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Wednesday, February 23, 2011

PEQUENOS MURMÚRIOS FRENTE À MULTIDÃO



















II
fácil, tão fácil a paixão
sem biunívocos
ou reciprocidade:
eis você por aí
num romance
numa carícia
ou outra guloseima
qualquer,
enquanto aqui
me liquefaço;
deságuo no mar
imaginário
dos teus seios
cobiçados
ou o colo ansiado.
meu resumo
é te sorver
completa
numa tarde sem vulgares -
a paixão é tão simples!
você e um sonho,
eu e meu tesão de ardor,
nós diante de um abismo
enquanto o mundo
gira perfeito
para hospedar
a nobre decadência humana.


III

quero apenas desacontecer:
assim
minha falácia fenece
e ninguém
perde seu tempo em perceber.


IV

relíquia minha
é o sabor molhado
do teu ventre
no meu desejo
incendiário:
palato em chamas!

e quem acha inconsistente
o fogo aceso no molhado
tem órbita de sobra e pouca prosa,
nem voa rasante
no calor do feriado.


Paulo-Roberto Andel, 23/02/2011

Tuesday, February 22, 2011

PENTA EM PENCAS (REPRISE)



Amigos,
Em 07 de novembro de 2007, publiquei este artigo no OTRASPALABRAS!; nesta data, o Flamengo ainda não tinha conquistado - de forma brilhante e NO CAMPO - o título nacional de 2010, nem o Sport a Copa do Brasil de 2008. Como o tema "está na moda" e para manter a máxima de que vale o que está escrito, esta foi - e É - a minha OPINIÃO. Obrigado pela visita.



Penta em pencas (07/11/2007)

O que não faltam no futebol brasileiro são equívocos das mais variadas naturezas, e a recente discussão sobre o propalado pentacampeonato dos flamengos contra os são-paulinos vem bem a calhar como reforço de tese.

Primeiro ponto, a bobagem de se discutir a origem do que se chama de “campeonato brasileiro” – o que, para alguns, data de 1971. Levando-se em conta, por exemplo, que a Taça Libertadores começou em 1960, tendo como participantes os representantes nacionais dos países sul-americanos, é claro que havia um meio de representação para tal acontecimento. E assim foi: em 1960, o E.C. Bahia, campeão brasileiro de 1959, disputou a Libertadores, na condição de campeão da Taça Brasil. Dali em diante, o campeão da Copa Brasil foi sempre o representante oficial. A Taça era disputada pelos campeões estaduais de todo o país, com a diferença de que os times do Rio de Janeiro e de São Paulo entravam automaticamente na fase final do certame, em modelo muito parecido das primeiras disputas da Copa do Brasil, torneio criado em 1989.

A Taça Brasil teve dez edições, com a seguinte distribuição de títulos: Santos, 5 (1961 a 1965); Palmeiras, 2 (1962 e 1967); Bahia, 1 (1959); Botafogo, 1 (1968); Cruzeiro, 1 (1966).

No mesmo ano de 1967, o então Torneio Rio-São Paulo recebeu uma ampliação, com o convite de times das regiões Sul e Nordeste, como Grêmio, Inter, Atlético Paranaense e Santa Cruz, passando-se a se chamar Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o popular “Robertão”. A Taça Brasil permaneceu como torneio paralelo até o fim de 1968 – a partir de então, o Robertão tornou-se a única competição nacional do Brasil Em 1969, o torneio passou a ser denominado Taça de Prata. Em suas quatro edições, os campeões foram: Palmeiras (1967/1969); Santos (1968) e Fluminense (1970). Até aqui, já tínhamos 11 anos de competições nacionais, inclusive com anos em que um time havia ganho duas competições nacionais (Palmeiras em 1967) e que havia dois campeões no mesmo ano (Santos e Botafogo, 1968).

Então, em 1971, criou-se o chamado “Campeonato Brasileiro”, que já existia de fato há mais de uma década. E deveria ser chamado de torneio ou copa, pois o campeonato pressupõe jogos de ida e volta entre todos os participantes, com acesso e descenso, e isso jamais ocorreu de forma correta entre 1971 e 2003 – mesmo depois, como veremos a seguir. A dita nomenclatura de “Campeonato” Brasileiro nem era unânime à época; álbuns antigos de figurinhas daqueles podem mostrar os nomes de “Taça Brasil” ou “Copa Brasil” em seus títulos. Posteriormente, “Taça de Ouro”.

A cada ano, houve uma fórmula de disputa do torneio. A cada temporada, o inchaço provocado pelos interesses políticos da ditadura militar, num princípio de se “integrar” o Brasil. Depois de anos incríveis, como 1979 (com 96 clubes e os times paulistas entrando automaticamente na fase final de disputa) e 1982 (onde o Corinthians, advindo da “Taça de Prata, espécie de segunda divisão, chegou às semifinais do torneio no mesmo ano), a campanha pela ética e a moralidade no futebol brasileiro foi deflagrada em 1987, logo após o torneio de 1986, vencido pelo São Paulo, em março do ano seguinte – o atropelo deveu-se a confusões administrativas e a continuação da fase final deu-se após o carnaval. Os times de maior apelo popular reuniram-se e resolveram bancar um campeonato por conta própria, a chamada (corretamente) de Copa União. Importante dizer que tudo isso começou porque a CBF resolveu reduzir o número de clubes de oitenta para vinte e oito e, com isso, Botafogo (co-campeão em 1968) e Coritiba (campeão em 1985) corriam risco de serem alijados da competição. Ambos os clubes interpelaram a CBF judicialmente e, com isso, surgiu o Clube dos 13 (Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco). O América, terceiro colocado da competição de 1986, foi alijado da competição por decreto, recusou-se a jogar qualquer torneio que não fosse o de elite (com absoluta razão, já que a chamada Copa NÃO foi elaborada com base em critérios técnicos) e, daí, iniciou longa jornada de dificuldades até hoje. O mesmo aconteceu com o Guarani, campeão em 1978 e vice-campeão do torneio de 1986 – porém, os de Campinas concordaram em disputar o que se convencionou chamar de Módulo Amarelo.

Dado o impasse, pois certamente o formato da Copa União contrariava os interesses dos clubes que, em tese, conquistaram suas vagas nos critérios supostamente técnicos (classificação no ano anterior), a CBF interveio com a decisão de cruzar o chamado Módulo Verde (Clube dos 13 mais Coritiba, Goiás e Santa Cruz) com o Módulo Amarelo, composto pelos demais times alijados da disputa pela chamada elite. Esta intervenção deu-se meses antes da fase final da Copa União – que, embora com um discurso renovador, permitiu situações curiosas como a de um time que não tivesse ganho nenhum dos turnos de classificação chegasse às semifinais, que foi exatamente o caso do Flamengo (o Atlético Mineiro foi o primeiro colocado nos dois turnos de classificação, e o time da Gávea entrou como o melhor segundo). Recorde-se que, dez anos depois, uma final de Taça Guanabara previu uma partida final entre o primeiro e o segundo colocados e muitos gargalharam, atribuindo um ar grotesco ao método de disputa. Certamente, se eram rubro-negros, deviam ser para lá de esquecidos.

Particularmente, não tenho dúvidas de que, naquele ano e com aquela fórmula de disputa, o Flamengo seria o grande favorito ao título nacional e a uma das vagas da Libertadores em 1988 – ainda que de forma estranha, alijou o Atlético da conquista da Copa União e bateu um limitado Inter na final do Módulo (este sim, o time gaúcho, tinha todo interesse em “melar” o cruzamento de módulos, pois temia o confronto contra Sport e Guarani, devido ao péssimo momento em que se encontrava tecnicamente). Sport e Guarani nem chegaram a decidir quem seria o campeão do Módulo Amarelo, tamanha era a importância maior de se ir para o quadrangular final – embora isso não diminua a aberração da decisão em aberto após um incontável empate nos pênaltis.

O que atrapalhou os da Gávea foi o gigantismo e a prepotência. O mesmo que se revela de forma agressiva na mídia ainda hoje, que vende a idéia de um time somente no Brasil, o que sabemos há muito ser uma balela. O mesmo que faz uma auto-exaltação diária, como se futebol pudesse ser jogado sem adversários e sem outras torcidas, outras diferenças. Recusaram-se a disputar o quadrangular final e deixaram que a competição começasse, não comparecendo aos jogos e perdendo por W.O. Tinham a certeza de que seriam nomeados por decreto para a disputa da Taça Libertadores. Mas não foi o que aconteceu. E perderam a vaga para a competição sul-americana mais fácil de sua história.

De lá para cá, passaram vinte anos, desordens e muita confusão no futebol brasileiro. O Flamengo viria ainda a conquistar duas Copas do Brasil, em 1990 e 2006, competições nos mesmos moldes que seus antecessores nos anos sessenta o fizeram – e que a chamada massa rubro-negra insiste ingenuamente em não reconhecer, como se o Santos de Pelé, bicampeão mundial em 1962-1963, por exemplo, tivesse chegado à Libertadores por acaso ou convite – e não há um brasileiro vivo ou morto que conheça futebol e não saiba do Santos de Pelé. E ganhou um torneio brasileiro também, em 1992 – cujo sucessor inauguraria uma nova era de ascensões, promovendo doze times à chamada divisão principal.

