nenhuma pétala
desfolhada
nenhuma lágrima
derramada
nenhuma página
ragada, nada
nenhuma canção
rabiscada
nenhuma fala
arrependida
nenhuma palavra
suprimida
nenhuma prática
proibida
nenhuma mágoa
encardida
nenhuma emoção
esquecida
e tão-somente
o fim da linha
à beira da calcada
no último brinde
ou no beijo
derradeiro
II
diga-me
um te quero! agora
e nenhum livro
será suficiente
para esculpir o meu
te amo! em tua
pele de cátedra
III
vamos fazer
uma canção?
eu, você
nossa nudez
e qualquer relva
a servir de altar
qualquer céu
a interpretar
uma janela indiscreta
qualquer tarde
a nos fazer de amor
da mocidade.
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