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Friday, February 05, 2010

TRATADO GERAL DOS IDIOTAS - PARTE I


(ou... por que Diogo Mainardiota honra seu nome?)

Neste Brasilzão de anticomunistas nazistas, neoliberais que ganham salário mínimo, estelionatários que protestam contra corruptos, moralistas que sonegam impostos, analfabetos que votam em seus algozes e outras tantas categorias exóticas, vale a pena reviver um verdadeiro esplendor da idiotice como verdadeira faca afiada contra nosso individualismo, nossa falta de senso crítico e, principalmente, contra nossa eterna insistência em mitificar seres medíocres com a medalha (de lata) da intelectualidade.

Fazia tempo que o grotesco personagem não dava as caras por aqui. Entretanto, nunca é demais lembrá-lo: é recordar de como o Brasil é manipulado, subvertido e, principalmente, trucidado por gente sem-caráter que só vê nos benefícios próprios o que se chama de "progresso". Além do mais, como o nazifascismo do dito cujo só aumentou com o tempo...

O texto fala por si. Melhor dizendo, late.

Cada um com as devidas conclusões.


http://veja.abril.com.br/131102/mainardi.html



Chega de Drummond
por Diogo Mainardi

"João Cabral me alivia da pieguice
de Drummond, de seu sentimentalismo
ginasiano, de seu lirismo kitsch. Mas não
há o que fazer contra sua prosa. Ali ele
aparece em toda a sua constrangedora
banalidade, com aquelas historinhas jecas"

"Drummond, Drummond, Drummond. Para onde quer que se olhe, Drummond e mais Drummond. Em Copacabana, celebraram seu centenário com uma estátua. Em Piracicaba, roubaram uma sua caricatura. Em Itabira, sua cidade natal, crianças foram obrigadas a declamar seus versos para os turistas. Pelé gravou um CD com suas poesias. Luiz Felipe Scolari citou-o em suas memórias. Uma moeda foi cunhada com sua efígie. Ele inspirou espetáculos de dança e foi mencionado em receitas de tutu à mineira. Até Lula apareceu com seus livros debaixo do braço. Com ar doutoral, disse que ajudavam a prepará-lo "espiritualmente" para a Presidência.

Foi tanto Drummond que acabei enjoando dele. Basta ouvir seu nome que começo a tremer e a suar frio. O antídoto mais eficaz contra essa ressaca de Drummond é uma dose maciça de João Cabral de Melo Neto. Leio-o todos os dias. Alivia-me da pieguice de Drummond, de seu sentimentalismo ginasiano, de seu lirismo kitsch: "Amor é estado de graça", "Amor foge a dicionários", "Amor é primo da morte". Quer mais? "O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar", "Quem tem amor tem coragem", "O amor bate na aorta". Ainda mais? "Amar é o sumo da vida", "Amar se aprende amando", "Vamos conjugar o verbo sempreamar".

Se João Cabral de Melo Neto atenua os efeitos nocivos da poesia de Drummond, não há o que fazer contra sua prosa. Ali ele aparece em toda a sua constrangedora banalidade, com aquelas historinhas jecas sobre o Dia das Mães, sobre o Dia dos Namorados ou sobre os velhos bares no interior de Minas Gerais. Numa crônica de Natal, ele sonha com o dia em que o "mundo será governado exclusivamente por crianças". Numa crônica em homenagem a Chico Buarque, escrita em 1966, ele proclama que nunca foi da Arena ou do MDB, mas "desse partido congregacional que encontra na banda o remédio". Quando convinha ser de esquerda, porque todos os poetas o eram, Drummond fazia poesia de esquerda. Quando o clima piorou, e os esquerdistas começaram a ser perseguidos pela ditadura, ele achou melhor pular fora, escrevendo sobre minúsculos acontecimentos do dia-a-dia. Aquilo que foi pomposamente apelidado de metafísica do cotidiano. Ou seja: nem Arena, nem MDB.