Anos depois, por motivos até parecidos, em 2000, foi instituída a Copa João Havelange, vencida pelo Vasco, na final contra o São Caetano. Os times vieram de módulos diferentes e, teoricamente, o Vasco poderia sentir-se prejudicado por chegar à final contra um time que enfrentou adversários de nível técnico menos apurado. Mas nem mesmo Eurico Miranda cogitou de não realizar os jogos de cruzamento, ainda que a partida final em São Januário tenha sido suspensa. E o que dizer do Cruzeiro, que terminou o Módulo Azul daquele ano com 45 pontos, seis à frente do Vasco? Imaginem se os oito times que classificaram-se na divisão de elite recusassem-se a disputar a fase final com os demais das outras chaves? Teríamos perdido a oportunidade histórica de ver um time como o do São Caetano, que eliminou em casa Fluminense, Palmeiras e Grêmio, até chegar à grande final.

Patético ainda imaginar que o Flamengo possa “apresentar” protestos por um título que não requereu durante quinze anos. E sabedor que a Conmebol e a FIFA não lhe dariam amparo em tal reivindicação.

O São Paulo, se olharmos bem a história, nem é o primeiro pentacampeão brasileiro. Basta olhar o passado. Mas pode comemorar que ganhou cinco títulos no campo, no que merece absolutos parabéns.

Para finalizar, lamento que Zico, jogador de grande categoria, mas içado ao pantheon de maior de todos os tempos por critérios mais do que discutíveis, tenha expressado o sentimento de que a comemoração são-paulina pelos cinco títulos possa ter sido uma “palhaçada”. Vi Zico jogar, e testemunhei muitas vezes sua categoria em campo, embora tenha presenciado falhas também. O sentimento de comemoração de uma torcida por um título é sempre nobre. E, queira ele ou não, o São Paulo venceu os cinco títulos no campo, sem tapetões ou tentativas frustradas de demonstração de força. E que o Flamengo comemore os quatro títulos, mais as duas Copas do Brasil, porque a competição de 1987, mesmo que para alguns de forma imerecida, foi do Sport - e ele foi reconhecidamente o representante nacional do Brasil em competições, junto com o Guarani.

Zico ressaltou que “quem ganha títulos é o time em campo, e não os dirigentes”. Teria toda razão, não tivesse omitido sua opinião num lamentável episódio da Taça Libertadores da América em 1981, quando o árbitro José Roberto Wright encerrou o jogo decisivo contra o Atlético-MG, após ter expulsado mais da metade do time alvinegro com meia hora de partida. Queira ou não Zico, a trajetória de gala de seu time tem remendos rasteiros, da mesma maneira que todos os chamados grandes times brasileiros. E trata-se apenas de um exemplo.


Paulo-Roberto Andel, 07/11/2007

Monday, February 21, 2011

CANÇÃO DA FRUTA ESCARLATE
















fruta escarlate,
madura mas tão juvenil,
tão pronta de sorver
aos

p o u c o s,

calma e consistente,
na lascívia da gula
vespertina;
ponha teu gosto
em minha boca,
roçando ao leve,
como se fosse a prévia
de um beijo quente

ponha teu suco
na minha saliva,
tão sôfrega por tua carne,
namorada da tua doçura
incipiente

fruta escarlate,
intensa e chamativa,
invoque teu pecado
sobre a mesa, numa louça,
num despreocupar aviltante:
não há nesga de recato –
apenas formosura,
delícia e ardor

penso em morder-te aos poucos,
sem pausa larga;
comer-te viva, desejada -
e cada um a seu suor

sugar-te desnuda, liberta,
lânguida em teu seio;
fisgar tua pele branda,
até que me suje
os novos pêlos do queixo,
em prol da causa válida
no voraz sabor.


(reprise)

Para Sterling Morrison, Maureen Tucker, John Cale e Lou Reed: The Velvet Undergroud.

Paulo-Roberto Andel, 30/01/2008

Friday, February 18, 2011

A SOCIEDADE DA FARSA


















Pela manhãzinha, lembrei de certa passagem do maravilhoso livro de Ruy Castro, “Ela é carioca”, quando Cacá Diegues (este sim, cineasta de verdade) polemizou com os críticos de seu filme “Orfeu”, acusando-os de nunca terem visto “Aurora”, de Friedrich Murnau, clássico cinematográfico do ano de 1927. Muitos dos críticos, claro, ao se depararem com a trajetória oceânica de suas ignorâncias, simplesmente calaram: como enfrentariam Cacá? Para mim, este pequeno episódio é um marco exemplar de como funciona em muitos casos a ânsia debatedora do brasileiro mediano: baseado no “já ouviu falar” ou “eu li no Globo” ou ainda “o Jabor me disse”. De certa forma este comportamento é compreensível porque ainda temos muito a cumprir em educação e cultura (lembrando que a escolarização é um paralelo). Eu perdoo o jovem menino magriço, desnutrido, que padece nos bolsões de miséria que ainda perduram no país, mesmo com a verdadeira revolução neste sentido que se tentou de 2002 para cá. Toda forma, ainda falta muito. Eu perdoo os desassistidos que não tiveram a chance de ler bons livros, aprender a ciência social, que não acessaram as artes porque simplesmente viveram num caos econômico que os alijava destas oportunidades. O que acho imperdoável vem daqueles que tiveram acesso aos meios educacionais, escolares e sócio-culturais e, mesmo depois de ganharam dinheiro e até algum status em suas vidas profissionais, continuam tão ignorantes quanto nos tempos idos. É dessa classe que surgem incensados novos “grandes gênios” da vida cotidiana brasileira – a maioria sem genialidade alguma que não tenha sido obtida sem penhor. Falo dos Mainardis, Jabores e Olavosdecarvalhos, apenas para citar alguns exemplos de fracasso intelectual que é vendido feito “oro”. Sujeitos como estes ganham visibilidade não pela profundidade de suas produções – a de Mainardi, propriamente, é nula – mas porque a classe ignara intelectualmente e bem-disposta financeiramente os elege como “heróis”, para assim poderem abrir mão da discussão, da troca de experiências intelectuais, da visão em trezentos e sessenta graus da sociedade, do entendimento do outro. Fica mais cômodo e fácil repetir abobrinhas como “o Mainardi disse”, “o Jabor falou”. Beira o ridículo, tão ridículo quando, em certa oportunidade, um sujeito que estudou comigo, advindo de classe economicamente carente, mas hoje vivendo com um excelente salário estatal (e poucas horas de empenho profissional), vir me dizer que só o capitalismo constrói e o resto que se dane; ora, todo o direito de crer nisso, mas fazer discurso com o dinheiro do contribuinte no bolso? Faça-me o favor, é não olhar para o próprio espelho e passado, é não se enxergar como monstro. Mesmo um leitor de Fitzgerald ou Hemingway pode ser um idiota se não olhar para o lado, o outro, o próximo. Acabo me perguntando se tenho chance ainda de conviver suma sociedade dominada por verdadeiros picaretas da intelectualidade, que tentam prevalecer com suas falácias mofadas porque a maioria da população ainda está escravizada pelos pagodinhos, pelos jornais sem texto de cinqüenta centavos, pela mentiras editadas do casal global, pelo fascismo esportivo de Prado, pelos escombros mentais de Kamel. É isso: não tenho como tolerar qualquer sujeito que, ao se formar quase gratuitamente (não me venham com conversinha de grandes impostos pra a universidade pública) e ganhar muito dinheiro a posteriori às custas do Estado que o formou, ser porta-voz de raciocínios que já eram considerados excludentes há cinqüenta anos. Não se trata de desrespeito intelectual, mas sim revolta contra um aviltante mau-caratismo. O país está cheio de geniozinhos auto-declarados, confiantes nos argumentos fascistas das pseudo-revistas, assim como de críticos de Orfeu que nunca viram a Aurora de Murnau. Li que alguns mais sóbrios começaram a perceber que os Estados Unidos, com sua “sede” de democracia e liberdade no mundo (vide milhões de mortos no Iraq), sempre apoiaram a ditadura de Mubarak por trinta anos, sem nunca terem movido uma palha sequer contra o eterno país aliado. Por outro lado, os bobos-alegres hão de vibrar com o “apoio norte-americano à libertação do povo egípcio”. Ha, ha, ha! Felizmente ainda sou um democrata: li num sítio qualquer que Olavo de Carvalho considera “Aurora” um dos grandes filmes de todos os tempos. Isso talvez queira dizer que nem tudo está perdido ainda. Mas somente ainda.


Paulo-Roberto Andel, 18/02/2011

Wednesday, February 16, 2011

AMOR SOB ESCOMBROS
















A belíssima (e triste idem) foto de André Durão, do Globo Esporte, me soa como uma poesia seca, rascante, tirada a fórceps de um ventre doente.

Durante trinta e dois anos eu frequentei esse lugar como se fosse a minha própria casa. Sonhei com ele. Coisas que vi acima destas pedras estão intactas em minha memória.

Quantas vezes não cheguei bem mais cedo do que o necessário, apenas para espiar o gigante de concreto que é (ou foi) uma verdadeira bandeira da pátria brasileira? Muitas e muitas. Mil partidas.

Foi no Maracanã que andei de mão dada com meu pai pela última vez.

Bola dente-de-leite e os amigos do Cìcero Penna para bater uma pelada na geral. As traves eram feitas com caixinhas de leite CCPL.

Geraldo fez um golaço em Mazzaropi, a massa botafoguense ajoelhou e chorou. Eu estava com eles.

