no chão, as folhas mortas avisam que o verão deu adeus
e transeuntes derramam lágrimas silenciosas enquanto caminham
a miséria sorri em olhos infantis
enquanto as rugas expelem dor
ao longe, os falsos democratas riem
- militantes da desgraça alheia, mais
preocupados com as próprias carteiras
enquanto arrotam inutilidades sem chão
nos hospitais, os pobres resignados
esperam as despedidas depois do sol
nas ruas, é fácil ver gente mexendo lixo
em busca da sobrevivência dolorosa
à madrugada, tudo está fechado: ninguém responde, o silêncio é a vez
corações solitários soluçando em vão
e corpos humilhados nas calçadas vis
[eu estou sozinho nessa terra tão triste
e linda, cheia de natureza e indiferença
[nenhum abraço me navega
[tristes os bares sem boemia, cerrados
[ninguém estende a mão para ninguém
basta um mísero segundo e abril é fato
as folhas mortas são a grande cartada
escravos imploram para ter vã alforria
tempos modernos fazem castas antigas
nunca fomos tanto ninguém
nunca fomos tanto ninguém
@p.r.andel
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