OTRASPALABRAS! (Paulo-Roberto Andel)
Thursday, September 28, 2006

A velha prosa de amor

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Já me acostumei com teu bel canto Ungindo e atiçando meus ouvidos Limitando toda nobre balbúrdia Imaculado firme, a meu solo dispor Até que ...

A canção da serena jovem

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Eu queria ser Literatura Para te descrever Com perfeição Doce, mansa De nascença Recompensa Para os olhos Paladar de Ouvidos Todos sentidos ...
Tuesday, September 26, 2006

Quando éramos três

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Toda casa era morada Namorada sublime Toda apoteose em praça Quando éramos três Fim do Leme, pôr do Seis Tabernas eram nossas varandas Ciran...
Friday, September 22, 2006

Qualquer bobagem

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Inventei De escrever Um fragmento Só para fingir Não ter Argumento Adoro ser tolo Desacredito Paulo Roberto Andel, 22/09/06
Thursday, September 21, 2006

Las chicas

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Para as três meninas Abraçadas, reunidas Debruçadas em berço esplêndido Banhadas no calor de festa Delicadas como o dedilhar das cordas Para...

Do cristal quebrado

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Encontrei um vaso raro de cristal, posto ao chão, quase espatifado Houve quem lamentasse a queda do artigo por demais valioso, caro Eu pense...
Wednesday, September 20, 2006

As flores da vida

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Era o menino de olho na lagoa vadia, tão vespertina Cheia de garças brancas e também dois pedalinhos Sem muitos namorados a dedilhar por tan...
Tuesday, September 19, 2006

O último dos moicanos

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Eu sou o lobo que nunca dorme E vivo vago, pela travessa dos poetas de calçada Procurando meu quando, meu quanto, Meu por quem? Os sinos dob...

Cálice de agosto

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Inexiste Aquarela Com todas cores Para pintar Tua beleza Leveza e graça de sorriso moço Meu apreço Em teu desejo Feito a paz De tua face Que...
Monday, September 18, 2006

Quando menos se espera

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Quando menos se espera, surge uma esquina Uma dobra, um novo caminho para alameda Mudam as coisas, as pessoas e os arredores Males que se ca...
Sunday, September 17, 2006

O silêncio das mil palavras

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Ontem, em certo momento do fim do dia, pude observar o horizonte nas imediações de Mangueira; subitamente e sem maiores justificativas lógic...
Saturday, September 16, 2006

Pausa

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Sinto-me embebido na estranheza de mim mesmo Quando surges à minha frente tão linda e morta Não me cabe disfarçar o que penso feito espanto ...
Friday, September 15, 2006

Noite de folguedo

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Convidaram-me para uma festa que acontecerá na noite de hoje. Logo eu, tão velho e já sem empolgação para os arroubos juvenis que toda festa...
Monday, September 11, 2006

Réquiem para o jovem velho amigo

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Houve um ano E foste embora Com discrição Por mais que o sol Brilhasse Era tempestade Era teu inferno E queríamos céu Chão Redenção Todos de...
Wednesday, September 06, 2006

Déjà vu

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Estranha, sempre, a experiência de estar em um lugar novo e fitá-lo como se não fosse pela primeira vez. Tudo quase inédito: uma canção, uma...
Tuesday, September 05, 2006

Diariamentes

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Todo santo dia, uma menina passa por perto de uma praça, onde hoje vivo É rotina que insiste em transportar minha atenção para aquele mesmo ...
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Friday, September 01, 2006

Tributo ao natimorto

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Eu me perdi muitas vezes nas esquinas da cidade Não sabia ao certo o prumo de uma nova casa Faltou quem me servisse de guia ou guarita Não f...