O gol de bicicleta de Romário. O pênalti que Paulo Goulart defendeu de Zico, muito antes de 1986. O maior três a dois de todos os tempos. Os risos do Xuru. O maravilhoso pó-de-arroz jogado pelo Careca. Cachorro-quente Geneal e refrigerante na máquina que os vendedores traziam nas costas. O bandeirão Tricolor que minha mãe costurou para mim. a massa flamenga em êxtase, muitas vezes antes de uma grande derrota. A força vascaína. A minha pátria amada das Laranjeiras. Alvaro Doria em claros delitos. Mil histórias.
Será que, em nome da modernidade e do futuro, era preciso fazer isso com o Coliseu do futebol?

A copa do mundo dura um mês. O Maracanã tinha sessenta anos.

Fluminense, Botafogo e Gávea têm mais de cem.

Foi uma morte lenta. Várias obras que nunca levaram em conta o verdadeiro espírito do lugar. Aos poucos, tiraram os pobres de dentro do estádio, ao menos como pagantes ou puladores de grades. Agora reclamam que as pessoas não têm ido ao Engenhão; como esperar um banimento de hábito e uma mudança a seguir tão rápidos? Agora, mais agora, uma demolição disfarçada. Não entendem que o Maracanã era o templo sagrado, intocável. Há palácios mais modernos do que o Taj Mahal, mas quem seria louco de pô-lo abaixo por isso?

Cristóvão deu um grande drible e Manguito desabou. Mendonça nos trucidou. Assis e Romerito foram a redenção. Roberto e suas precisas finalizações. Leandro e seu toque de bola inconfundível. Edinho, o craque da defesa. Luizinho, rei dos gols. Paulo Victor, discípulo de Castilho. Não é preciso falar de Didi, Garrincha, Pelé - todos sabem o que isso quer dizer.

Neste lugar, vivi grandes dias dos melhores anos de minha vida.

Colocaram minha infância e adolescência em destroços.

Ingenuamente, espero que não tenha sido em vão.


Paulo-Roberto Andel, 16/02/2011


Tuesday, February 15, 2011

A PAREDE PRETA


Paulo-Roberto Andel, 15/02/2011

Monday, February 14, 2011

UM FENÔMENO



















Acompanho futebol regularmente desde 1978, o que totaliza praticamente trinta e três anos, dependendo do mês de referência. Nos últimos dezessete ou dezoito, invariavelmente alguma conversa sobre o esporte fazia surgir o nome do então Ronaldinho, depois Fenômeno e, mais à frente, Ronaldo; para finalizar, o acréscimo do sobrenome: Nazário.

Diga-se o que disser, um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos.

O maior artilheiro da história das Copas.

O jogador que, com seu talento, fez rever a imposição de um estilo europeizado ao nosso futebol. Em alguns momentos, fez com que lembrássemos de outros craques do passado e de como era bom quando nosso futebol era diferente dos outros: talento, técnica, apuro.

Um sujeito que desafiou definições e paradigmas, conseguindo dar a volta por cima depois de situações que beiravam o impossível. Quem podia imaginar que, depois da rótula solta atuando pela Internazionale de Milano, ele ainda faria a diferença, seria artilheiro de um campeonato mundial e pentacampeão?

No limiar da carreira, a vontade de jogar pelo Flamengo não se materializou. Culpa da dirigência da Gávea, que fique bem claro. O Corinthians era uma despedida à altura e ainda houve lampejos de genialidade absoluta, alguns contra o meu amado Fluminense, outros como naquele golaço contra o Santos pelo campeonato paulista, encobrindo Fábio Costa.

Todos temos vivido ao vivo a trajetória de Ronaldo, com seus inúmeros acertos e alguns erros, muitos prós e alguns contra. Uma vida humana, de um garoto que saiu da miséria para dominar o mundo com sua profissão. É certo que queríamos dele uma perfeição impossível em nosso imaginário popular. Há como imaginar um garoto de 25 ou 28 anos multimilionário e com todos os títulos possíveis no esporte que pratica? Ninguém fica impune a isso, o que ajuda de certa forma a busca pelos prazeres da noite, alguns incompatíveis com a vida atlética. Mas aqui não sou um juiz.

Muitas vezes Ronaldo fez rir e chorar. Sofremos com aquela derrota de 1998, mas vibramos muito com 2002. Os europeus o chamaram de fenômeno, com razão. E as poucas – mas fantásticas – vezes que Ronaldo tabelou com Romário? Outras mais, com Rivaldo (mesmo que talvez contra a vontade) e o Ronaldinho, que lhe tirou o diminutivo? Os deuses da arte e do futebol agradecem.

Aos trinta e quatro anos, é bastante provável que, dentro de uma hora, Ronaldo dê adeus ao esporte mais amado e consumido em todo o planeta. Não sejamos tolos de olhar um único ponto numa reta enorme: a história desse garoto dá filme e livro. E digo garoto porque eu gostaria de ter trinta e quatro anos e olhar tudo o que ainda teria pela frente. Maravilhoso, provocante e apaixonante, o futebol também é ardiloso: ainda em idade curta, os profissionais precisam parar de jogar; é a lei do processo físico. Ele deixará os gramados onde fez uma história inesquecível para sempre, mas ainda é um garoto com tudo o que terá para fazer daqui por diante. Eu fico agradecido com todos os ótimos momentos que ele proporcionou a mim e a milhões de brasileiros que, muitas vezes, tiveram num golaço dele as suas únicas alegrias de um dia ou semana.

Obrigado por tudo, Fenômeno.


Paulo-Roberto Andel, 14/02/2011


PS: Este artigo de hoje serve de homenagem não somente ao Ronaldo, mas também ao Wal - que há se recuperar no hospital – e ao time do América, que há se recuperar de tudo.

Monday, February 07, 2011

(DES)(RE)CONSTRUÇÃO E LASCÍVIA














II


Eu não queria ir fundo até o Leme
para recordar o que já não volta -
é que agora sou outra bossa, outro
samba de piano malandrinho
e o que parece tão seguro em mim
choca ligeiro feito mar às pedras:
tudo saudade sem fé.

III

eu e o cedo
cedo
cedo
nem t ã o
breve
que me desvele
eu e o tema
amor de pranto
que não fere:
apenas unguenta.

IV

eis que meço uma assimetria
enquanto alguém remexe
num lixo.
um louva-a-deus?
um deus-dará?
para florescer o céu celeste
da tristeza,
tanto faz.

V

quero mostrar felicidade
enquanto me divirto
ouvindo Nick Cave.
definitivamente
não careço de oposição.

VI

aquela mulher
que me leva às nuvens
e sequer desconfia.
quase sempre surge nua,
lúcida e saborosa
em meu sonho-poema:
um delírio psicodélico
sem sustento
por mais de hora e meia
e gozo lancinante.
aquela mulher
que me oferece desinteresse
não cogita que,
ao pouco longe,
ambiciono sua carne livre
e perfumada,
sua secreção de prazer
líquido e abundante -
eu cogito seu mar de tesão
que não me traz à tona
e, por isso mesmo,
basta ejacular o só!

paulorobertoandel07022011

Thursday, February 03, 2011

FUTEBOL EM TRÊS ACTOS


I

O futebol não existe sem o outro, por mais que seja um jogo e, dentro dele, haja um oponente. Não existe Flamengo sem Vasco, Fluminense sem Bangu, Botafogo sem Olaria, uns sem os outros. O que move o futebol como tradição secular mundial é exatamente isso: os outros.

Vejam o jogo de ontem: não tinha nada para lotar um Engenhão, exceto a estréia de um dos últimos representantes daquele futebol que, segundo Álvaro Doria, era “outro esporte” se comparado com o hoje, menos técnico e muito mais dependente da questão física. E justamente na exceção é que se justifica o estádio apinhado, com gente saindo pelo ladrão (sem nenhum trocadilho). E então estreou Ronaldinho no Flamengo, e então a cidade parou: uma multidão a favor, outra contra e todos querendo ver o velho e grande futebol de antigamente na figura do rapaz dentuço, multimilionário e amante das coisas boas da noite.

Não foi uma partida de brilho intenso, embora com momentos muito interessantes. Descontemos as hipérboles intergalácticas que cercam a Gávea a todo instante. Quero falar de um dos momentos mais bonitos que vi no futebol dos últimos tempos: terminada a partida com a vitória rubro-negra, o extenuado Ronaldinho fez questão de cumprimentar os milhares de torcedores que pagaram (caro) para vê-lo. Via-se no jogador uma profunda emoção, misturada a agradecimento, que ficou evidente quando ele passou a saudar à massa presente curvando o corpo para, a seguir, com a voz quase embargada, falar com a imprensa ainda no gramado.

Ronaldinho ganhou tudo. Aos trinta anos ou perto deles, já ganhou o mundo com suas jogadas fantásticas, grandes gols e grandes títulos. Foi o melhor de sua geração, ainda que tivesse rivais à altura que jamais confirmaram o muito que deles se esperava, exceto por lampejos: Felipe, Roger e, num plano acima - mas com poucos degraus a mais - Alex. Muitos afirmam que sua opção em jogar no Rio foi por conta da imensa vida noturna da cidade. Será que só isso o faria deixar a belíssima Milano? Não creio.

