ESCRITORES VAIDOSOS, ARROGANTES E OCOS
Quando o caso é de escritores e poetas, senhor... De cem você tira quatro. Um show de arrogância oca e excesso de auto estima, vendo a si mesmo como gênios incríveis, embora na maioria dos casos não houvesse genialidade alguma além do discurso. Em sua maioria vaidosos ao extremo, individualistas, incapazes de jogar em equipe - falo do que vivi, não do que ouvi falar. Dezenas e dezenas de pessoas. Claro que há exceções valiosas. Bigode, querido amigo, é uma delas - foi a personalidade que mais me fortaleceu publicamente, e olhe que temos uma amizade recente, de uns cinco anos, valiosa e intensa. Volta e meia testemunho a humildade de André Felipe de Lima, que é um monstro escrevendo até post de três linhas.
Ainda sobre a empáfia, várias vezes tive vontade de rir vendo, ouvindo e lendo as declarações de pico celebridades literárias, geralmente vendo ouro em seus próprios trabalhos quando só havia urina, ou desancando o trabalho alheio gratuitamente. Eu não sou vigia da poesia alheia, cada um que desenhe seus próprios versos.
Eu não inventei a língua, o livro, as técnicas de escrita, nada disso. O que faço é contar histórias que vivi e pesquisei do meu jeito. As pessoas adoravam me ouvir em bares e tentei levar essa mesma fala para os livros. Fazer o que dizia Ivan Lessa: "o cronista fala sozinho na frente de todo mundo". Só comecei a cogitar que poderia escrever bem quando tirei o terceiro 10 na redação do vestibular. Eu era tão ingênuo que, com as duas notas anteriores, pensava que tinha tido sorte... E depois que meus textos receberam mais de um milhão de cliques em meu site, mesmo que isso se limite a 50.000, 20.000 ou 5.000 pessoas, não dá pra dizer que muita gente não voltou para novas leituras.
Se vivêssemos num outro tempo, provavelmente o meu trabalho seria muito mais conhecido. Escrevo num tempo em que as pessoas não têm paciência para ler. Gostaria de ser dignamente remunerado. Afora isso, eu não estou nem aí. Fiz várias coisas legais, ainda estou fazendo pouco me importando se chegam a 100, 1.000 ou 10.000 pessoas. O importante é jogar a sua mensagem dentro da garrafa no mar, o resto a gente vê depois. Estou pouco me lixando para críticas e observações de casuísmo barato. O que importa é o conteúdo da mensagem. Ninguém melhor do que eu mesmo para saber quando fui regular, bom, ótimo e excepcional - tenho exatamente a noção disso em tudo que publiquei. E quando fui bom ou regular, é porque ousei, arrisquei e nem sempre dá certo - arte sem ousadia é banalidade.
Se parasse hoje, já teria a sensação de dever cumprido, mas sei que ainda posso mais, quero mais e espero poder realizar muita coisa escrevendo. Quem gostou, gostou; quem não gostou, paciência. Meu texto é minha vida: vivi 25 anos em Copacabana, já passei muita necessidade, ando de chinelos e bermuda. Tenho pressa, muita pressa.
Ah, sim: a opinião de gente que despreza literatura de futebol eu nem considero. São tantas coisas e histórias espetaculares que desconfio de quem debocha do tema. Ninguém é obrigado a gostar, mas subestimar o futebol como combustível lítero-poético é um atestado de ignorância.
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FATO RELEVANTE
Muitas vezes em minha vida, de forma exagerada, diversas pessoas me apontaram como alguém "fora da curva" em termos de capacidade intelectual (detesto pensar nisso mas tem algum sentido). Sinceramente, nunca levei isso a sério até os tempos recentes, mas aí surgiram os antivax, os fãs da terra plana ou quadrada ou trapezóide, e fui obrigado a abdicar do que alguns dizem ser excesso de modéstia.
Não é incrível que nenhuma delas, mesmo as que tinham muitas possibilidades, tenha me oferecido qualquer chance de mostrar a tal capacidade? Ou mesmo de dar uma simples opinião? Ou sugestão?
Entendem o que é o Brasil?
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Paulo Leminski é o grande e merecido homenageado da FLIP em 2025. Ao mesmo tempo, seu filho luta pela sobrevivência e para não ficar nas ruas, indignidade que nenhuma pessoa deveria sofrer.
Entendem o que é o Brasil?