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Thursday, December 16, 2010

PRO FREITAS



I

Não tomei um drinque com o Freitas.

Não conversamos por horas e horas sobre livros e textos e versos como era devido, justo e merecido.

Vez ou outra, nos tempos do Globoonliners, lá estava ele fazendo algum elogio até exagerado sobre algo que eu tinha escrito, geralmente em frases curtas e impactantes. Gostei; legal ver que alguém com enorme verniz literário se identificasse com alguma idéia minha. Então era isso: um comentário, um ou outro e-mail, uma troca leve mas bastante rica. Tempos depois, fecharam a comunidade, lá fomos nós para o Bloguispóti e o contato foi rareando, mas sempre uma luzinha do farol longe alumiava a caixa de correio eletrônico.

A vida corre, os dias escorrem rápido pelas tubulações e, sei lá o porquê, pensei em mandar pra ele a divulgação do meu livro na segunda-feira passada, mas não o fiz: podia parecer auto-promoção, enfim. Devia, mas não fiz.

Hoje de manhã, minha querida amiga Lau me escreve contando da passagem do Freitas na mesma segunda-feira em que pensei nele.

Não tenho crença, não tenho fé, mas tudo isso que nos cerca deve fazer algum sentido, ao menos em minha matemática cabeça. O sentido da falta de alguém que não se fez presente de forma material em minha mesa ou meus bares ou mesmo na maravilhosa arte da conversa-fiada por telefone, mas que certamente contribuiu para a minha confiança em publicar fisicamente pela primeira vez – e talvez seja este o grande papel dos homens de letras: semear confiança para que outros escrevam mais e mais; transmitir; dividir.

O Freitas era – e é – rubro-negro fanático e me incentivou, direta e indiretamente falando, a fazer um livro que fala do meu amado Fluminense. Não há mais dúvidas: é um Fla-Flu e, por isso, tudo faz algum sentido.

Talvez sem saber, com certeza sabendo de alguma coisa, a semente que ele ajudou a germinar ai está.

Fica o abraço de sempre.

II

Poemas Neoconcretos II

verde verde verde
verde verde verde
verde verde verde
verde verde verde erva

(Ferreira Gullar)


Paulo-Roberto Andel, 16/12/2010

12 comments:

NO BUTECO said...

O que mais me preocupa é que há pouco tempo começávamos a passar pela fase de nos despedir de nossos pais, avós, tios e seus respectivos dos nossos amigos. Agora são nossos amigos. Semana passada mesmo, uma amiga minha que estava para ser operada de algo simples em um hospital não resistiu. Dá uma grande sensação de impotência e de pequenez extrema

Nelson Borges said...

"...alguém com enorme verniz literário se identificasse com alguma idéia minha."

Assim que eu me sinto quando o senhor me elogia.

"...e talvez seja este o grande papel dos homens de letras: semear confiança para que outros escrevam mais e mais; transmitir; dividir."

Acho que é isso que o amigo faz comigo.

Nos veremos de qualquer maneira desta vez.

Abraços

Paulo-Roberto Andel said...

Caríssimos,

Ninguém definiu melhor a vida do que Niemeyer, como a sabedoria de seus 103 anos: é um sopro.

A vida é breve e escorre com velocidade.

Façamos o hoje, o agora.

Brax.

Renata Fern said...

Oi Paulo,
Não sei se vc lembra de mim do GO, enfim... muito lindo tudo que vc escreveu, acredito mesmo que o Freitas tenha te incentivado, mas uma coisa eu garanto, fluminense ele não era não! Hahaha... O meu gorducho era rubro-negro e nas horas vagas, BOTAFOGUENSE!!!!!
Parabéns pelo campeonato!
26 anos esperando não é mole não.

Beijão!

Lau Milesi said...

Linda homenagem ao nosso amigo Freitas.Ele deve estar feliz em "ver" seu sucesso.Ele era o "cara" solidário.
E pra você deixo o seguinte:
" o futebol é uma instituição brasileira",não é?

E você, Paulinho Andel, é uma "instituição tricolor". :)
Vamos badalar muito esse lançamento...ah...se vamos.:)

Beijos

Paulo-Roberto Andel said...

Cara Renata, lembro sim e naturalmente sabia que o Freitas era rubro-negro: mencionei isso em mais de uma vez no post. Obrigado pela visita e palabras.

PS: Não questiono botafoguenses: são ases em espera de taças! :)

Bj

Paulo-Roberto Andel said...

Querida Lau,

Obrigado de sempre. Beijo idem.

Vamos em frente.

Antonio Campos said...

voam pássaros
verdes verdes verdes
pássaros com ou sem cultura
escuros brancos envernizados

conversas deixadas de lado
por ruas bares becos fones
no interfone da memória histórias
elegios com ou medidas em nossas vidas rostos impressos com sorrisos

nesse mundo virtual sem fronteiras
nosso boteco sem cheiro sem fumaças
fla-flu jogados sem faltas violentas horas que passaram rápidas sonolentas madrugadas

assim Freitas nos deixa sem queixas
passou no meu blog também amigo sim
somos começo meio e fim foi vida
partiu em busca do que mesmo?

tantas afirmações sem razões ditas
queria parar de escrever essas linhas mas a mente vinha um vázio
sim de lembrar do nada no piso frio

Paulo-Roberto Andel said...

Excelente como sempre, cheff!

Anonymous said...

Como eu disse no espaço da Lau, a blogosfera fica um pouco mais triste... Paz e serenidade à família.

Bjs!

Raquel said...

Paulinho


De alguma maneira é reconfortante ler suas palavras em homenagem a Freitas, a tristeza ganha um toque de beleza.
E sentir como laços, admirações e companherismos se constroem na blogsfera.

Quero te ver em breve, não vamos deixar passar esta oportunidade.

MUUUUUUU

Paulo-Roberto Andel said...

Com certeza nos veremos, querida. Obrigado como sempre.

Beijoca!

E MUUU