Muitas vezes, meu texto exige piadas contra a Gávea, bem-absorvidas pelos meus amigos que a ela dedicam amor; noutras, nem sempre. Hoje, é diferente. Ronaldinho teve uma atuação modesta, mas o fim do jogo reservou uma emoção incrível não somente para ele ou os presentes às arquibancadas, mas para todo mundo que teve a oportunidade de assistir via televisão ou internet. A maneira como se dirigiu aos torcedores mostrou humildade, respeito, dignidade e, por um instante, isso transcendeu às paixões clubísticas. Muitas vezes, em vídeos, quem vi fazer coisa assim foi Pelé, não por acaso o maior de todos os tempos. Não era preciso ser um flamengo para aplaudir e se emocionar com o final do jogo de ontem, mas sim digno e confiante na esperança que ainda pode resgatar o ser humano, muitas vezes somente vista numa partida de futebol.

O meu amado Fluminense volta a campo hoje, luta pela Guanabara e torcerei com todas as forças pelo almejado título estadual. O Fluminense me basta, o Fluminense é minha cobiça incessante. Independentemente do que aconteça, um dos grandes momentos deste campeonato e deste ano foi visto ontem no Engenhão, num lindo gol de Ronaldinho que não balançou redes, mas corações.


II

Ricardo Gomes é o novo técnico do Vasco.

Quem era criança ou adolescente Tricolor como eu, no começo dos anos oitenta, não tem como não reverenciar Ricardo. Era o paradigma do zagueiro: clássico, elegante, firme sem ser violento, impecável no senso de colocação, com enorme disponibilidade técnica, bom cabeceador, excelente chutador. Perto dele, de trinta anos para cá, só Thiago Silva. Ricardo era o grande capitão dos Tricampeões daqueles tempos. Mais tarde, pela incontestável força do capital no futebol, ganhou o mundo: Portugal e França. Teria sido o grande capitão da vitória em 1994, não fosse uma contusão às vésperas da Copa – era o homem de confiança de Parreira.

Como treinador, jamais conseguiu resultados à altura de seus feitos em campo. Trabalhou aqui e ali, passou pelo meu amado Fluminense e foi até constestado – o que sempre me incomodou. Ele é botão do meu time, isso diz tudo. É claro que entendo o fato: muitas vezes, fora de campo, grandes craques não conseguem repetir êxito como treinadores – até nisso, Pelé foi sábio, pois nunca arriscou o pescoço à beira do gramado.

O Vasco é meu rival, não meu inimigo. Ele é o outro, é um dos outros; sem ele, o Fluminense não existe.

De um ano para cá, por causa de um torcedor imbecil da Colina (que, evidentemente, não reflete nada da gigantesca e apaixonada torcida cruzmaltina) que quase me fez perder a cabeça e fuzilá-lo, por conta de seu baixo nível contra meus amigos num trem de Metrô, cheguei até a deixar um pouco de lado minha simpatia pela Colina, casa de meu inesquecível amigo Xuru. Deixar somente um pouco, diga-se de passagem: o respeito ao time que inventou o negro e o pobre no futebol brasileiro não poderia parar por conta de um imbecil drogado e com ares de malandro calça-frouxa. Com Ricardo Gomes, a coisa muda de figura. São Januário está desfraldando uma verdadeira bandeira Tricolor no gramado, justamente num momento de pavorosa crise.

Meus olhos estão no Tricampeão, mas uma bela lembrança agora veste a camisa cruzmaltina. Título não, claro e com risos, mas tomara que Ricardo finalmente mostre à beira do campo ao menos parte do colossal talento que me ofereceu um dia, nos gramados e mesas de futebol de botão, quando era um dos maiores craques do futebol brasileiro de todos os tempos.

Oxalá.


III

Ver o Maracanã do lado de fora me angustia quando passo pela Radial Oeste.

A troco de quinze dias com partidas a quinhentos reais de ingresso, espatifaram tudo.

Para fazer o que estão fazendo, mesmo com a dor que me custaria, era melhor terem derrubado o templo sagrado do futebol mundial. Pior: o Maracanã nunca mais vai ser como antigamente: democrático, pluralista, com ingressos para todas as classes sociais e suas disponibilidades de renda.

Ronaldinho Gaúcho merecia um Maracanã lotado ontem, e isso não quer dizer qualquer depreciação ao Engenhão. Apenas questão de tamanho, tradição e festa.

Tenho medo de como o Maracanã será depois da Copa.

Paulo-Roberto Andel, 03/02/2011

Friday, January 28, 2011

IRONWEED
















A esquina da rua do Senado com Mem de Sá continua com o mesmo abandono de anos à trás, ou talvez décadas. Quando havia Maracanã e, posteriormente, UERJ, todo dia era dia de passar por ali, muitas vezes num romântico 434 ou seu primo menos requintado, o 464. Mais tarde, quando meu pai era vivo e já não tinha plena motilidade, coisa do fim do século, uma cena não saiu mais de minha vista: certa moradora de rua ficava sobre seu colchão de casal, com molas, em frente às portas do finado supermercado Nova Olinda, ali vitimado por um incêndio e, noutros lugares, por alguma crise econômica ou interesse similar. Ela parecia sorridente por vários dias, embora não andasse mais e precisasse se arrastar para os movimentos corporais mais simples. Diante do sofrimento daquela mulher, em contradição ao seu sorriso, padeci muitas vezes em poucas dezenas de horas: lembrava de meu pai, era triste com sua aposentadoria compulsória, mas tinha certo alívio em saber que ele poderia contar comigo, como aconteceu pelos oitos anos a seguir. Uma dia, ela sumiu - e o colchão também. Ver a dor e a miséria do mundo me traz um doloroso sentimento de impotência; não aceitar nem compactuar com nada daquilo, mas nada poder fazer de verdade para atenuar ou melhorar a situação. Ter exata consciência do quanto somos pequenos e passageiros diante do mundo, utilizando o intervalo entre as horas de dor para beber, comemorar gols ou até mesmo sorrir. Somos pequenos e isso é um fato, mesmo que muitos insistam em não ver o óbvio. Tão contundente em ver o sofrimento dos comuns pelo mundo talvez seja, com mínima importância, rever um grande ex-amor ao vivo e atestar que o ex é realmente ex e nada mais, com total desprovimento de tudo o que um dia significou. O nada é assustador. A dor dos outros só não é assustadora para os medíocres, os individualistas, os que mergulharam na decadência do próprio umbigo sujo enquanto pensam na próxima vitrine. Alguma coisa daquela esquina me apavorou por hoje de manhã: saber que nunca mais a mendiga se recuperou, saber que meu pai é uma lembrança, tal como o velho letreiro do Nova Olinda que parece querer beijar o chão imundo. Havia também um restaurante num sobrado, a peso, com bons salgados; o dono era um velhinho simpático, hoje a porta está lacrada. Tudo parece fim. Mais à frente, muitos trabalhadores são apenas corpos cansados numa fila para comprar biscoitos Globo, como reza a tradição do verão. Não sei dizer ao certo, mas alguma coisa me traz “Ironweed”, de Babenco, à cabeça. Talvez “Blue Velvet”, de David Lynch. Talvez o fato de rever a UERJ depois de tantos anos, talvez começar de novo. A esquina continua abandonada e, agora, agravada pelo vazio. Sigo meu caminho debaixo do violento sol que nos atordoa. Faltam poucos passos para entrar em minha sala de trabalho, começar mais um dia de atendimentos, deixar as dores de lado e me vestir como um robô, alheio ao mundo que não seja estritamente profissional, científico. Ouvir The Vails lembra realmente algo de Tom Waits com Thom Yorke, também tem algo de “Ironweed” e isso me leva aos vinte anos longe daqui, aos afagos da Ana, a sessões de cinema gratuitas tendo o imortal Maracanã ao fundo. Uma esquisita e ilógica sensação de que algo bom virá, temperado pelo que já foi longe. O aniversário da Patrícia reforça as lembranças do muito ontem. Janeiro se despede em quase silêncio. Os tempos voam rasantes. Antes da esquina abandonada, noutra rua vi um senhor que tinha certo jeito de meu pai ao sentar à cadeira. Não tinham a menor semelhança física, apenas a postura era a referência. Por um detalhe, parei e quase chorei. É preciso caminhar em frente, mesmo que o nunca mais seja a maior das realidades e a vida pós-vida não me pareça nada além de uma promessa. “Ironweed” é a vida real, ou melhor como ela deveria não ser.


Paulo-Roberto Andel, 28/01/2011

Wednesday, January 26, 2011

Monday, January 24, 2011

RESUMO DA ÓPERA II

RESUMO DA ÓPERA I

Friday, January 14, 2011

O OUTRO LADO DO RIO
















(Clique na imagem para ampliá-la)


Foto: Ricardo Valença Ferreira, Parque da Cidade de Niterói, 1997. Câmera descartável.