Nos manuais de literatura, Drummond é louvado por sua ironia. É uma ironia amável, benévola, cúmplice, que se esforça para confortar e apaziguar, sem jamais correr o risco de ferir o leitor. De fato, ele é prevalentemente auto-irônico. Ironizando a si mesmo, Drummond evita atacar o próximo. A auto-ironia, porém, é sempre um exercício de falsa ironia. Em 1930, quando se define um "gauche", ele demonstra ser tudo menos um "gauche", usando muita astúcia e habilidade para conquistar seu espaço no ambiente literário nacional. Mais tarde, quando julga "insignificante" seu poema mais famoso, "No meio do caminho", ele tem a certeza de que ninguém irá concordar. A seguir, quando ironiza sua frivolidade, seu provincianismo, sua teimosia em tratar de assuntos menores, ele sabe que está num terreno seguro, tendo sido aclamado por causa disso pelos maiores críticos do país.

Chega de Drummond. Pelos próximos dez ou quinze anos, é melhor ficar longe dele."

Minha opinião senta praça numa única palavra: bizarro.

6 comments:

Carlos Ricardo Soares said...

Paulo,

a excelência da sua escrita até dispensa que se concorde ou não com as suas opiniões. Neste texto faz reflexões sérias e relevantes sobre um fenómeno que sempre me custa imenso observar e que é o hábito arreigado profundamente da nossa mente e na nossa cultura de deificação, com todo o misticismo necessário, de figuras, ícones, que têm uma função tutelar de reduzir tudo o mais que existe a satélite.
Força Paulo.
Abraço

Pedro Du Bois said...

é lastimável que o que de "melhor" em crítica literária seja isso. O cara "se acha", porque conseguiu ser (des)colunista da (perce)veja, ninguém dá importância, fica brabo e sai falando mal de todo mundo; aliás, nem isso ele sabe fazer, fica na mesquinharia descontextualizada. Como sempre. Abraços, Andel.

Lau Milesi said...

Paulinho, é lamentável e um desrespeito à figura do Grande Drummond que, com certeza, se estivesse aqui não saberia dizer quem é o "Sr.Mainardi 38". O cara atira para todos os lados. O que pegar, pegou. Se não fosse o fato de perdermos esse seu,como sempre, perfeito texto,diria que ele não merece ser lembrado.
Arrasou, meu amigo, como de hábito.

Um beijo

E.T. Vira e mexe tenho o desagradável prazer de encontrar essa figura. Já te falei, não foi?

Fabrício Santiago said...

Tudo bem, o Diogo exagerou.
Mas eu te pergunto Paulo, o Drumond tem "imunidade parlamentar" contra críticas? é Drumond um Deus no panteon da literatura, ou apenas um homem, um poeta? Será pecado discordar dele, não gostar de sua literatura?
É muito politicamente-correto defender certos ícones louvados pela maioria, a pessoa fica bem na foto, dai esse comportamento se repete por macaqueação e cria-se um véu de esplendor sobre certos artistas, deificados. Quer se dar bem em conversar nos salões: diga ser fâ de drumond, Machado de Assis, Fernado Pessoa (quase ninguém leu esses caras, falam deles, mas nunca leram...rs)
Mas sem dúvida o diogo exagerou, ou realmente é essa a opnião dele, tudo bem, ninguém é obrigado a gostar do drumond.
Abraços
PS: tb atualizei meu blog

Antonio Campos said...

Louvo mestre sua coragem. Grande abraço.

Paulo-Roberto Andel said...

Caro Fabricio,

Não se trata de não gostar, mas sim de ofender a um morto que não pode se defender - aliás, essa é a prática habitual desse IDIOTA em qualquer assunto em que tenha de enfrentar oposição. Aliás, DM é um sujeito que, por ter nascido, já merece uns tabefes na cara - ele e sua facção burguesa imbecilizada que acredita ser o Brasil compreendido entre o Leme e o Leblon.

Atacar a literatura de Drummond é quase que o mesmo do que atacar o futebol de Pelé: como diria o nobre Ciro Gomes, "é fazer papel de otário(a)". No caso, o otário é pago para trabalhar a favor de Daniel Dantas na (ex) revista Veja.

Um abraço.