Amor debulhado

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O agora visto é um pote de lágrimas derramadas que seriam vãs se não fossem incenso para uma palavra esmiuçada debulhada outrora batizada am...
Friday, August 25, 2006

Carta de um jovem são, Paulo

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Eu sou Paulo De São Paulo E num pulo Paro e percebo Nós somos sãos Nem tão santos Feito Joões ou Josés Anjos Gabriéis Eu não pressinto Que p...
Tuesday, August 22, 2006

Lívida

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Branca é a tez de enquadro Teu sorriso generoso Comburente de amor em paz Preto ampara tuas melenas Debruçadas no alvo sardento Sedento de m...
Monday, August 21, 2006

A menina dança

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As sapatilhas deslizam Demonstram candura Ao beijar o tablado Porque a menina dança Eu, velho calado Sussurro alegria A qualquer companhia D...
Friday, August 18, 2006

Jangão

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Escutei o choro de minha mãe ao telefone e parti rapidamente para casa. Coisa de cinco da tarde. Soube então da morte de meu tio. Foi um ho...
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A balada da moça distante

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Vieste na névoa ensolarada Do fim de tarde na Guanabara E a baía, luzidia, dava-te silêncio De compaixão Contemplação Foste vinda do vento, ...
Friday, August 04, 2006

A esposa do ginecologista

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Não entendo muitas coisas neste mundo, é verdade, mas nada me incomoda mais quando penso em certos papéis desempenhados por determinadas pes...
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Monday, July 31, 2006

O frio domingo

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Ontem não era propriamente o que se chama de um domingo de regatas. Houve um frio enorme na Guanabara; as ruas eram vazias e, portanto, che...
Thursday, July 20, 2006

Ode à pequena mendiga

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Lembro-me de que uma menina era linda Logo à vista fitei seus olhos esverdeados e faiscantes Trajava uma roupa poída, porém tratada e honest...

Parassimpático

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Parassimpático Feito de cranianos nervos Alojando-se pelos núcleos Alvejando certos órgãos Sacramentando vidas Vistas, faces, vozes, vagas P...
Friday, July 14, 2006

Sodade

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Bastou um estalo, um breve sussurrar da televisão de baixo volume, um sono leve e eu me deparei com o branco opaco do teto. A meu lado, não...
Monday, July 10, 2006

Fora de sim

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Quando dei por conta, eu não estava mais ali Éramos muitos na companhia, todos falantes, felizes Meu silêncio se fazia de voz aguda, translú...
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Tuesday, July 04, 2006

Um rosto

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Minha vista enevoada Fitou um velho rosto Entre tantos na multidão Com seus olhos pequenos Lábios limpos Saborosos Sorriso de linho Moldura ...
Friday, June 23, 2006

As coisas que nunca mudam

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Você está parado e, de repente, as lembranças sobrevoam pela mente feito pequenos outdoors, incessantes e permanentes. Basta silêncio que a ...
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Wednesday, June 21, 2006

21 de junho

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Agora, início de nublada tarde na Guanabara. Não há, no momento, grande ameaça de chuvas, que tanto atormentam os nativos da cidade, princip...

A crônica partida

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De acordo com alguns homens das letras, por vezes tidos como de brilhante espectro intelectual, a crônica é tida como um gênero literário “m...
Monday, June 19, 2006

Saudades da graça

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Lá pelos tempos de oitenta e nove, coisa de uns dezessete anos, eu era apenas um rapaz latino-americano, sem parentes importantes e nativo d...
Thursday, June 08, 2006

Dois edifícios

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Caiu uma tarde, coube-me um lanche no décimo-segundo andar de um prédio que tenho freqüentado nos tempos recentes, morador honorário, creio....
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Espelho meu

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Meu espelho não me reflete É nele que mergulho Navego Traço rotas imprecisas Para te procurar Meu espelho não tem sombras Nem jogos É reflex...
Monday, June 05, 2006

Das mãos

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Quando eu provei tuas mãos Pétalas de rosas beijaram as palmas Minhas palmas Rosas, flores vivas De brilhante gracejo E poesia lunar Quanto ...
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Tuesday, May 30, 2006

Gotham City, por um triz

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Noite de outono gelada, éramos eu e Max a caminhar pelo negrume da Gomes Freire, avenida que já fez os encantos da capital e hoje, embebeda-...
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Rio, 42º

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Sete horas (PM.) e a cidade ainda arde. A tarde resiste bravamente e retarda a chegada da noite. A cidade é um labirinto onde eu ando e sint...
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Monday, May 22, 2006

O invencível verão

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Sobraram ainda, creio, alguns momentos a serem usados nos próximos vinte dias, bem como alguns últimos momentos divertidos. Mas o verão come...
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