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Tuesday, February 17, 2015

o ritual do habitual

DEITADO em berço esplêndido da casa, olhando o céu que deve estar por cima do teto se não deu nada errado, o Carnaval chegou ao fim. As transas acabaram, os amores de ocasião. No fim da tarde de quarta-feira encerra a apuração da Apoteose - salvo a festa na quadra da escola campeã, todo o resto da cidade parece a noite de um domingo. Depois tudo volta ao normal. A hipocrisia retoma seu lugar nas ruas e na internet. Derrubar o governo é legítimo quando não se votou nele. Os jornais editam a informação. Acabou a grande festa, o grande feriado. Trabalhar na quinta-feira opaca e lúgubre é, acima de tudo, atender aos caprichos dos patrões - quem vai lucrar se todos gastaram o dinheiro na folia? Ninguém vai dizer das gangues de pivetes assaltando na Central, Copacabana e Botafogo. Nenhuma justiça para a pobre menina currada em Osasco. Em nome de Deus, decapitam e atiram bombas. O homem morreu com seu carro afundado num buraco da prefeitura em Santa Cruz. O bicheiro redivivo passou feliz na avenida ao lado de seus capangas, a emissora registrou. Oh, Carnaval, com suas fantasias maravilhosas e o cinismo a céu aberto. Vamos voltar à labuta. O mundo corporativo não espera. Retomemos as canções de ódio, exclusão e preconceito que só o Facebook sabe proporcionar. O ritual do habitual.

@pauloandel

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