de torta a sua mãe, ela lhe deu, e quando o vagabundo sumiu na estrada, o garoto, ainda pequeno, perguntou: 'Mãe, quem era esse homem?'. 'Ora, um vagabundo'. 'Mama, quando crescer também quero ser um vagabundo'."

"Foi triste vê-los partir; percebi que jamais voltaria a rever qualquer um deles, mas na estrada era assim mesmo."

"Eu me imaginei num bar qualquer da cidade, essa noite, com a turma inteira; aos olhos deles eu pareceria misterioso e maltrapilho, como um profeta que havia cruzado a terra inteira para trazer a palavra enigmática, e a única palavra que eu teria a dizer era: 'Uau!'."

“'Simplesmente não dormirei nunca', decidi. Havia tantas outras coisas interessantes para fazer."

"'Quero dormir', falei. 'Pobre Sal, sempre quer dormir'. Me mantive calado."


"O papo era caloroso e gentil. Fiquei com vontade de ver Rita novamente e lhe dizer uma porção de coisas, e realmente fazer amor desta vez, e tranquilizar seus temores em relação aos homens. Garotas e rapazes da América têm curtido momentos realmente tristes quando estão juntos; a artificialidade os força a se submeterem imediatamente ao sexo, sem os devidos diálogos preliminares. Não me refiro a galanteios - mas sim um profundo diálogo de almas, porque a vida é sagrada e cada momento é precioso."

"De repente, percebi que estava na Califórnia. Ar cálido e próspero soprando entre as palmeiras - ar que se pode beijar."

"Pelo menos tinha aprendido a rir melhor do que qualquer pessoa no mundo, e eu percebi o quanto nos divertiríamos em Frisco."

"Todos os maus espíritos desse mundo estão a fim de nossa cabeça. Depende da gente impedir que eles nos imponham ordens."

"O Rei Banana era um velho que vendia bananas numa esquina [..] 'Enquanto você não estiver preparado para perceber a importância fundamental do Rei Banana, não saberá nada sobre as coisas genuinamente humanas deste mundo'."

"Eu queria saltar dum mastro e aterrisar dentro daquela mulher."

"'Tá muito bem. Quando juntei os trapos contigo, não esperava um mar de rosas e não estou surpreso hoje. Tentei fazer alguma coisa por você - tentei o máximo por vocês dois, vocês me desiludiram. Estou terrivelmente desapontado com vocês', prosseguiu ele com absoluta sinceridade, 'Pensei que algo brotaria do nosso relacionamento, algo bonito e duradouro'. [..] Remi jamais voltaria a falar comigo. Era horrível porque eu realmente o amava, sendo uma das poucas pessoas no mundo que eu sabia que sujeito maravilhoso e sincero ele era."

"Botei a cabeça para fora da janela e aspirei profundamente o ar perfumado. Foi o mais sublime de todos os momentos."

"Daria tudo para estar no ônibus dela. Uma angústia trespassou meu coração, como sempre acontecia sempre que via uma garota pela qual estava apaixonado indo na direção oposta neste mundo grande demais. [..]

Sentei justamente do lado oposto do ônibus e comecei a maquinar um plano. Eu estava tão solitário, tão cansado, tão sobressaltado, tão triste, tão alquebrado, tão arrasado, que consegui reunir coragem necessária para abordar uma garota desconhecida e agir [..]

Seu estúpido idiota! Fale com ela! O que há de errado com você? Já não está cansado de si próprio? [..]

'Estou muito feliz por você ter me deixado sentar ao seu lado, eu estou solitário demais e tenho viajado sem parar' [..] Senti vontade de abraçá-la logo de uma vez. Falávamos e falávamos [..] Ficamos de mãos dadas, sem nenhuma autorização especial, e desta forma ficou pura, linda e silenciosamente [..]

Eu a desejava sofregamente; recostava minha cabeça em seu belo cabelo. Seus ombros delicados me enlouqueceram; eu a acariciava cada vez mais. E ela adorava [..]

'Amo o amor', sussurou, fechando os olhos. [..] Regojizava-me com ela. Com nossas histórias contadas, ingressamos no silêncio e em suaves intenções auspiciosas. Era simples assim. [..] esta era meu tipo predileto de garota, e eu disse isso a ela."

"'Estamos todos no mesmo barco', berrou Ponzo. E vi que era assim - em todos lugar que eu ia, todos estavam no mesmo barco."

"Lucille jamais me compreenderia; gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de uma estrela cadente para outra até desistir. Assim é a noite, e é isso que ela faz com você, eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão."

1 comment:

Anonymous said...

Rapaz, esse foi o primeiro livro que li com sede. Lembro queu tava no Paraíso (conhecido por vocês mortais pelo nome humano de Campos dos Goytacazes) quando um amigo me falou sobre esse livro. Eu e ele sempre conversávamos sobre a beat generation, éramos viciados nesta época e em tudo o que rolava nela.
Aí,de posse do livro, ficava em casa bebendo Jack Daniel´s (que meu tinha me presenteado)e lendo...ficava até altas horas da madruga, inclusive indo, ás vezes, até o dia raiar. Lembro que eu lia avidamente o poema do Ginsberg, "Howl", eu acho, meio que começava assim (me corrija se errei): I saw the best minds of my generation...

Muito boa época, representava a razão da loucura em oposição com a loucura da razão pós-guerra!!! Abs!!!