OTRASPALABRAS! (Paulo-Roberto Andel)
Monday, July 31, 2006

O frio domingo

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Ontem não era propriamente o que se chama de um domingo de regatas. Houve um frio enorme na Guanabara; as ruas eram vazias e, portanto, che...
Thursday, July 20, 2006

Ode à pequena mendiga

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Lembro-me de que uma menina era linda Logo à vista fitei seus olhos esverdeados e faiscantes Trajava uma roupa poída, porém tratada e honest...

Parassimpático

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Parassimpático Feito de cranianos nervos Alojando-se pelos núcleos Alvejando certos órgãos Sacramentando vidas Vistas, faces, vozes, vagas P...
Friday, July 14, 2006

Sodade

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Bastou um estalo, um breve sussurrar da televisão de baixo volume, um sono leve e eu me deparei com o branco opaco do teto. A meu lado, não...
Monday, July 10, 2006

Fora de sim

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Quando dei por conta, eu não estava mais ali Éramos muitos na companhia, todos falantes, felizes Meu silêncio se fazia de voz aguda, translú...
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Tuesday, July 04, 2006

Um rosto

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Minha vista enevoada Fitou um velho rosto Entre tantos na multidão Com seus olhos pequenos Lábios limpos Saborosos Sorriso de linho Moldura ...
Friday, June 23, 2006

As coisas que nunca mudam

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Você está parado e, de repente, as lembranças sobrevoam pela mente feito pequenos outdoors, incessantes e permanentes. Basta silêncio que a ...
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Wednesday, June 21, 2006

21 de junho

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Agora, início de nublada tarde na Guanabara. Não há, no momento, grande ameaça de chuvas, que tanto atormentam os nativos da cidade, princip...

A crônica partida

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De acordo com alguns homens das letras, por vezes tidos como de brilhante espectro intelectual, a crônica é tida como um gênero literário “m...
Monday, June 19, 2006

Saudades da graça

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Lá pelos tempos de oitenta e nove, coisa de uns dezessete anos, eu era apenas um rapaz latino-americano, sem parentes importantes e nativo d...
Thursday, June 08, 2006

Dois edifícios

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Caiu uma tarde, coube-me um lanche no décimo-segundo andar de um prédio que tenho freqüentado nos tempos recentes, morador honorário, creio....
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Espelho meu

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Meu espelho não me reflete É nele que mergulho Navego Traço rotas imprecisas Para te procurar Meu espelho não tem sombras Nem jogos É reflex...
Monday, June 05, 2006

Das mãos

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Quando eu provei tuas mãos Pétalas de rosas beijaram as palmas Minhas palmas Rosas, flores vivas De brilhante gracejo E poesia lunar Quanto ...
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Tuesday, May 30, 2006

Gotham City, por um triz

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Noite de outono gelada, éramos eu e Max a caminhar pelo negrume da Gomes Freire, avenida que já fez os encantos da capital e hoje, embebeda-...
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Rio, 42º

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Sete horas (PM.) e a cidade ainda arde. A tarde resiste bravamente e retarda a chegada da noite. A cidade é um labirinto onde eu ando e sint...
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Monday, May 22, 2006

O invencível verão

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Sobraram ainda, creio, alguns momentos a serem usados nos próximos vinte dias, bem como alguns últimos momentos divertidos. Mas o verão come...
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Réquiem para o inimigo

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Ouvia um disco de orquestra e admirava o cartão postal que se desenhava em sua janela, numa tardinha de céu brilhante aos pés do Cristo Rede...
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Friday, May 19, 2006

Grandes avenidas

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Temo as grandes avenidas. Reconheço suas imponências diante de nós, pobres humanos que a elas servimos feito um enfeite de bolo. Entendo su...
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A madrugada precoce

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Chove. Este lugar é de um silêncio enorme, talvez imaginariamente entrecortado por canções de ouvir Carole King ou Marina Lima, ambas campe...
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Conversa de botequim

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Houve uma quarta-feira de azul turvo, aquela nem tão recente em que nós, sempre nós, em nosso refúgio fincado na mesa de bar, havíamos elegi...
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Das mãos

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Quando eu provei tuas mãos Pétalas de rosas beijaram minhas palmas Rosas, flores vivas De brilhante gracejo E poesia lunar Quanto eu toquei...
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Salve(m) São Paulo...

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São Paulo, a terra da garoa, com sua permanente nuvem cinzenta sobre os arranha-céus na vista de quem chega ao garboso estádio do Canindé, n...
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Memorial da adolescência

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Num dia do nosso tempo, o velho Xuru de guerra me levou até a casa de outro grande camarada nosso, também velho de guerra e chamado Henrique...
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Os verões do Leme

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É bonito ver o jovem casalzinho no banco de praia, aos pés da orla e perto daquele Forte inesquecível. Crianças ainda, devem estar perto dos...
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O supersônico

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Um dia comum, uma manhã comum, eu e minha bola oficial de futebol em jornada pela Figueiredo Magalhães, uma passada na casa de Buja para con...
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A moça do retrato

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Houve um verão e tive a sorte de conhecer uma moça belíssima, eram tempos da academia de matemática. Anos vieram e foram, gentes vieram e fo...
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Alvorada

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Acordei por volta das cinco e meia da manhã. Era dia de levar meu irmão para se apresentar ao garboso Exército. Bebemos um café rápido e des...
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