Friday, January 07, 2011

PARA ALEX E SHARON














queria saber
e dizer
onde vocês moram
agora
afora a sentença
que me atormenta
à cabeça
por ora
o mundo escorre
do lado de fora
são grãos e vãos
num renascendo
enquanto a promessa
não aflora
e algum sentimento
me apavora
mas também conforta
porque o dado rola
e ele sempre oferece
uma chance
de tentar saber
onde vocês se meteram
nessa hora
e uma lágrima que
não demora
é também
alegria amiga
que não se apaga
e revigora


Paulo-Roberto Andel, 07/01/2011

Thursday, January 06, 2011

LÁ FORA
















Lá fora, o sol fosco se avizinha ao gris do céu enquanto os janeiros de longe e perto me provocam sensações diferentes, mas também associáveis: a dor, a perda, a morte, a esperança e uma inexplicável tranqüilidade. Talvez a tempestade pareça uma estrangeira frente às multidões que povoam o verão. Pode ser que seja breve ou não, intensa ou não. Lá fora, os mortos adentram gavetas, jazigos e covas, enquanto felizmente as crianças nascem e soltam suas delicadas lagrimas calouras. Lá fora, as pessoas passam apressadas dentro do ir e vir que não explica bem o sentido da vida. E também lá fora somos dinheiro, lascívia, compulsão, carência, fraqueza, tormenta, egoísmo, solidão, fama, ingenuidade, angústia e tantos outros subjetivos e adjetivos que mostram, ao mesmo tempo, a complexidade do ser humano e a impossibilidade de um único rótulo, uma classificação. As grandes cidades, o subúrbio, a periferia, as comunidades carentes, o sertão indigente, a terra perdida – tudo temperado a misturado com pequenos sentimentos de alegria e prazer efêmeros, não menos efêmeros do que aquela mesma esperança, aquele mesmo jeito de pensar nos outros por um momento e não se sentir apenas um indivíduo. Lá fora é um janeiro, não tão janeiro quanto outros mais. Eu não sei mais onde meus pais dormem, sequer se dormem ou apenas pulam e dançam incessantemente dentro da minha cabeça. Eu não sei mais onde o Buja dorme, onde o Xuru dorme; João Carlos, Cláudio e Luiz Magno também. Há uma nova ordem, um novo governo e tudo o que é novo necessariamente traz um pequeno temor, mesmo que a confiança seja total: meu tio Mendel, que também não sei mais onde dorme, de algum jeito chegou ao poder que tanto mereceu. Lá fora, os brasileiros rezam, urram, choram e se apertam dentro da ingratidão dos transportes populares. Lá fora, um carnaval se espalha em chamas de samba e, num abrir e cerrar de cortinas, as pessoas vão esquecer de suas dores e mazelas para se deliciarem com o samba retumbante no peito, feito os que meu amigo Nelson escreve e canta, escreve mas não mostra. Lá fora, um campeonato de futebol se aproxima e isso é bom: saudável cachaça, paixão inebriante que ajuda a passar horas quase confortáveis enquanto a vida mostra seu desfile non sense. Quero reler o monodrama do grande poeta até encontrar H. Quero rever John Coltrane solando como se pudesse ser Deus. O barulho do circulador de ar me conforta, enquanto o som de antigamente ecoa na sala como se fosse de agora: a Califórnia do Oingo Boingo. Mais tarde, quero rever meus velhos amigos que nunca vejo como gostaria, porque os desejos são sempre escassos: compromissos, compromissos e compromissos que, somados, mal dão chance ao binômio inspiração-expiração. Lá fora, antes de bebericar o chope do fim da tarde, hei de passar pelos congestionamentos de carros, ônibus e gentes como nunca se imaginou um dia, agora tão comuns que chegam a ser vulgares. O telefone mudo me agrada, por ora. A caixa de correio vazia me apraz. Duas mulheres bonitas conversam num corredor, mas não me atenho a detalhes. Lá fora, feito aqui, existe vida, do jeito que tem que ser, com dissabores e palitadas de alegria. Os humanos são feitos para o erro; nós, feito bobos, um dia ensaiamos o que deveria ser perfeição que, quando perfeita é, vira perversão. Mais tarde, um show de realidades será a grande ficção que a tevê nos oferece a olhos e anseios nus. Mais tarde, notícias sobre um mesmo fato serão contadas de maneiras diferentes, conforme o gosto de cada freguês. E lá fora? Mendigos farão das marquises seus solares, casais hão de namorar aos pés da areia, famílias vão chorar nos necrotérios dos hospitais; enquanto isso, estaremos incansavelmente dedicados ao amanhã, ao depois, ao daqui a pouco, sob impecável obsessão, às vezes nos esquecendo que deveríamos ser mais solidários, mais humanos e poderíamos deixar um pouco de lado essa coisa de futuro que, num certo lance, faz a vida virar um cheque pré-datado. Lá fora é aqui dentro ou o avesso, tanto faz.


Paulo-Roberto Andel, 06/01/2011

Thursday, December 16, 2010

PONTOS DE VENDA DO LIVRO





















Arlequim Livraria
Praça XV de Novembro 48
Paço Imperial – Centro

Timbre Livraria
Shoppinga da Gávea 2º Piso Loja 221

Só Tricolor – Flamengo
Rua Senador Vergueiro, 44 Loja A
Flamengo

Só Tricolor – Tijuca
Rua Santo Afonso, 153 Loja H

Argumento Livraria
Rua Dias Ferreira, 417
Leblon

Blooks Livraria
Praia de Botafogo, 316 Loja D/E
Galeria do Arteplex Botafogo

Bolívar Livraria
Rua Bolívar, 42 Loja A
Copacabana

Beco das Letras
Rua General Tibúrcio, 83 Loja 14
Urca

Moviola Livraria
Rua das Laranjeiras, 280 Loja C
Laranjeiras

Empório das Letras
Rua do Catete, 311 Sala 202
Largo do Machado

Ou ainda nos links:

http://www.7letras.com.br/destaques/do-inferno-ao-ceu.html


http://www.travessa.com.br/DO_INFERNO_AO_CEU_A_HISTORIA_DE_UM_TIME_DE_GUERREIROS/artigo/4dcf0445-b80b-43e4-a4e9-f6e5dc2ba2cd


PRO FREITAS



I

Não tomei um drinque com o Freitas.

Não conversamos por horas e horas sobre livros e textos e versos como era devido, justo e merecido.

Vez ou outra, nos tempos do Globoonliners, lá estava ele fazendo algum elogio até exagerado sobre algo que eu tinha escrito, geralmente em frases curtas e impactantes. Gostei; legal ver que alguém com enorme verniz literário se identificasse com alguma idéia minha. Então era isso: um comentário, um ou outro e-mail, uma troca leve mas bastante rica. Tempos depois, fecharam a comunidade, lá fomos nós para o Bloguispóti e o contato foi rareando, mas sempre uma luzinha do farol longe alumiava a caixa de correio eletrônico.

A vida corre, os dias escorrem rápido pelas tubulações e, sei lá o porquê, pensei em mandar pra ele a divulgação do meu livro na segunda-feira passada, mas não o fiz: podia parecer auto-promoção, enfim. Devia, mas não fiz.

Hoje de manhã, minha querida amiga Lau me escreve contando da passagem do Freitas na mesma segunda-feira em que pensei nele.

Não tenho crença, não tenho fé, mas tudo isso que nos cerca deve fazer algum sentido, ao menos em minha matemática cabeça. O sentido da falta de alguém que não se fez presente de forma material em minha mesa ou meus bares ou mesmo na maravilhosa arte da conversa-fiada por telefone, mas que certamente contribuiu para a minha confiança em publicar fisicamente pela primeira vez – e talvez seja este o grande papel dos homens de letras: semear confiança para que outros escrevam mais e mais; transmitir; dividir.

O Freitas era – e é – rubro-negro fanático e me incentivou, direta e indiretamente falando, a fazer um livro que fala do meu amado Fluminense. Não há mais dúvidas: é um Fla-Flu e, por isso, tudo faz algum sentido.

Talvez sem saber, com certeza sabendo de alguma coisa, a semente que ele ajudou a germinar ai está.

Fica o abraço de sempre.

II

Poemas Neoconcretos II

verde verde verde
verde verde verde
verde verde verde
verde verde verde erva

(Ferreira Gullar)


Paulo-Roberto Andel, 16/12/2010

Monday, December 13, 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO






"DO INFERNO AO CÉU: A HISTÓRIA DE UM TIME DE GUERREIROS"

http://www.7letras.com.br/

Tuesday, December 07, 2010

A APOTEOSE DO OTÁRIO

Wednesday, December 01, 2010

INCLASSIFICÁVEIS



que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,

não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores

não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol


Arnaldo Antunes

Tuesday, November 23, 2010

O VELHINHO "MALA"


Sentado diante da maravilha tecnológica que é o computador, me deixo tomar por lembranças do longe.

Tempos da juventude, rapazote calouro de faculdade.

Acho graça quando alguém se diz “veterano” porque chegou a algum lugar seis ou doze meses antes do outro. Quando ficamos velhos, isso cheira a sonora bobagem, mas faz sentido na dinâmica velocidade no verão da vida, ali pelos dezoito aos vinte e cinco anos.

Somos saudosistas a maior parte do tempo, não fujo à regra: queria aqueles tempos outra vez, mas também gosto dos atuais, com tudo de ruim que o planeta Terra contém. Sinto a falta diária da minha família e isso é uma ferida que jamais cicatrizará: sei que preciso entender os desígnios da vida, mas ela também podia quebrar o meu galho e me entender um pouco também. Agora tenho outros amigos, novos parentes escolhidos pela afinidade em vez do sangue, outro amor.

A vida é outra.

Gosto de hoje, gosto de ontem. Reunir o melhor dos dois mundos é impossível fora da memória e do coração.

