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Wednesday, April 02, 2025

BURNING

no chão, as folhas mortas avisam que o verão deu adeus

e transeuntes derramam lágrimas silenciosas enquanto caminham


a miséria sorri em olhos infantis 

enquanto as rugas expelem dor


ao longe, os falsos democratas riem

- militantes da desgraça alheia, mais

preocupados com as próprias carteiras

enquanto arrotam inutilidades sem chão 


nos hospitais, os pobres resignados

esperam as despedidas depois do sol

nas ruas, é fácil ver gente mexendo lixo

em busca da sobrevivência dolorosa


à madrugada, tudo está fechado: ninguém responde, o silêncio é a vez

corações solitários soluçando em vão 

e corpos humilhados nas calçadas vis


[eu estou sozinho nessa terra tão triste

e linda, cheia de natureza e indiferença 


[nenhum abraço me navega 


[tristes os bares sem boemia, cerrados

[ninguém estende a mão para ninguém 


basta um mísero segundo e abril é fato

as folhas mortas são a grande cartada

escravos imploram para ter vã alforria 

tempos modernos fazem castas antigas 


nunca fomos tanto ninguém 

nunca fomos tanto ninguém 


@p.r.andel

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