Ser jovem é ter todo o tempo do mundo pela frente. Quando era assim, lá ia eu tomar o charmoso ônibus 434 para chegar à faculdade por volta de seis, seis e meia da manhã. Você quase tem todo o mundo à vista, mas também quer trabalhar, quer ter algum dinheirinho para si e ajudar a família, quer ser alguém. É isso mesmo? Pode ser. O trajeto do 434 era mais longo do que outras linhas de destino similar, mas me fascinava a idéia de dar um voltão pela cidade antes de chegar ao palco de estudos, muitas vezes não utilizado com essa finalidade. Uma coisa era certa: no penúltimo ponto antes de chegar à UERJ, ali debaixo do viaduto Oduvaldo Cozzi, na vizinhança do CEFET, o 434 quase estacionava. Um senhor era o fiscal da empresa e fazia seu trabalho com precisa lentidão: ônibus cheio de estudantes, quinhentos metros para chegar no objetivo depois de quinze quilômetros. Era batata: o velhinho travava o coletivo implacavelmente. Tinha os cabelos esbranquiçados, nem tão curtos e a barba impecavelmente mal-feita. Não parecia ser dos mais simpáticos e tratava os trocadores que fiscalizava até com certa rispidez. Durante muitas manhãs, me vinha a vontade de dizer palavrões; com o tempo, sabendo que aquilo não iria mudar, me acostumei. Virou rotina como o café da manhã, folhear o jornal ou ouvir música. O velhinho, de quem nunca soube o nome e com quem nunca troquei uma palavra, estava incorporado ao meu cotidiano.

Dois ou três anos depois, eu passei a pegar carona com o Seu Serjão e o 434 ficou mesmo para os grandes jogos no Maracanã – uma ou outra vez eu o usava, até me formar, em 1994. Depois daquilo, quase nunca eu passava por aquelas bandas no turno da manhã. Certa vez, perto do Botafogo Praia Shopping, vi o velhinho atuando como fiscal do ponto. Estava mais velhinho, não mudou muito: travava o 434. Eu é que não era mais aluno.

A vida escorre na pia, coisas que foram outro dia viram outra década.

Tomei um táxi, desci a praça da Bandeira. Quando me dei conta, ia subir o viaduto. Pedi ao taxista que caísse pela esquerda, só para ver o ponto de ônibus. Havia um 434, mas nenhum fiscal. Parecia um dia vazio. Paramos atrás do ônibus, que se deslocou rapidamente – não era mais o 434 da minha juventude. Tão vazio quanto o dia era a região do ponto: nenhum passageiro, nenhum fiscal.

A vida segue seu curso, escrevi isso noutro lugar. Não temos tempo a perder. O problema é que não consigo deixar de pensar nas ruínas da minha juventude, depois de ter visto aquele ponto deserto.

Que saudade do velhinho mala!


Paulo-Roberto Andel

Thursday, November 11, 2010

A IMPRENSA ÉTICA (?)


Menos de dez dias depois de uma derrota eleitoral que muito irritou seus patronos e financiadores, parte significativa da imprensa brasileira convencional voltou a fazer o que mais sabe: criar factóides.

Por representarem um segmento social alheio ao aceite democrático do resultado das urnas, a imprensa agora tenta impor “graves mazelas” à vida brasileira, como a patética condenação do ENEM (que, no fundo, sempre desagradou ao PSDB pela evidente insatisfação de representar uma perspectiva de não-colonização das classes sociais menos abonadas, agora com acesso ao ensino superior) e o fenomenal “escândalo” envolvendo Silvio Santos. Em ambos os casos, os dados disponíveis revelam clara contradição entre o que realmente aconteceu e o que se lê nas manchetes. Tentaram o “escândalo” do IDH e não deu certo. Curiosamente, tudo isso acontece não somente no momento em que o PT confirma a vitória nas eleições presidenciais, mas também quando a mais poderosa rede de comunicação do país – com forte ascendência sobre as demais - recebe violento golpe do CADE num de seus tesouros mais bem-amealhados: a transmissão dos jogos de futebol, que gera verbas bilionárias de publicidade nos caríssimos anúncios comerciais. Não é nenhum delírio afirmar que a fábrica de factóides, tão bem-engendrada pelo ex-futuro líder político da oposição no Senado brasileiro, César Maia, à época de seu período como prefeito da cidade do Rio de Janeiro, cause espécie entre seus pares jornalístico-televisivos que, incomodados com a perda de lucro bilionário que possam vir a ter, partiram para uma situação de enfrentamento constante em prol da “verdade e da justiça”.

Não é a primeira vez, nem a segunda e nem a décima em que, incomodada por qualquer tipo de ameaça ao seu reinado, a rede líder e seus peixes-piloto avancem com fúria de tubarão contra governos. Leonel Brizola sofreu isso na pele, Lula também. Se pensarmos bem, uma reflexão profunda sobre um tempo sombrio da vida brasileira é necessária; o que fez as forças que fabricaram e elegeram Fernando Collor de Mello com presidente voltarem-se contra ele menos de três anos depois? Um automóvel? Não somos tolos em corroborar essa tese – a própria mídia tenta forçadamente aproximar Collor de Lula, como se ela nada tivesse a ver com o “Caçador de Marajás”. Algo fede a peixe, ainda não desnudo em sua decomposição. Para culminar, o completo temor exibido em telejornais contra marcos regulatórios da profissão jornalística, tidos com “censura ditatorial” em contrapartida ao verdadeiro golpe de Estado que tentaram impor neste ano de 2009. Difícil dizer até onde vai a ignorância ou a ma-fé nesta questão: nos países mais desenvolvidos do planeta, poucos jornalistas poderiam fazer em público o que fizeram com Lula nos últimos oito anos. Ninguém foi censurado. Querem fazer crer que liberdade e libertinagem são a mesma coisa. Qualquer profissional superior tem sindicatos a lhe representar, conselhos aos quais presta contas financeiras e pode ser até impedido de exercer a profissão em caso de ferimento à ética ou aos princípios básicos do diploma que obteve. Jornalistas estão acima da lei? Não. Devem ter toda a liberdade de se manifestarem livremente, desde que não afrontem princípios constitucionais – o que têm feito de forma incessante.

Que imprensa é essa?

A que pretende a ampla discussão do país ou a golpista, entreguista, representante dos que traíram o Brasil em 1928, 1932, 1954 e 1964?

Aos brasileiros de bem, a reflexão.

Tuesday, November 09, 2010

SOBRE NAZIFASCISTAS, SEPARATISTAS E ESCROQUES DE 2010


Esse negócio de separar Estados, ceifar, expulsar imigrantes, "a terra para os terráqueos" e outras idiotices mais constituem um bolo cujo ingrediente primordial está contido na seguinte sentença: "Tem mais é que tacar uma bomba na favela e explodir tudo". É o homo sapiens voltando a ser quadrúpede.

Mas poderia ser também em "Viado tem que morrer", "Lugar de mulher é na cozinha/Mulher não sabe dirigir", "Vamos incinerar macumbeiros" ou "O que é que essa gentalha está fazendo no shopping?". E "Tem que botar na cadeia pra matarem ele duma vez". Ah, tem mais uma: "No tempo dos militares é que era bom...". Desculpem a falta de classe, mas era bom só se fosse no meio do rabo de quem diz isso, sem qualquer direito a sursis feito de Hipoglós ou pomada erva-de-bicho.

Se você identificou alguma das sentenças acima nos diálogos ou conversa que trava com terceiros e quartos, meus parabéns: você está num país que ainda tem grandes problemas, mas recentemente resolveu encarar com vigor um dos maiores problemas do planeta Terra, que é a desigualdade social causada pela má distribuição de renda.

Você está num país onde uma burguesia elitista que escravizou, explorou, estuprou e roubou ainda tem as rédeas do poder econômico (e anda muito enfezada com as urnas), mas definitivamente perdeu as do poder político - e, por isso vê gradualmente a ascensão social de seus serviçais, mesmo que estes morem em comunidades ainda carentes.

Você está num país onde moralistas à beira-mar condenam o aborto que as meninas pobres, desnutridas e negras fazem em condições subhumanas, mas fazem vista grossa com as gatinhas fashion que entram nas clínicas da Rua Dona Mariana, em Botafogo - de onde saem visivelmente mais magras ao fim do dia; para eles, tudo bem: são "bonitas, brancas e de (sic) família".

Você está num país onde se fala diariamente que o problema está em oito ou nove mil parlamentares que praticam a corrupção - e quem fala isso diz "eu pago meus impostos" mas... paga mais ou menos, não? Sonega. E estes mesmos que fingem "condenar" a sonegação votam em candidatos com... total ligação com alguns dos piores corruptos da nação, no pior estilo "A lot of opportunities".

Você está num país onde é preciso resover as ditaduras religiosas: uma acha que manda em todas; outras acham que podem mandar em tudo.

Você está no Brasil.

Meus parabéns.

Esta é uma terra que foi muito vilipendiada, onde senhores de engenho queriam sobreviver com o mesmo estilo dos tempos da escravatura em pleno 2010. Não deu certo. Li em algum lugar que o povo às vezes faz vista grossa para corruptos, mas nunca se esquece dos traidores. Deve ser assim.

Aqui já foi uma droga, falta muita coisa ainda mas os primeiros sinais já vem brotando há tempos.

Tem uma turma que reclama além dos nazifascistas: os exploradores, os ex-pobres que não suportam rever nos outros a situação que um dia os banhou, os extremamente ignorantes que baseiam suas análises socio-politicas em veículos cabotinos como a "revista" Veja, "jornais" como os que dominam a cena paulistana e redes de comunicação como o Sistema Globo, eternamente ligado a tudo o que de pior aconteceu aqui. E só. Não dá quarenta milhões de pessoas nem gozando. Se muito, dá trinta. Dois milhões de exploradores, quatro milhões de parentes, dois milhões de puxa-sacos e vinte e dois milhões de eleitores que estão dominados pela monocultura: um só time, uma só tevê, um só jornal, uma só moda, nenhum livro que preste. Antes de qualquer protesto, recomendo não comparar os números acima com os dados oficiais da recente eleição que sacramentou a vitória de Dilma presidente. Evidentemente, me refiro a uma estatística de araque. Quando entender melhor do assunto, pormenorizo isso.

Está na hora de dar um BASTA! com todas as letras maiúsculas aos racistas, preconceituosos, salafrários, apedeutas e profetas do apocalipse que vociferam mentiras e tentam impingir ao país um clima de insegurança e mentira, o mesmo clima tenso dos cenários de 1932, 1954 e 1964. É hora de colocá-los no lixo, mas não da maneira como eles pregam, que é a de dizimar, aniquilar, matar, explodir. De forma alguma! O caminho é deixá-los falando sozinhos, no vácuo da oceânica ignorância dos quais são a mais perfeita tradução. A cidade, o estado e o país não podem parar por causa de meia-dúzia de nazistóides só porque eles dominam o mercado formal de informação. Meu próprio exemplo: envergonhado com a sujeira disseminada nos últimos meses por determinadas mídias, simplesmente parei de utilizá-las. Fora! Gente que não tem respeito a pobre, que acha que a solução é sempre explorar os outros, que fala aquelas idiotices lá do primeiro parágrafo, não pode servir para ser minha amiga, para me dar bom-dia e não pode sequer servir de minha latrina. Fora! Reconheço o estado democrático de burrice, mas o de má-fé não. Fora! Fora geral! Que o Deus deles lhes receba.

BOICOTE!

Chega de novelas de merda que só propõem os piores sentimentos humanos e vendem a ideia de "vencer na vida a qualquer custo".

Chega de jornais com manchetes que desafiam qualquer sujeito letrado, insinuando que somos completos imbecis.

Chega de telejornais com "senhores da verdade" que serviram a assassinos e traidores da pátria, lambendo a virilha de seus patrões.

Chega de prepotentes apontando o que devemos consumir, ver, ouvir e principalmente NÃO ler.

Chega de uma elite que propõe uma sociedade vedada, gradeada, sectária.

Essa é nossa resposta: deixá-los no limbo que lhes cabe. O ocaso. O vazio que representam. os quarenta milhões de votos já voltaram a ser trinta. Trinta milhões de pessoas num universo de cento e noventa milhões. Dezesseis por cento. Há muito o que fazer junto aos outros oitenta e quatro.

O tempo, as coisas e os votos sabem onde é a última morada dessa gente, que acha a própria carne mais digna, bela e representativa do que a de bilhões de pessoas que nasceram, não viveram mas morreram e morrerão igualzinho a elas. Em decomposição ou cremação.

Não há mais espaço para ditaduras, separatismo, golpes, opressão.


O Brasil é de paraíbas, pretos, gordos, viados, judeus e também de brancos, louros, heteros, evangélicos, espíritas, hinduístas, ateus, ricos dignos, pobres dignos, sulistas, camponeses, urbanos, fazendeiros, peões.

Os trabalhadores venceram.

Quem não os respeitar, que descanse em paz, mesmo que em vida.

Paulo-Roberto Andel

Wednesday, November 03, 2010

ADEUS, FASCISTAS




1

Mendel era um jovem estudante de Medicina na UFRJ quando testemunhou a ditadura militar no Brasil e suas atrocidades. Pouco tempo depois, ingressou no proibidíssimo PCB, o que lhe custou sucessivas detenções no famigerado DOPS, que fazia no Brasil mais ou menos o que os chuveiros ácidos faziam em Auschwitz. Cinco anos depois daquele patético, deprimente, pavoroso e nojento primeiro de abril, teve uma única opção: "sair" do Brasil para não ser morto, morar em Israel, revalidar seu diploma na universidade (o que não aconteceu com o Sr. José Serra) e, entre 1972 e 1987, trabalhar como psiquiatra do exército israelense. Antes disso, penou em delegacias, levou choques e uma das pancadas na cabeça lhe tirou a audição do lado direito. Faleceu em 1987, muito longe da simpática cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, onde viveu pouco tempo com seus pais, Taube e Favel Andel - estes faleceram quando Mendel era criança, criada posteriomente no internato do Instituto Hebreu-Brasileiro. Ainda teve dezessete anos de vida, ao menos. Escapou da morte ou do desaparecimento do corpo, tal como outros jovens daquela época. Alguns imbecis apontam que a ditadura apenas se defendia do terrorismo; por isso, deveriam ter seus diplomas escolares cancelados. Qualquer colegial sabe que não cabe a nenhum Estado a prática do assassínio de opositores a um eventual regime político.

Mendel não morreu como Stuart Angel ou Edson Luís. Estes tiveram a vida ceifada à vista por conta da estupidez da ditadura, com requintes de crueldade e covadia. Mendel também, só que morreu a prazo, em conta-gotas. Tiraram-lhe a família, o time de futebol, a pátria, impuseram-lhe outro lugar do mundo para viver e, obrigado pelas leis de seu novo país, acabou trabalhando diariamente no verdadeiro palco de horrores que era – e é – cuidar da saúde mental de soldados mutilados física e psicologicamente falando.

Havia Mendel, Stuart, Manoel, Edson, Carlos, Lucia, Dilma. Anos depois, alguns deles puderam voltar à vida civil brasileira. Outros carregaram as marcas da tortura para sempre. Muitos desapareceram: corpos banhados em ácido, outros carbonizados, outros repartidos pelos cavalos como se fazia no tempo do Brasil-Colônia.

Os idiotas, somente os idiotas, acreditam que a ditadura fez bem ao Brasil e que militares era torturados. Nunca se soube do desaparecimento de nenhum general, major, coronel ou capitão que tenha defendido a ditadura.

Mendel era meu tio.

Sua memória foi honrada com a vitória de Dilma Roussef nas eleições de domingo.


2

A vitória da Presidente Dilma tem várias facetas. Não poderia ter ocorrido em hora melhor.

Quarenta e seis anos depois de 1964, sepultar os cadáveres políticos que representam aquela época era mais do que preciso. O Brasil não precisa da opressão da Arena, do nacionalismo de gaveta da UDN. O que dizer de um partido que esconde suas próprias origens como é o chamado DEM? Colaboradores da ditadura, lacaios do republicanato norte-americano, defensores do coronelismo no Nordeste em 2010. Tiveram o resultado que lhes é justo: poucas cadeiras no parlamento, alguns postos de governo e uma sede enorme de que tudo dê errado para que tenham a chance de recuperar o poder, nem que seja de forma ditatorial, como já fizeram mais de uma vez.

Junto ao DEM, uma enorme mentira chamada PSDB e alguns lamentáveis papagaios-de-pirata como os senhores Roberto Freire, Fernando Gabeira e Marcello Cerqueira. Na periferia, os fracassos retumbantes de Marco Maciel, símbolo civil da ditadura, e César Maia, homem de ex-blog e ex-cidade musical.

O povo brasileiro é enorme e humilde, tem pouca escolarização em sua maioria, mas não é bobo, menos ainda burro. Às vezes, tem condescendência com corruptos, mas uma coisa é certa: não perdoa os TRAIDORES.

Quando menos se espera, as urnas sabem ser justas.


3

Falam da inexperiência de Dilma como se fosse possível cursar uma faculdade de Presidência da República. Eu vos pergunto: que experiência tinham os senhores FHC e Collor quando se tornaram mandatários da nação?

Falam que Dilma é um fantoche de Lula. Seria ruim a presidente manter as diretrizes de um governo que deu certo, ou elles estão apenas querendo o PODER e não o bem do Brasil?


4

Publicados os dados oficiais, fiquei comovido com o discurso de Dilma.

Lembrei de meu pai, de meu tio, da ditadura que infelizmente vivi. Lembrei de como eles mereceram ver um país melhor do que aquele no qual viveram.

Não deu tempo. Mas ainda estou aqui.

Como seria ter Leonel Brizola, João Goulart e Darcy Ribeiro naquele palanque?


5

“Tem mais é que tacar uma bomba na favela e explodir aquilo tudo. Tem que remover. Que nojeira esses pobres andando de celular no shopping. Que breguice desses pobres vindo à praia de metrô”

Delírios nazifascistas como este, publicado nas três linhas imediatamente acima, estão, felizmente, banidos da vida nacional.


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Leio jornais diariamente há trinta e dois anos, mesmo aqueles com os quais não concordo ideologicamente.

Neste 2010, a calda escorreu para o chão.

Nunca as manchetes e conteúdos dos veículos impressos foram tão sujas, tão hipócritas, tão levianas contra uma candidatura. Os piores momentos de Collor 1989 foram à lona.

Golpismo barato que foi devidamente refutado no melhor palco: a urna.


7

Quase um ano depois, a ditadura da mídia não toca em um tema que pode gerar páginas e páginas policiais: onde surgiu a bela amizade – e posterior sociedade comercial – entre Verônica Serra e Verônica Dantas?


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Lula.

Obrigado por tudo.


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Para rir um pouco












Paulo-Roberto Andel, 03/11/2010

Tuesday, October 19, 2010

IMAGENS QUE DIZEM TUDO







Friday, October 15, 2010

MINO CARTA















http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/o-tempo-como-invencao-do-homem


O tempo, como invenção do homem

Questão levantada por Dilma Rousseff no debate de domingo 10 na Band merece reflexão. Observou a candidata que a campanha eleitoral tucana estimulou um sentimento insólito no Brasil, o ódio. Há brasileiros e brasileiros. Os privilegiados e seus reservas, e os desvalidos em estágios diversos. As diferenças sociais são ainda profundas, a despeito de alguns avanços realizados à sombra de Lula.

A maioria brasileira não é capaz de ódio, mas sua característica mais pronunciada é a resignação. Já o ódio tem ibope elevado na minoria, aquele resistentemente alimentado em relação à maioria. O sulista feliz da vida enquanto mantém sua primazia e o remediado confiante em um futuro favorável à moda dos atuais privilegiados odeiam o nortista pobre. Incluam-se os miseráveis em qualquer latitude.

A frequentação da internet nestes dias ilumina a respeito, embora cause devastação na zona miasmática situada entre o fígado e a alma dos cidadãos conscientes e responsáveis. Colidimos com ferozes manifestações de ódio, insufladas pela mídia nativa, movida ela própria, ela antes dos seus leitores, ouvintes, espectadores, a puro ódio. Em outros tempos, chamava-se ódio de classe. Mas hoje os tempos são outros.

Há inúmeras décadas a mídia nativa, instrumento nas mãos da chamada elite (elite?) porta-se da mesma maneira. Desembainha os mesmos argumentos. Desde a oposição a Getúlio Vargas democraticamente eleito, a resistência à posse de Juscelino, a manipulação constitucional para que João Goulart substituísse o renunciatário Jânio ao aceitar a imposição do parlamentarismo, enfim, o golpe de 1964 e o golpe dentro do golpe de 1968. Até a rejeição da campanha das Diretas Já, a eleição indireta de 1985, a posse anticonstitucional de José Sarney, a eleição de Fernando Collor no seu papel de antídoto ao Sapo Barbudo.

Sempre e sempre, a mesma pejoração, a favor das mesmas inaceitáveis razões, frequentemente em apoio de quem, em nome das conveniências, foi elevado aos altares da glória e hoje é atirado à poeira. É um festival de acusações sem prova, de omissões oceânicas, de mentiras que envergonhariam o bugiardo de Goldoni ou o tartufo de Molière.

Pergunto-me se esses heróis da velhacaria perceberam o quanto o Brasil e o mundo mudaram no período. Por uma série de eventos, a vincar as décadas. O Brasil, por exemplo, não é mais um dos ancoradouros preferidos da CIA. O embaixador americano Lincoln Gordon, depois de mandar mais que o presidente da nossa república, passou-se para outra. Na onda da Marcha da Família, com Deus (que deus seria este?) e pela Liberdade, perdemos a liberdade, com ele pequeno, por 21 anos, e a verdadeira, irmã da igualdade, ainda não a encontramos.

Deu-se ainda, neste tempo todo, que a Cuba de Fidel deixasse de ser aquela e, sobretudo, que o Muro de Berlim ruísse e, com ele, o maniqueísmo da Guerra Fria, o abrupto loteamento do globo entre dois impérios. Aliás, sobrou um, que nos ensinou coisas boas e más, algumas muito más, e hoje não vai lá das pernas.

Os meus estarrecidos, porém lúcidos botões cuidam de me informar: os senhores todos continuam a querer um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo, o tal de demos, como avisava Raymundo Faoro, o grande pensador, que faz falta não somente a mim. E não deixa de representar fenômeno extraordinário como o candidato José Serra se encaixou à perfeição no seu papel de udenista da última hora, de sorte a ganhar, de forma ainda mais clara que em 2002, o suporte da mídia de uma nota só.

Há momentos sublimes na interpretação do candidato tucano. Ele se prontifica a deglutir hóstias sagradas e se apresentar como derradeiro apóstolo de Jesus Cristo. Enquanto isso, a mídia concretiza a mais ampla, geral e irrestrita conciliação elitária da nossa história, na qual este gênero de arreglo invariavelmente nasceu do ódio à maioria e representou um capítulo fatal.

Recordo um debate entre figuras da imprensa, organizado em fins de 1976 por Ruth- Escobar no seu teatro paulistano. Inicialmente proibido pela ditadura por causa da minha presença entre os debatedores (incrível, não é mesmo?) e enfim liberado duas semanas após porque me caberia apenas o papel de moderador.

E o moderador, lá pelas tantas, perguntou a Ruy Mesquita, também presente, por que, diante da censura, os donos das empresas midiáticas não se tinham unido para protestar, assim como em uníssono haviam invocado o golpe. Ruy respondeu ser impossível um entendimento entre famílias tão díspares quanto Mesquita, de um lado, e Marinho, Frias, Nascimento Brito e Civita do outro. Pois agora, na esteira da candidatura Serra, e para espanto meu e dos meus botões, é possível.


Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

GOLPE À VISTA? SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER


Tarso compara campanha de Serra a preparação do golpe de 64


(Reprodução do Portal Terra)


Porto Alegre - O governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), disse, na noite desta quinta-feira, em Porto Alegre, que, em relação à disputa presidencial, está havendo "uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas" contra o então governo estabelecido.

Diante de cerca de duas mil pessoas que lotavam o Salão de Eventos do Hotel Plaza São Rafael na plenária de mobilização da campanha da petista Dilma Rousseff para o segundo turno da eleição presidencial no Estado, Tarso fez críticas duras aos adversários de Dilma na eleição, avaliando que hoje a ameaça é mais grave, porque inclui a "manipulação da informação com cumplicidade da maior parte da grande imprensa". O governador eleito finalizou seu discurso avaliando que a situação pode "redundar em uma eleição ilegítima", na qual um candidato quer se eleger "com base na mentira, na inverdade, na calúnia e na difamação".

Mesmo sem a presença de Dilma, o PT e os partidos aliados prepararam um grande evento para o que apontam como a "arrancada" da campanha do segundo turno da petista. Nas escadarias, na entrada do prédio e no salão, militantes distribuíam pilhas de adesivos, folders com os 13 compromissos de Dilma e um documento com os principais pontos de organização da campanha no Estado e pré-roteiros das lideranças estaduais até o dia 30 de outubro.

Dentro do salão, na mesa principal, com direito a discurso, estavam, entre os representantes de siglas aliadas, o senador Sérgio Zambiasi (PTB), o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Júnior, o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT), que na eleição estadual concorreu como vice do principal adversário de Tarso, o peemedebista José Fogaça, e o deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB). Mendes, que coordenou a campanha de Fogaça, chegou à plenária após passar a tarde em uma tensa reunião do PMDB gaúcho na qual foi decidido indicar ao diretório do partido proposta de apoio ao adversário da petista, José Serra (PSDB), mas respeitando os que preferirem Dilma. Em seu discurso, lembrou à plateia a importância de que peça votos.

Aplausos

Zambiasi, que durante seu discurso foi aplaudido de pé pelo público, também recheou as falas de críticas aos adversários na eleição presidencial. Ele começou sua manifestação respondendo a uma pergunta que ficou em suspense durante toda a campanha. "Tarso, eu votei em ti", declarou. Em seguida, disse que os adversários "fracassaram com os trabalhadores e aposentados". "Não venham agora prometer o que não vão cumprir".

Ao final da plenaria, questionado sobre o fato de Serra ter visitado o Estado antes de Dilma neste segundo turno e de a mobilização dos serristas estar bem mais organizada do que no primeiro turno da eleição, Tarso resumiu: "Não nos atemoriza". Ele também minimizou a definição majoritária do PMDB em favor de Serra. "Foi boa, porque liberou os que preferem a Dilma". Além dos partidos que já apoiam a petista no Rio Grande do Sul, Tarso segue em busca de dissidentes em siglas que, no Estado, preferem Serra, como é o caso do PP. "Já conversei com o Mano Changes (deputado estadual do PP, vinculado aos eleitores jovens) e antes do final da semana vamos falar novamente".

Após a plenária, o governador eleito seguiu para um breve encontro com lideranças evangélicas em outro andar do prédio. Ainda assim, aos jornalistas Tarso disse considerar "superada" a pauta de temas religiosos na campanha. "Nossa agenda é o que fazer para maior distribuição de renda e ampliação dos projetos sociais do presidente Lula". Nesta sexta (15), a partir das 10h30min, Tarso volta a se encontrar com lideranças religiosas, no Encontro do Conselho de Ensino Religioso do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. No domingo os apoiadores de Dilma pretendem realizar um grande ato no Brique da Redenção, tradicional feira de antiguidades e artesanato da Capital que é também cenário de manifestações artísticas e políticas.

Wednesday, October 13, 2010

MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRÓ DILMA

Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político à eleição de Dilma Roussef. Se você puder aderir agradeceríamos muito: mande sua adesão para emirsader@uol.com.br e ericnepomuceno@uol.com.br .

E, se você também puder, venha participar do ATO POLÍTICO de entrega do manifesto à candidata, no Teatro CASA GRANDE, dia 18 de outubro, às 20 hs. (Rua Afranio de Mello Franco, 290- Leblon- Rio de janeiro)


MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRÓ-DILMA

Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.

Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.

Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.

Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno